2 de set de 2007

AS GUERRAS E SUAS VÍTIMAS





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por Pedro Luso de Carvalho
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Não tenho a menor dúvida de que o homem é a mais perigosa das feras, talvez a única que escraviza, tortura e mata por motivos que não estão ligados à sua sobrevivência e defesa, como ocorre, por exemplo, com o leopardo, o leão etc. A História nos dá essa dimensão da fera que é o homem pelos seus registros, feitos no decorrer dos séculos; para este texto, escolhemos o Século XX; começaremos pela Alemanha liderada pelo psicopata Adolf Hitler, que deu início ao inominável morticínio de 150 milhões de pessoas de quase todas as partes do mundo, com ênfase na ferocidade com que tratou o povo judeu, impondo-lhe torturas cruéis, físicas e morais, chegando ao extremo da ferocidade quando decretou a morte de seis milhões de mulheres e homens indefesos, de todas as idades, em parte de nacionalidade alemã; e polonesa, também em número expressivo, além de italianos, franceses, e de outros países europeus.


Além desses crimes, outros foram cometidos no período desse conflito mundial, de 1939 a 1945, tendo como seus responsáveis: Mussolini, na Itália; Franco, na Espanha; Truman, nos Estados Unidos da América do Norte. Sobre os ombros desses líderes pesaram a responsabilidade pela morte de milhões de pessoas; a História aí está para apontar todo esse sofrimento com tortura e morte; quem sobreviveu a esses martírios, ficou com feridas no corpo e na alma que jamais cicatrizaram; sofreram pelas torturas a que foram submetidos, e pela perda de parentes, soldados mortos nas trincheiras, civis mortos nas suas casas pela potência dos canhões, mulheres e homens judeus de todas as idades, que foram mortos nos campos de concentração pela ação de gás a que foram obrigados a exalar (depois os corpos eram amontoados em valas comuns, para serem levados aos fornos de extermínio).

A participação de Hitler nesse extermínio não deixou qualquer dúvida de que se tratava de pessoa dotada de incomum ferocidade, enquanto que tal dimensão de crueldade não foi recebida nesses termos quando, por ordem de Truman, presidente dos Estados Unidos da América do Norte, ordenou o lançamento de duas bombas atômicas contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, cujos efeitos foram devastadores; esses atos de barbárie resultaram na destruição física de mais de 60% dessas cidades e na morte de milhares de seus habitantes, restando aos sobreviventes, o peso de ter de suportar as dores físicas causadas pelos efeitos da reação nuclear, além das deformidades físicas dela decorrentes, das quais nunca se livraram. Esses atos de extrema desumanidade ocorreram quando a guerra no Pacífico estava praticamente acabada, com a concordância do governo japonês em aceitar o ultimato de rendição incondicional, em 26 de julho de 1945, obviamente, do conhecimento de Truman, que, aliás, já havia anunciado que, se não se desse a rendição, ordenaria o lançamento de uma terceira bomba atômica.


Nesse rápido relato da ferocidade do homem, não poderia deixar de fazer alusão aos crimes hediondos praticados na antiga União Soviética por Stalin; ali milhões de pessoas foram mortas por ordem sua, com o único propósito de manter-se no poder; quando terminou o seu governo, em 1953, pouco se sabia sobre o morticínio pelo qual Stalin foi o responsável; o certo é que as notícias das atrocidades por ele cometidas, de uma forma ou outra eram passadas pelo bloqueio da “Cortina de Ferro” em direção ao ocidente; e, mais tarde, com a Perestroika imposta por Mikhail Gorbachev, em 1985, maior número de fatos sobre a ditadura de Stalin foram sendo conhecidos; finalmente, com a queda do “Muro de Berlim” em 1987, ficamos conhecendo muito mais da crueldade desse temível ditador.

Além desses conflitos bélicos, outros foram registrados pela História no século XX em quase todo o planeta, como a guerra do Vietnã, as ocorridas em países africanos, no Oriente Médio, e, agora, no Iraque, conflito que certamente resultará na derrota do presidente Busch, numa espécie de reprise do que se passou no Vietnã. Quanto aos crimes cometidos pelo ditador Mão Tse Tung, na China, que foram de grande monta, deles falaremos depois da leitura do livro recém lançado na Europa, ainda não publicado no Brasil, de dois historiadores que demonstraram que as torturas e mortes impostas ao povo chinês por Mao foram numericamente muito superiores às causadas por Hitler, na Segunda Guerra Mundial. Quem sabe, incluiremos nesse texto sobre Mao, em outra ocasião, um pouco da ferocidade dos ditadores dos países da América do Sul, como o Brasil, a Argentina e o Chile, as mais cruéis de todas as ocorridas no continente, entre outras.