29 de ago de 2016

MOZART - Parte V


            – PEDRO LUSO DE CARVALHO

Wolfgang Mozart partiu novamente em excursão pela Europa, visando a apresentação de novos recitais. Dessa vez, quem o acompanhou foi sua mãe. Leopold e Nannerl decidiram permancer em Salzburgo, pois temiam perder seus cargos de músicos da Corte.
Nessa viagem, o músico e sua mãe visitaram Munique, Augsburgo, Paris, Estrasburgo e Mannhein. Além de seus recitais, Wolfgang tinha a esperança de encontrar um emprego fixo. Os aristocratas, no entanto, não lhe deram o apoio esperado. Consideravam-no um “criado foragido”. Ao gênio restavam as apresentações eventuais em recitais e algumas aulas que ministrava, que lhe rendiam algum recurso pecuniário.
Wolfgang sentia-se aflito com essas dificuldades materiais, mas, mesmo assim, perseverava na composição. Escreveu obras de todos os gêneros. Durante sua estada em Mannhein, em 1777, fez uma experiência com um piano fabricado por Stein. Ficou deslumbrado com as possibilidades de sustentação de som, que os pedais proporcionavam. Escreveu, então, a Sonata para Piano, em Dó Maior – I.K. 309.
Depois dessa composição para o piano, passou a abandonar gradativamente o cravo e o clavicórdio. O piano foi então eleito o seu novo instrumento. Outra mudança deu-se na vida de Mozart, de caráter afetivo: por insistência de seus pais, mesmo estando apaixonado por Aloysia Weber, uma excelente cantora, rompeu o seu relacionamento com a jovem.
A Itália, que estava nos planos de Mozart, para, na condição de empresário de Aloysia Weber torná-la uma “prima donna”, foi substituída por Paris, para onde seguiu em companhia de sua mãe, Anne Marie Pertl Mozart, que faleceu subitamente na capital francesa, a 3 de junho de 1778. Wolfgang, desesperado, escreveu para seu pai e sua irmã, que se encontravam em Salzburgo, comunicando a morte de sua dedicada mãe.
Por contraditório que possa parecer, consolou-se com a fato de, pela primeira vez, encontrar-se livre e independente. Mozart permaneceu por alguns meses em Paris, dando lições e recitais ocasionais. Ai mantinha-se com isso e com alguma renda que lhe era alcançada por seus editores. Como não via a possibilidade de ter o sucesso que almejava, deixou Paris.
De Paris, seguiu para Mannhein, onde esperava encontrar o Eleitor e sua Corte. Como estes, encontravam-se em Munique, Mozart para lá se dirige. Em Munique, encontrou-se com Aloysia Weber, que estava com grande projeção artística. Mozart foi recebido pela jovem com frieza, famosa que estava e rodeada de admiradores. Aloysia Weber então se despede do músico com a indiferênça própria de quem se encontra no auge da fama, somando-se a isso o fato ocorrido antes, quando foi por ele desprezada.
Mozart regressa deprimido e humilhado a Salzburgo. Então socilita emprego ao Arcebispo, que o concedeu saboreando o prazer de assistir à derrota daquele que “desprezara a honra de estar a seu serviço, para correr atrás de loucos sonhos de liberdade”. Na cidade, muita gente compartilhava dessa opinião. Mozart, revoltado, dizia que “preferia tocar diante de cadeiras vazias, do que para os moradores daquela terra de mendigos”.
Apesar de todo o seu mau humor, durante o ano de 1779 Wolfgang escreveu uma obra-prima: a Missa da Coroação – I.K. 317, além de quatro peças litúrgicas, duas sonatas, três sinfonias, duas marchas orquestrais e o Divertimento para Orquestra, em Ré Maior – I. K. 334 (cujo minueto tornou-se famosissimo, em arranjos para violino e piano).
Mas enquanto o Arcebispo Colloredo não lhe dava folga justificadamente, em 1780 um fato inesperado veio livrar Mozart do ambiente mortificante que tinha em Salzburgo: Carlos Teodoro, Eleitor Palatino da Baviera, encomendou-lhe uma ópera para o canaval de Munique; esse fato impressionou o Arcebispo de Salzburgo a tal ponto que lhe permitiu viajar para Munique.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart.


REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
SCHNORRENBER, Roberto. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.



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