15 de ago de 2008

SOLZHENITSYN MORRE EM MOSCOU




por Pedro Luso de Carvalho


O escritor russo, Alexander Solzhenitsyn, morreu este mês em Moscou de insuficiência cardíaca aguda, aos 89 anos, segundo declaração de seu filho. Semelhante manchete, deve ter sido publicada em jornais de muitas partes do mundo, em razão da importância de sua obra, na qual estão presentes denúncias das atrocidades cometidas pelo regime comunista na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), atrocidades essas que pouco se conhecia fora da então chamada 'Cortina de Ferro'.


Solzhenitsyn conseguiu publicar sua obra nos Estados Unidos, onde se refugiou, em 1994, depois de ter sido expulso de sua terra natal. Tais denúncias constam nos seus livros Arquipélago Gulag, onde faz a denúncia dos sofrimentos pelos quais passam os prisioneiros nos campos de trabalhos forçados da URSS, e dos métodos empregados pela KGB (polícia secreta).


Em O Pavilhão dos Cancerosos, Solzhenitsyn demonstra, com relatos reais, a sua revolta contra o rebaixamento da condição humana. A fama mundial o escritor alcançou com Um dia na vida de Ivan Denissovitch, que foi publicado na Rússia graças ao apoio do primeiro-ministro soviético Nikita Kruchev, em 1962, na revista Novy Mir. Esperto, Kruchev usou o escritor como propaganda anti-estalinista, e também para mostrar um relaxamento na censura literária soviética. Solzhenitsyn não desconhecia os propósitos de Kruchev, mas não se importava com eles, já que tinha como missão, testemunha insuspeito que foi, denunciar todas as mazelas das quais tomara conhecimento.


Solzhenitsyn conseguiu o seu intento graças a sua coragem, pertinácia e talento literário. Talento esse que pode ser aferido com a leitura dos livros referidos acima, como em Primeiro Círculo, e tantos outros. No seu espírito esteve sempre presente que não poderia entregar-se às acomodações e ao esmagamento da personalidade, como ocorria na sua Pátria, no século XX, e em muitos paises da Europa, que sucumbiam nas mãos de ditadores. Solzhenitsyn, ganhador do Premio Nobel de Literatura em 1970, somente pode retornar à Rússia em 1994. Teve, sem dúvida, uma vida honrada.