11/03/2009

A MULHER E O ALGOZ / PEDRO LUSO



             A MULHER E O ALGOZ
                                                        (por Pedro Luso de Carvalho)


          O quarto às escuras
          (noite chuvosa)
          - no desalinho da cama
          absorta, a mulher olha
          através da janela.
          Da rua, nesga de luz
          clareia livros
          sobre o velho baú.


          Na calçada, iluminado
          entre ramos de árvores
          o relógio,
          longos ponteiros
          duplicados
          pelo efeito
          das sombras.
          Paralisada,
          dos pulmões puxa
          o ar que falta
          e sente o frio
          da ameaça mortal.

 

          
          Aterrorizada, coração
          descompassado,
          desmaio.
          Passam minutos,
          horas ou séculos;
          resta o desfecho.
          Na rua alterna-se
          silêncio e ruído
          de carros
          sobre o asfalto
          molhado.


          No chão, lívida
          busca refúgio,
          rosto entre os joelhos
          - domínio do medo.
          Na porta, forte
          batida transpassa-a,
          barulho de passos,
          escuridão;
          mulher encolhida
          no assoalho
          desesperançada.


          De repente a lâmina
          zune no breu, escuro
          da noite
          - dor lancinante
          grunhido de ave ferida.







               

7 comentários:

Anônimo disse...

Desde aquele teu outro poema, que fala da Patagônia,estou procurando uma forma de expressar a emoção que sempre me causam poemas intimistas,principalmente os que chegam carregados da tua sensibilidade.
Finalmente, achei as palavras pra te mandar num site português de literatura:

"Poesia intimista é onde a vida se expressa em "espasmos de alma".

Minha admiração,Pedro

Thereza Pires-12/3/09. `as 23.13

Daniel Costa disse...

Pedro Luso

Adorei poema! Pareceu-me conter um certo inedetismo, de sabor a leiteratura policial, que aprecio.

Daniel

Sônia Brandão disse...

Pedro, é interessante como teu poema prepara a cena, armando o suspense, até surpreender o leitor com o final. Mas não é o essencial esse final, e sim as imagens fortes que se avolumam, como que criando o impacto por elas mesmas.
Um grande abraço.

Isabel Romana disse...

Un poema muy interesante, aunque temo no comprenderlo todo. Pero sí, se escucha la musicalidad dramática de los versos, y ese último grito de fiera herida. Saludos cordiales.

Flavio Ferrari disse...

É a sindrome do pânico ...

ams disse...

Simplesmente adorei o poema!!
Li e reli!!

Alvaro Oliveira disse...

Antes de mais, quero manifestar-lhe
o agrado sentido por saber do seu interesse em seguir meu blog.

Apresento-lhe minhas saudações
por este seu blog, que me despertou
grande interesse e que ppassarei
a seguir.

Quanto ao poema "A Mulher e o algoz", adorei!

Um grande abraço

Alvaro Oliveira