[ESPAÇO DA POESIA]
VENTANIA
– PEDRO LUSO DE CARVALHO
Da Patagônia, esse vento – esse frio
congelante – veio rasgar minhas veias
com garras mortais.
Vejo, através da vidraça, assombrado,
o dia sumir – escuridão repentina,
noite no dia – gélido terror.
No telhado da casa, às escuras, barulho
horrendo de passos, de um ser estranho,
vindo de estranho mundo.
O fantasmagórico vento não cessa,
com seu uivar de fera faminta.
Preso à janela, curvado de medo,
ouço o zunir do vento – guerreiro
feroz – a derrubar postes e fios,
que no chão agonizam, retorcidos.
* * *
