8 de jun de 2009

[Poesia] PEDRO LUSO – Ventania





[ESPAÇO DA POESIA]

VENTANIA
– PEDRO LUSO DE CARVALHO


Da Patagônia, esse vento – esse frio
congelante – veio rasgar minhas veias
com garras mortais.

Vejo, através da vidraça, assombrado,
o dia sumir – escuridão repentina,
noite no dia – gélido terror.

No telhado da casa, às escuras, barulho
 horrendo de passos, de um ser estranho,
vindo de estranho mundo.

O fantasmagórico vento não cessa,
com seu uivar de fera faminta.
Preso à janela, curvado de medo,

ouço o zunir do vento – guerreiro
feroz – a derrubar postes e fios,
que no chão agonizam, retorcidos.  



*  *  *