23 de ago de 2016

MOZART - Parte IV



PEDRO LUSO DE CARVALHO

No texto sobre a vida e a obra de Mozart dissemos, no final da na terceira postagem, que na rápida estada de Wolfgang e de seu pai, Leopold, em Milão, o jovem músico submeteu-se a um teste para o sinfonismo classicista, que na época florescia na Alemanha e na Áustria.
Dissemos, também, que a junta era composta por importantes músicos milaneses, entre os quais Giovanni Battista Sammartini, que foi um dos construtores da sinfonia e o principal responsável pela transposição das formas instrumentais barrôcas, herdadas da tradição italiana, representada por Corelli, Torelli e Vivaldi.
Em 1770, nos três meses que passou em Bolonha, Wolfgang aprendeu com o Padre Giambattista Martini os segredos do contraponto. Foi admitido no círculo de músicos famosos e tornou-se membro da Academia Filarmônica Bolonhesa, rompendo, como esse seu ato, o regulamento da Academia, que para isso exigia a idade mínima de 21 anos.
A prova que fez ante a junta, para conquistar esse título, deveu-se à sua criação de uma fuga a quatro vozes em apenas meia hora, além de contrapontear em quatro partes uma sinfonia de três linhas. A junta examinadora ficou atônita com a proeza do jovem músico de apenas catorze anos. Então, uma aura de mito começou a envolver Wolfgang em virtudes de suas façanhas na Itália.
Em Roma, depois de ter ouvido uma única vez o “Miserere” de Gregorio Allegri, Wolfgang de volta a estalagem em que estava hospedado transcreveu essa peça, que a guardava na memória. Depois dessa transcrição, foi novamente à Capela Sistina para conferir sua partitura com a execução original; aí, fez as correções necessárias e deixou o recinto com as folhas escondidas no chapéu.
Daí em diante o “Miserere”, que até então era monopólio do Papa, foi divulgado e caiu no domínio público. Além de ter destruído o tabu que cercava o “Miserere” de Gregorio Allegri, o Papa não só perdoou a audácia de Wolfgang Mozart, como concedeu-lhe a “Cruz do Esporim de Ouro”, pelo surpeendente feito. Em Salzburgo, o Arcebispo Scharattenbach também homenageou Wolfgang promovendo-o a Mestre de Capela.
Já homem feito e assinando suas composições com o nome de Wolfgang Amadeus Mozart, sua obra avolumava-se com concertos, sinfonias, sonatas, óperas, missas e peças sacras mais curtas, minuetos e divertimentos ('divertimenti')
Mozart havia amadurecido em Salzburgo, com decepções e amarguras. O novo Arcebispo Hyeronimus, Conde de Colloredo, humilhava-o a ponto de obrigá-lo a fazer suas refeições com a criadagem, ao lado de cozinheiros e copeiros.
A Imperatriz Maria Teresa, que dizia que “os músicos que se põem a rodar pelo mundo à maneira de pedintes não contribuem para a boa fama da profissão”, impedia seu filho Ferdinando, Duque da Lombardia, de tomar Mozart a seu serviço.
Nessa época, a intenção de Wolfgang era continuar com suas viagens pela Europa, acompanhado de seu pai e de sua irmã; mas, ante a ameaça de demissão, caso insistissem em viajar, Leopold, com 58 anos, temendo perder o seu cargo optou por permancer em Salzburgo, o mesmo ocorrendo com sua filha Nannerl.
Wolfgang então decidiu viajar com sua mãe. Juntos visitaram Munique, Augsburgo, Paris, Estrasburgo e Mannhein. Além de suas apresentação, tinha a esperança de encontrar um emprego fixo. Os aristocratas, no entanto, não lhe deram o apoio esperado, por considerá-lo um “criado foragido”. Restava ao gênio eventuais apresentações em recitais e algumas aulas que ministrava.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart.



REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
KEIEGER, eDINO. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.




     *     *     *