21 de out de 2012

WERNECK SODRÉ– A Música Brasileira - Parte I



    por Pedro Luso de Carvalho


O tema Cultura Nacional/Música é o capítulo do título O Desenvolvimento Cultural, do livro Síntese de História e Cultura Brasileira, de Nelson Werneck Sodré. Trata-se de uma de suas importantes obras.

Algumas linhas sobre o escritor - historiador, crítico - Nelson Werneck Sodré, linhas essas que procurarei ampliar nas próximas postagens que farei para completar as quatro partes deste trabalho.

Nelson Werneck Sodré nasceu no Rio de Janeiro, a 27 de abril de 1911. Foi escritor e militar. Na carreira militar, atingiu o generalato. Morreu em Itu, SP, a 13 de janeiro de 1999.

Possuidor de sólida cultura e de reconhecida inteligência, Nelson Werneck Sodré dedicou-se ao estudo da História, da Sociologia e da Política. Escreveu nesses três campos variadas obras, dentre as quais se destacam: História da literatura brasileira (1938), Panorama do Segundo Império (1939), Formação da Sociedade Brasileira (1944), Formação Histórica do Brasil (1967), Síntese de História e Cultura Brasileira (1970).

Segue a primeira parte de Cultura Nacional-Música, de Nelson Werneck Sodré (In Síntese de História e Cultura Brasileira / de Nelson Werneck Sodré. 9ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981, p. 100-1001):



CULTURA NACIONAL - MÚSICA (1ª parte)
(Nelson Werneck Sodré)



Se rádio e televisão não passam de técnicas, de instrumentos, está fora de dúvida que alteram aquilo a que servem de veículo. E nenhuma arte tem sido mais fundamente atingida e afetada pelo rádio e pela televisão do que a música. Sua história pode ser marcada, realmente, nas diferentes etapas, segundo o aparecimento das técnicas que ajudaram sua difusão. Por exemplo: antes do disco e depois do disco; antes do rádio e depois do rádio. Particularmente quanto à música popular. A outra, a erudita, de experiência em experiência, no mundo ocidental cristão, entrou num beco sem saída.

Entre nós, Vila Lobos continua a ser sua grande expressão, com dimensão mundial, tendo recolhido motivos populares em suas composições. Foi a música popular que avançou consideravelmente, no Brasil, acompanhando a rápida urbanização de nossas populações. A urbanização, pois, foi seu primeiro fator de desenvolvimento; o segundo esteve, sem dúvida, na existência e prestígio crescente de uma festa popular e urbana particularmente na música e na dança, que foi o carnaval. A urbanização permitiu, por outro lado, o aparecimento do teatro musicado, que veiculou também a música popular, antes do disco.

E no mais foram as festas; o conhecimento das novas composições tornou-se possível assim: com festas de salão, de residências, de clubes; com o teatro musicado; e, principalmente, com a festa anual carnavalesca, com os blocos, os ranchos, as escolas-de-samba, e o coro da multidão. Esses veículos é que permitiram à música popular brasileira tomar forma urbana. Alguns momentos marcaram essa longa etapa, iniciada ainda nos fins do século XIX: o aparecimento, por exemplo, em 1897, da marcha carnavalesca, ainda semierudita, de Chiquinha Gonzaga: Ó abre alas.




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A Musica Brasileira, Parte II                    


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