8 de ago de 2016

MOZART – Parte II




PEDRO LUSO DE CARVALHO


Na postagem de MOZART - Parte I, dissemos que Leopold Mozart aspirava para seus filhos, Wolfgang e Nannerl, uma sólida posição na música europeia, e que, para isso, teria que empreender excursões, contratar professores qualificados e buscar espaços para suas apresentações em grandes plateias; assim, uma vez atingido tal objetivo, teria também, como retorno desse trabalho, o alentado lucro pecuniário, além de prestígio social.
E, para iniciar tal empreendimento, Leopold fez a sua escolha: Munique, capital da Baviera. Aí seus dois filhos fariam, fora de Salzburgo, as primeiras exibições. A recepção pelo Eleitor Maximiliano, para um recital com grande repercussão foi a certeza de que a escolha de Leopold foi acertada.
O pai-empresário sentiu-se encorajado com o êxito. Foi estímulo suficiente para uma viagem mais ambiciosa: Viena, o núcleo de reunião de vários Estados germânicos. Não só a Capital do Império, mas o centro da vida artística internacional. Leopold não poderia esperar outra coisa de seus filhos que não a fama e a fortuna.
Em setembro de 1762, Leopold partiu com Wolfgang e Narnnerl para a metrópole. Na bagagem levaram um cravo para que o filho e a filha pudessem exercitar-se com o rigor imposto pelo pai. A conquista do mundo musical vienense era a meta para Leopold e seus filhos.
Em Linz, ocorreu um contratempo: Wolfgang foi acometido de forte gripe, que o deixou enfraquecido, mas acabou por recuperar-se. Não tardou para que viesse sofrer outras doenças de maior gravidade, que afetaram seu organismo. Cuidados foram tomados na convalescênça do menino, que se distraía compondo e escrevendo várias peças importantes, entre elas o Allegro em Si Bemol, para cravo ou Clavicórdio – I.K. 3 e Minueto em Fá Maior, para cravo ou Clavicórdio – I.K.6.
Leopoldo comprazia-se com o resultado dos recitais dados por Wolfgang e Nannerl. No mês de outubro de 1762, a refinada sociedade vienense era unânime em pródigos elogios a ambos. Tanto foi o sucesso dos recitais que logo a Côrte Imperial os convidou para que alí se apresentassem. O recital no palácio Schoenbrunn resultou em grande prestígio para Wolfgang Mozart. Mas, novamente, teve a saúde abalada. Uma escarlatina levou-o à cama. E, sem novas apresentações, Wolfgang logo foi esquecido por Viena.
A escarlatina foi debelada, embora tenha deixado sequelas, tais como: debilidade física e distúrbios renais crônicos; essa doença viria encurtar a vida do gênio. No mesmo ano de 1762, Mozart, Nannerl e o pai retornaram a Salzburgo. Aí o jovem iria repousar e tratar-se. Nessa pausa, o pai aproveitaria para refazer seus projetos musicais para os filhos.
Em junho de 1763, Leopold retornou com os filhos a Munique, que os recebeu com agrado. Tiveram mais uma recepção na Côrte, na qual o Príncipe Von Zweibrücken acolheu- os e deu-lhes proteção. Assim foi aberto o caminho para que Wolfgang e Nannerl dessem vários recitais na cidade. Depois apresentaram-se em Augsburgo, cidade natal de Leopold, mas aí, nos três recitais que deram, não tiveram o mesmo êxito.
Em agosto de de 1763, a família Mozart chegou em Frankfurt, Alemanha, onde foi bem recebida pelos círculos culturais. Nessa cidade, num dos seus cinco recitais Wolfgang e Nannerl lotaram todos com salões e foram aplaudidos efusivamente. Numa dessas apresentações encontrava-se o jovem Goethe, que mais tarde falaria da honra que teve em conhecer Wolfgang.
O êxito de Wolfgang e Nannerl iria desestabilizar emocionalmente Leopold. Exibicionista e tomado pela vaidade, Leopod almejava agradar o público, e esquecia-se de revelar o valor artístico dos filhos. Na época em que os Mozart haviam alcançado grandes êxitos nas suas excursões, o menino Wolfgang, estava oito anos de idade e Nannerl, com treze anos.
Após um recital para o Príncipe Carlos de Lorena e sua Côrte, Leopold e seus filhos deixaram Bruxelas e viajaram para a França, levando uma carta de recomendação para Melchior Grimm, secretário do Duque de Orléans. Desta forma foram introduzidos no mundo aristocrático parisiense, quando o nome de Mozart já era conhecido pelos reis de França.
Em 1764, Wolfgang e Nannerl, que já haviam visitado o palácio de Versalhes, a convite do rei de França, apresentaram-se durante uma grande recepção à mais alta aristocracia francesa, oferecida pela Côrte, pela passagem do ano. No final do ano de 1764, Wofgang Amadeus Mozart havia composto quatro sonatas para violino e cravo, ou clavicórdio. Em Paris, durante a estada da família, as primeiras obras de Wofgang começaram a ser publicadas.
Depois de terem deixado Paris, dirigiram-se a Londres, onde foram recebidos pelo Rei Jorge III, que ofereceu ao menino partituras de George Wagenseil, Johann Christin Bach, Christian Abel e Haendel, todas muito difíceis para ele, que não os conhecia. Wonfgang executou para o rei todas as peças com perfeição na sua primeira leitura. Depois improvisou no órgão que se encontrava no salão, uma bela variação sobre a ária de Haendel, que acabava de conhecer e de tocar para o monarca. Assim, após inúmeros recitais, a Côrte inglesa rendeu-se ao talento do menino Wolfgang.
Leopold, que se encontrava doente, deixou Londres com os filhos, para repousar em Chelsea, onde Wolfgang conheceu Johann Christin Bach, filho mais novo de Johann Sebastian Bach.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart. (Para acessar a primeira parte deste trabalho, clicar em: MOZART – ParteIII.)


REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
CAMARGO GUARNIERI. Grandes Compositores da Música Universal.Nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.
             
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