30 de jun de 2009

QUEM FOI LENIN? - SEGUNDA PARTE



por Pedro Luso de Carvalho


Encerrei o texto Quem Foi Lenin? - Primeira Parte, com este parágrafo: Depois de muita reflexão sobre os camponeses de Samara, Vladimir tornou-se um revolucionário; e, uma vez formada sua convicção, tomou a decisão de colocar em prática a sua teoria, e, para tanto, mudou-se em caráter definitivo para São Petersburgo, no fim do verão de 1893. Lenin assimilou dois elementos marxistas: a luta de classes e a necessidade de uma etapa capitalista.

Nesta segunda parte de Quem Lenin?, a abordagem do tema será sobre a sua atuação política e seu casamento com Nadejda Konstantinovna Krupskaia. A respeito da atuação do revolucionário Vladimir Ilitch Ulianov Lenin, diz o registro histórico que, aos 23 anos, já residindo em São Petersburgo, ele estava decido lutar pelo marxismo, e essa sua adesão seria, como de fato foi, irreversível.


Vladimir Ilitch rejeitava as idéias populistas que eram propagadas pelos seus contemporâneos. Para Lenin, acreditar que se podia realizar o socialismo com base nas massas camponesas seria um erro; na Rússia havia profundas distinções sociais, distinções essas que eram provocadas pelo capitalismo, que também atingia a economia rural; e havia ainda a falta de capacidade de agruparem-se, pois a classe dos camponeses não era homogênea. Para ele os camponeses podiam apenas lutar em si - ricos contra pobres -, o que em nada contribuiria para edificar uma nova ordem social.


Na Itália , Maurizio Ferrara publicou no L'Unità, em 19 de abril de 1970: “Lenin marxista e revolucionário nasceu de um indissolúvel entrecho de precoces virtudes intelectuais e de capacidade de análise e ação diante da realidade. Já era um homem 'absolutamente politizado' que, logo após deixar a província e se transferir para São Petersburgo, lança-se à luta sem, no entanto, abandonar, de todo, a profissão de advogado, que sempre lhe dava algum dinheiro. Emerge no mundo ainda restrito mas já férvido do marxismo. Filia-se a um círculo clandestino chamado 'dos Velhos', onde, rapidamente, torna-se um líder e supera os elementos que apenas convidam a preleções (...)”.
 

Para Lenin, não havia dúvida quanto a forma de ação para atingir o objetivo do marxismo, que aspirava: buscaria os pequenos lavradores, as demais pessoas pobres e os trabalhadores assalariados, colocando-os, para a sua revolução, ao lado da classe operária, e passaria a instruí-los como fazia com com os operários das fábricas. Para Lenin não seria necessário esperar a industrialização da Rússia, como ponto de partida para desencadear a revolução; essa sua posição era contrária a que defendia Plekhanov, o mais autorizado marxista russo da época.


Foi numa das reuniões realizadas em São Petersburgo, entre os militantes aos quais se integrara, que Lenin conheceu a mulher com quem logo se casaria, Nadejda Konstantinovna Krupskaia, oriunda da pequena nobreza, embora sem dinheiro; sua mãe (de Nadejda), após concluir seus estudos, foi trabalhar como governanta (serviço que mais tarde seria desempenhado também pela filha Nadejda Krupskaia). Nadejda não se descurava de seu trabalho, e à noite estudava; mais tarde, formou-se numa pequena faculdade para mulheres, em São Petersburgo.


Sobre Nadejda Konstantinovna Krupskaia, disse o crítico norte-americano (e autor de contos e romances), Edmund Wilson, no seu famoso livro Rumo à Estação Finlândia: “No início dos anos 1890, ensinava geografia em escolas dominicais para operários. Uma vez descobriu que uma de suas turmas era um grupo de estudos de Marx. Leu Marx também, e tornou-se marxista. Nas fotos que a mostram quando jovem, com blusas de colarinho alto e mangas largas da época Krupskaia parece um tanto masculina, os cabelos lisos escovados para trás, os olhos apertados com uma expressão de desdém, um nariz voluntarioso e uma boca com lábios carnudos, porém carrancuda”.


Em São Petersburgo foi realizado o casamento de Vladimir Ilitch Ulianov Lenin com Nadejda Konstantinovna Krupskaia, depois de terem se conhecido entre os militantes dessa cidade. Encontraram-se numa reunião em que os militantes projetavam Comitês de Instrução Popular e discutiam sobre literatura, artes e outros assuntos do gênero. Krupskaia conta do seu entusiasmo ao ouvir Lenin discursar, e de ouvi-lo dizer: “Se pensam, realmente conseguir alguma coisa com esse sistema, o melhor é acomodarem-se!” Nadejda Krupskaia passou a ficar perto Vladimir Ilitch, e tornou-se sua mais fiel colaboradora.


Na próxima parte de Quem foi Lenin?” será abordada a atuação do revolucionário Vladimir Ilitch Ulianov na fase embrionária do marxismo, com a importante colaboração de sua mulher Nadejda Konstantinovna Krupskaia; também será abordada a prisão de Lenin e seu manifesto do Dia do Trabalho escrito na prisão, de onde manteve correspondência com o Ocidente. [Clique aqui para ler:
Quem Foi Lenin - Primeira Parte.]




REFERÊNCIAS:
TROTSKY, Leon. Lenin, Sua Juventude. Tradução de Helene Iono. São Paulo: Global Editora, 1981.
PALTRINIERE, Marisa. Lenin. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
WILSON, Edmund. Rumo à Estação Finlândia. São Paulo: Companhia Das Letras, 1987.