3 de mar de 2010

ÉMILE ZOLA - PARTE I



por pedro Luso de Carvalho


Émile Zona tinha 7 anos quando seu pai, o engenheiro italiano François Zola, faleceu em Marselha, França, março de 1847. O menimo Émile assiste ao funeral de seu pai junto de sua mãe Émilie, que, segurando-lhe a mão, soluçava ao despedir-se do marido, na solenidade que lhe prestavam os cidadãos de Aix. Acompanham o cortejo fúnebre, que atravessa a cidade, segurando os cordões do pano mortuário o vice-prefeito, o prefeito, o engenheiro do distrito e um advogado do Conselho do rei e do Supremo Tribunal.


A viúva Emilie Zola recebe condolências das pessoas que vão até sua casa visitá-la e ao menino Émile. Além do sofrimento pela perda do marido, à sua profunda tristeza somam-se as preocupações para manter-se a si e ao filho, devido a péssima situação financeira que se encontra. Os credores do marido não a deixam em paz. Essa situação, pela qual passa a viúva, é agravada pela posição tomada Jules Migeon, que quer ver dissolvida a Sociedade do Canal, para resgatar o que havia perdido na sociedade com François Zola, sociedade essa que foi criada com este para a construção de um canal de irrigação para abastecer de água a cidade de Aix.


Não resta alternativa à vúva: em toda a parte ela distribui ações do canal como garantia da dívida. A familia deixa então o beco Sylvacanne, sem dinheiro algum, trocando o imóvel em que morava, cujo aluguel era muito alto, por um alojamento pequeno e mais barato, num bairro da periferia, onde moram pedreiros italinos e ciganos desonestos. Depois, decide-se por increver o menino Émile como aluno no pensionato-escola Notre-Dame.


Situado às margens do sinuoso rio Torse, encontra-se o pensionato-escola Notre-Dame. Aí o menino Émile encontra muita coisa que irá seduzí-lo. Émile, que mal sabe ler, hesita escrever as letras sobre um papel, e o diretor obriga-o a decifrar, depois da aula, as fábulas de La Fontaine. Dentre algumas dezenas de alunos espertos, o menino escolhe dois deles para serem seus amigos; com eles brinca de bola de gude, de pião, de atiradeira. Émile sente que está decidido pela educação.


Contava com doze anos quando sua mãe o tranfere do educandário Notre-Dame para o austero colégio Bourbon, em Aix, onde poderia receber visitas de sua mãe e de sua avó todos os dias, já que permanecia em regime de internato. Aí não se sentia à vontade, como ocorria com os meninos pobres e barulhentos do educandário Notre-Dame. Contra ele pesava o preconceito dos demais alunos do colégio Bourbon, por ser bolsista, que significa ser indigente.


Sente-se desconfortável no meio de crianças que fazem parte de uma sociedade rica; para eles, filhos de burgueses provençais, Émile é o Franciú, o estranho, o intruso. Por isso o menino passa a ser perseguido por eles, com seus sarcasmos. Dentre esses meninos ricos, por sorte de Émile, um deles passa a dar-lhe proteção; trata-se um menino moreno, grandalhão, de nariz quebrado, e um ano mais velho que ele, que se chama Paul Cézanne.


Émile não se demora em tranquilizar-se e a enfrentá-los. E logo embrenha-se nos estudos, tomado de um sentimento de raiva, e ganha o concurso de melhor aluno do colégio, em 10 de agosto de 1853, além de outros prêmios: concurso de recitação clássica e de gramática francesa. Emilé sente que após essa consagração não mais perderá sua reputação. Então passa a gostar de sua nova escola. Além de Paul Cézanne, filho de um banqueiro, que sonha tornar-se pintor, faz outros dois bons amigos: Baptistin Baille e Louis Marguery.


Nos momentos de folga, os quatro amigos saem a passear. Apreciam as festas religiosas, que lhes possibilita ver as jovens que passam na procissão. Émile não consegue tirá-las da mente. Já com quinze anos, procura livrar-se dessa obsessão pelas mulheres. Então busca na leitura uma saída para esses sentimentos que o perturbam. E nisso é seguido pelos seus três amigos, que se dispõem a trocar livros e discutir sobre os assuntos das leituras. E assim exercitam-se na crítica. Émile dedica-se com mais profundidade na atividade literária. Lê Hugo, Musset, Lamartine, entre outros. Vai muitas vezes, com seus amigos, ao teatro de Aix. Também se interessam pela música; o regente do colégio cria uma fanfarra na qual participam; Marguery aprende pistom, Cézanne corneta e Émile clarineta.


As inexitosas buscas amorosas do jovem Émile, fazem-no a abandonar as aspirações românticas e interessar-se pela sátira. Então, escreve Enfoncé le pion, uma comédia em versos em três atos. Depois redige Les Grissettes de Provence, uma novela, na qual conta as libertinagens da juventude em Aix, experiências vividas e inventadas. Essa obra encontra-se perdida. Esses, pois, os primeiros passos singelos daquele que se tornaria um dos mais importantes escritores franceses de todos os tempos, como veremos na próximas postagens.



REFERÊNCIA:
TROYAT, Henri. Zola. Tradução de Maria das Graças L. M. Do Amaral. São Paulo: Ed. Página Aberta, 1994.