20 de dez de 2009

TOM ZÉ & A Revista Cult




por Pedro Luso de Carvalho

A revista Cult apresentou no seu nº 125, junho/2008, uma interessante entrevista com o cantor e compositor Tom Zé, na qual o músico falou de seu primeiro álbum gratuito na Internet. Mas, em se tratando desse tropicalista com tantos anos de estrada, não se poderia esperar que se limitasse a falar sobre o seu novo disco - o primeiro a lançar em formato virtual -, o inteligente Tom Zé, que por deleito pratica jardinagem no condomínio em que mora em São Paulo, quando não está envolvido com a música, falou de muitas coisas à revista, com sua peculiar desenvoltura e simpatia.


Vejamos, pois, o que Tom Zé disse a Cult, depois que o entrevistador falou-lhe dos formatos pelos quais ele passou na sua carreira: “Sim, mas a Internet era um lugar inimaginável. Quando era pequeno, uma lâmpada elétrica era um fato de um alumbramento tal que me lembro ainda hoje o dia que vi, na casa do farmacêutico de Irará, Seu Chaves, a lâmpada nua. Uma Lâmpada só era um objeto tão totêmico que não tinha nada para vestir uma lâmpada. Fiquei olhando aqueles raios, a cor, o tipo de luz era completamente diferente, uma luz que não tinha fonte. Enfim tudo da civilização foi um alumbramento e um encanto. Nos anos 1960, o único computador que tinha em São Paulo era do tamanho dessa sala, no Sesi. A pessoa para trabalhar botava um guarda-pó porque o bicho soltava algumas faíscas. Rapaz, são tantas coisas tão diferentes para quem veio da Idade Média como eu”.


Nas três páginas da entrevista da Cult, Tom Zé filosofou à vontade. Falou da falta de ética nos dias de hoje, no prazer que lhe dá fazer música nos dias atuais, de sua participação no novo disco dos Mutantes, com Sérgio Dias, e muito mais, como, por exemplo, na resposta que deu à revista sobre se ainda existem as gravadoras, no sentido clássico: “As grandes gravadoras - responde Tom Zé - não existem mais. As pessoas que trabalham com música ainda estão muito presas ao conceito de gravadora. A indústria acabou. Se um artista não consegue montar uma banda, gravar suas músicas e distribuí-las pela Internet é porque ele não foi feito para isso”.