26 de dez de 2008

HAROLD PINTER MORRE EM LONDRES

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por Pedro Luso de Carvalho



A dramaturgia britânica perdeu nesta quarta-feira (24 de dezembro de 2008), um dos melhores representantes de sua geração, Harold Pinter, aos 78 anos. Antonia Fraser, esposa de Pinter, e também escritora, foi quem comunicou a morte do dramaturgo - que descrevia a si próprio como "dramaturgo, diretor, ator, poeta e ativista político" -; mais tarde a BBC de Londres divulgou que foi câncer do fígado a causa da morte desse eterno rebelde.


Ao conceder-lhe o Nobel de Literatura, a Academia sueca qualificou Pinter como “o representante mais destacado do teatro britânico da segunda metade do século XX”. Sobre o Nobel que recebera, disse Pinter aos repórteres, na porta de sua casa, em Londres, quando lhe comunicaram que a Academia havia lhe concedido o premio: “Não tive tempo de pensar sobre isso (o Nobel), mas estou muito comovido. É algo que não esperava por nada em nenhum momento”.


Em declaração divulgada pelo jornal The Guardian, em sua edição eletrônica, sua mulher Antonia Fraser disse que “Ele foi um grande e foi um privilegio viver com ele durante 33 anos – e que ele - Nunca será esquecido”. Em decorrência de sua enfermidade, o dramaturgo não pode receber a sua investidura, este mês, como “doctor honoris causa” na Central School of Speech and Drama de Londres.
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Pertencente a geração dos Jovens Irados britânicos, Printer iniciou sua carreira com publicação de sua primeira obra, O Quarto, em 1957. Depois disso, escreveu peças teatrais tão famosas como The Caretaker, The Birthday Party (A Festa de Aniversário) e The Dumb Waiter; ao todo, foram 29 peças; escreveu poesia, ensaios, um romance, contos e mais de 20 roteiros para o cinema, entre eles, para o diretor americano Joseph Losey. Entre esses, inclui-se o roteiro do filme A mulher do tenente francês (1981), baseado na novela homônimo de John Fowles. Printer escreveu também inúmeros trabalhos para a televisão e para o rádio, com numerosas adaptações de suas próprias obras para esses dois meios de comunicação.


Considerado um escritor politicamente comprometido, Harold Pinter escreveu nos últimos anos suas críticas políticas mais ácidas contra a violação dos direitos humanos e contra a guerra do Iraque, na qual o Reino Unido foi fiel parceiro dos Estados Unidos. Do ex- primeiro ministro britânico Tony Blair disse ser ele um “criminoso de guerra”. Uniu-se a banda Blur e ao cineasta Ken Loach (Terra e liberdade) para enviar ao Governo britânico uma carta de oposição à invasão do Iraque em 2003. Sobre os Estados Unidos, disse ser o país dirigido por uma turba de delinqüentes.


Filho de pais judeus, Pinter nasceu do bairro londrino de Hackney. Seus avós exilaram-se no Reino Unido para fugir da perseguição política na Polônia e em Odessa (Ucrânia). Desde muito jovem, interessou-se pela arte de interpretar , ocasião em que também se sentiu atraído pelo ativismo político. Em 1948 alegou conflito de consciência para negar-se a cumprir o serviço militar.


Esse gênio do teatro teve um filho, Daniel, de seu casamento com atriz Vivien Merchant, de quem se divorciou em 1980 para casar-se com Antonia Fraser. Pouco amigo dos eruditos tendentes ao excesso interpretativo de suas obras, Harold Pinter refutou esses arroubos dos críticos literários afirmando que sua vida literária não foi mais que “uma vida de prazer, desafio e entusiasmo”.





REFERÊNCIAS:
Muere el Dramaturgo Harold Pinter a los 78 años. ‘E''LPAÍS.com/EFE’ - Londres - 25/12/2008.
Declaração da morte de Harold Pinter. Antonia Fraser. The Guardian edição eletrônica de 25/12/3008.
Morre de Câncer, Harold Pinter. BBC, edição eletrônica de 25/12/2005.