21 de jul de 2016

REO M. CHRISTONSON – Capitalismo Democrático



PEDRO LUSO DE CARVALHO

O norte-americano Reo Millard Christonson, professor de Ciência Política da Universidade de Oxford, Ohio (Miami University), escreveu, com seus colaboradores Alan S. Engel, Dan N. Jacobs, Mostafa Rejai e Herbert Waltzer, todos dessa instituição, o livro Ideologia & Política Moderna, em 1971 (publicada no Brasil em 1974), obra que não perdeu a sua importância e atualidade. Cada um de seus autores escolheu uma determinada área, de acordo com sua experiência especialização.
Desse livro, escolhemos para este trabalho o Capítulo 7, denominado O Capitalismo Democrático, escrito pelo professor Reo M. Christonson, no qual relata que, com a desintegração do feudalismo a sociedade viu-se na emergência de preparar-se para uma ideologia democrática, para uma sociedade urbanizada e industrializada. Diz o autor: “Contudo, interpretações diferentes das compatibilidades de vários sistemas econômicos com a idéia democrática – e com noções gerais de justiça – levaram a subideologias de grande importância. Duas delas capitalismo democrático e socialismo democrático (...).”
O capitalismo, diz Reo M. Christonson se refere “basicamente a um sistema econômico e não político; o termo estabeleceu-se com uma série de ideias políticas que suplementam e reforçam o sistema”. Esclarece o autor que existem tantas definições de ‘capitalismo’ quantos são os autores que escreveram sobre o assunto. Em razão desse número de definições, Christonson aconselha a ater-se à definição do The New Internacional Dictionary, de Webster: “... é um sistema econômico caracterizado pela propriedade privada, de pessoa física ou jurídica, dos bens de capital, por investimentos determinados por decisão privada e não pelo controle estatal, e por preços, produção e distribuição de bens determinados principalmente pelo mercado livre”.
Após ter mencionado Webster sobre o conceito de capitalismo, Christonson chama a nossa atenção para a palavra inserida, como diz, com muita propriedade pelos lexicógrafos, qual seja, o vocábulo “principalmente”, na última frase, uma vez que todos os sistemas capitalistas têm alguma propriedade pública e algum investimento feito por decisões públicas e não privadas.
No subtítulo do Capítulo 7, O Credo Econômico, Christonson destaca os aspectos centrais do sistema capitalista, na sua forma clássica: “...são o predomínio da propriedade privada; a dinâmica do motivo de lucro; a existência de mercado livre; a presença de competição”. O autor ressalta, mais adiante: “Impelidos e disciplinados pelas leis da oferta e procura, homens reajustam perpetuamente seus esforços econômicos a fim de dar a contribuição que proporcione o máximo de recompensa pessoais e simultaneamente satisfaça as necessidades de outros”.
Para encerrar esse subtítulo, Credo Econômico, o Prof. Christonson traz o ensinamento do célebre economista John Kenneth Galbrait, na época titular da cátedra de Economia da Harvard University: “Existe algo de admiravelmente libertário e democrático nesse processo. Não é difícil compreender por que, entre os devotos, o mercado, não menos que o Cristianismo e o Zen Budismo, desperta tão formidável sentimento espiritual”.
Depois de ter falado sobre o Credo Econômico, Christonson passa a abordar o segundo subtítulo do Capítulo 7, O Credo Político; diz o escritor: “Capitalismo como se observou anteriormente, é um sistema econômico, não político. Contudo, com o desenvolvimento do capitalismo surgiu um corpo sustentador de ideias políticas”. Christonson passa a demonstrar os três conceitos que acompanharam o crescimento do capitalismo:
O primeiro - diz Christonson – de que havia a presunção de que a propriedade privada não devia ser regulada, pois é o meio pelo qual o indivíduo promove o bem-estar econômico tanto seu próprio como de sua sociedade”. Christonson conclui esse primeiro conceito: “Abusos surgirão temporariamente no sistema capitalista, mas como o mercado tem os seus próprios e sutis meios de corrigir os erros, o governo deve conter seus bem-intencionados impulsos (...) Segundo este conceito, o papel do governo reduziu-se às dimensões tradicionais de manter lei e ordem, garantir a santidade do contrato (de particular importância para o capitalismo), proporcionar proteção contra ameaças externas, regular a moeda e arrecadar impostos”.
Quanto ao segundo conceito, Reo M. Christonson expõe: “... a descentralização de poder econômico era considerada como a melhor defesa contra seu abuso”. Completa o autor: “Sob o capitalismo, nenhum indivíduo pode explorar o consumidor ou seus empregados por muito tempo”. Esclarece a seguir, que se não for atendido tal preceito, os empregados podem procurar outro trabalho se, onde trabalham, preços e salários forem injustos. Aduz o autor: “E como o governo não controla os meios de produção, não pode forçar prontamente homens a submeterem-se à injustiça pelo recurso à pressão econômica. Quando nenhuma pessoa ou instituição possui grande poder econômico, ficam muito diminuídas as possibilidades e opressão publica ou privada”.
Por fim, o terceiro conceito, como diz Christonson: “[...] a desigualdade de riqueza era considerada um estado de coisa normal e desejável. É a inspiração por desigualdade e sua realização que permite ao sistema funcionar e lhe dá vitalidade. Riqueza naturalmente gravita em direção àqueles que servem melhor às necessidades da sociedade, e pobreza torna-se o justo destino daqueles que pouco contribuem. As recompensas são assim distribuídas de acordo com uma espécie de sistema natural de justiça”. Christonson conclui dizendo que se acreditava que o sistema de mercado era a maneira mais democrática e organizar uma ordem econômica.

REFERÊNCIA:
CHRISTENSON, Reo M. Ideologias & Política Moderna. São Paulo: Editora Ibrasa, 1974.


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