
A MULHER E O ALGOZ
(por Pedro Luso de Carvalho)
O quarto às escuras
(noite chuvosa)
- no desalinho da cama
absorta, a mulher olha
através da janela.
Da rua, nesga de luz
clareia livros
sobre o velho baú.
Na calçada, iluminado
entre ramos de árvores
o relógio,
longos ponteiros
duplicados
pelo efeito
das sombras.
Paralisada,
dos pulmões puxa
o ar que falta
e sente o frio
da ameaça mortal.
Aterrorizada, coração
descompassado,
desmaio.
Passam minutos,
horas ou séculos;
resta o desfecho.
Na rua alterna-se
silêncio e ruído
de carros
sobre o asfalto
molhado.
No chão, lívida
busca refúgio,
rosto entre os joelhos
- domínio do medo.
Na porta, forte
batida transpassa-a,
barulho de passos,
escuridão;
mulher encolhida
no assoalho
desesperançada.
De repente a lâmina
zune no breu, escuro
da noite
- dor lancinante
grunhido de ave ferida.
7 comentários:
Desde aquele teu outro poema, que fala da Patagônia,estou procurando uma forma de expressar a emoção que sempre me causam poemas intimistas,principalmente os que chegam carregados da tua sensibilidade.
Finalmente, achei as palavras pra te mandar num site português de literatura:
"Poesia intimista é onde a vida se expressa em "espasmos de alma".
Minha admiração,Pedro
Thereza Pires-12/3/09. `as 23.13
Pedro Luso
Adorei poema! Pareceu-me conter um certo inedetismo, de sabor a leiteratura policial, que aprecio.
Daniel
Pedro, é interessante como teu poema prepara a cena, armando o suspense, até surpreender o leitor com o final. Mas não é o essencial esse final, e sim as imagens fortes que se avolumam, como que criando o impacto por elas mesmas.
Um grande abraço.
Un poema muy interesante, aunque temo no comprenderlo todo. Pero sí, se escucha la musicalidad dramática de los versos, y ese último grito de fiera herida. Saludos cordiales.
É a sindrome do pânico ...
Simplesmente adorei o poema!!
Li e reli!!
Antes de mais, quero manifestar-lhe
o agrado sentido por saber do seu interesse em seguir meu blog.
Apresento-lhe minhas saudações
por este seu blog, que me despertou
grande interesse e que ppassarei
a seguir.
Quanto ao poema "A Mulher e o algoz", adorei!
Um grande abraço
Alvaro Oliveira
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