14 de fev de 2009

RISCO DE DEPRESSÃO ECONÔMICA NOS EUA

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por Pedro Luso de Carvalho


O país mais poderoso do mundo está com as barbas de molho, com temor de que se repita o crash da Bolsa de Nova York, a chamada Quinta-feira Negra, quando, no dia 24 de outubro de 1929, as ações começaram a despencar, causando o maior desastre econômico de todos os tempos - as principais ações da Bolsa perderam até 90% de seu valor -, resultando na quebra de milhares de bancos e no fechamento do comércio, com investidores desesperados, muitos deles levados ao paroxismo do suicídio.


O que vemos hoje nos Estados Unidos é uma situação econômica similar, com um sinal de quebra, segundo noticiam os jornais, com seus poderosos bancos indo para o brejo, em decorrência das dívidas hipotecárias, e com suas Bolsas de Valores no vermelho, por um lado, e, por outro, o Governo disposto a injetar no mercado milhões de dólares para salvar o país dessa grande crise econômica, que parece repetir a política implantada por Franklin D. Roosevelt, quando se viu ante a dramática crise econômica, que se iniciou em 1929.
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O então presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, fortemente influenciado pelas teorias econômicas de dois economistas ingleses, John Stuart Mill e John Maynard Keynes, concebeu um plano para salvar os Estados Unidos, a partir da Grande Depressão. Stuart Mill sempre foi adepto da expansão do governo, e Keynes acreditava na lei da oferta e procura; daí ter o New Deal se aproveitado dessas teorias para estabilizar o mercado.


A respeito de Roosevelt, Keynes escreveu um artigo no Daily Mail , em 4 de julho de 1933: “Há muito tempo que um estadista não destruía teias de aranha com a coragem com que o fez, ontem, o presidente dos Estados Unidos... Sua mensagem é substancialmente um desafio a nós lançado para que decidamos entre continuar por velhos caminhos ou procurar novos; novos para estadistas e banqueiros, mas não para o pensamento, pois que conduzem à moeda equilibrada do futuro, cujo exame tem sido o argumento central da economia pós-bélica”.
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Quanto à participação de Keynes no plano de recuperação da economia depois da Quinta-feira Negra, esta não era aceita pacificamente pelos norte-americanos, ao contrário: “Em grandes círculos dos Estados Unidos, o nome de Keynes tornou-se objeto de ódio. Muitos, não estando preparados, sem poderem distinguir os aspectos do New Deal de caráter Keynesiano dos que não o eram, atiraram a Keynes a responsabilidade de tudo que mais odiavam... Os partidários do laissez-fair eram, naturalmente, levados a denunciar Keynes, como este os denunciava” (R. F. Harrod, A Vida de J.M. Keynes, Einaudi, Turim, 1965).


O New Deal - preleciona Schlesinger jr. - era, em parte, inspirado por um sentimento defensivo: a determinação de proteger as liberdades e as oportunidades americanas da fúria do desemprego e do desespero. Grande parte dos Cem Dias foi um frenético esforço para harmonizar o sistema americano. Todavia, dali decorreu uma iniciativa que se erguia como modelo da melhor América, que homens completamente dedicados a ela tinham podido criar. A aprovação do Tennesee Valley Authority Act, ocorrida a 18 de maio de 1933. Talvez nenhuma das leis aprovadas durante os Cem Dias expressasse mais apaixonadamente um dos maiores interesses do presidente. Este interesse dependia só, em parte, do amor que Roosevelt sempre nutrira pela terra, as florestas, as águas. Provinha também da sua procura de um melhor sistema de vida nacional”. (Arthur M. Schlesinger jr., The Vital Center, Boston: Houghton Mifflin Company, 1949.)
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Esperam os Estados Unidos, nos dias que correm, que o seu novo presidente, Barack Obama, possa, inspirado no seu colega Franklin Delano Roosevelt, impedir que os norte-americanos venham passar por privações semelhantes às ocorridas nos anos de 1930, quando poucas eram as esperanças de a economia recuperar-se. Quem sabe ele encontre um John Maynard Keynes para mostrar-lhe uma luz no final do túnel.
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