
HEMOPTISE
Vi o homem sonolento
no quarto sombrio,
olhos vítreos
pálido rosto
marcado
por rugas precoces,
prenúncio da morte
esperada
- lenitivo da dor.
Tosse prestes a romper
a azulada veia,
desenhada
por mão
de espectral ser
no marmóreo
rosto do homem.
Corpo esquálido,
denúncia da luta inútil
pela inútil vida
do homem;
de súbito a hemoptise
cone de ventre ávido
e impiedoso
- sangue manchando
os sonhos
e afogando a vida.
(por Pedro Luso de Carvalho)
Gosto de seus poemas. Fortes!
ResponderExcluirAprecio também suas excelente resenhas crìticas sobre autores, pensadores etc. Posso sugerir? Dia desses, faça uma resenha sobre o pensamento de Fernando Pessoa e seus heterônimos! Ó, quanta besteira tenho lido sobre ele(s)!
Um poema que gosto, em especial: Tabacaria! Que obra! Inigualável!
abraços, meu caro.
Cesar Cruz
S.Paulo - Capital
Gostei da Hemoptise, Pedro luso. Poema forte e contido, como quero ler e fazer.
ResponderExcluirUm grande abraço.
Pedro, quanta força! E parece que todos andamos afogando a vida....
ResponderExcluirMuito obrigada pela passadagem de um nobre no meu blog. Você é the best! Um grande beijo, CON
Este poema poderia bem adaptar-se aos professores que morreram a dar aulas durante este ano lectivo. Quanta tristeza pela falta de reconhecimento de toda uma vida dedicada à educação das gentes de Portugal!
ResponderExcluirGostei.
ResponderExcluirUm poema bem feito, com imagens fortes.
Um abraço.
Sou fã de teus poemas!
ResponderExcluirParabéns!
A imagem da dor e do sofrimento em imagens fortes e concisas. Tua poesia "Ventania" também apresentava esta força (da natureza) - coloquei-a no meu blog (te dei os devidos créditos)...
Abraços e ótima semana, já no finzinho!
Kátia
tem a cor
ResponderExcluirdo fúnebre
'onde' a vida insiste em pertencer
a um quem
bom texto
Lendo seu admirável poema, a linguagem lembrou-me o grande Augusto dos Anjos, mesmo que em versos livres e não um soneto como ele preferia. O sentimento de angústia diante da inevitável morte "denúncia da luta inútil, pela inútil vida do homem", a morbidez, o sangue que jorra deixando escorrer a vida e com ela os sonhos, são figuras de linguagem e de pensamento que emprestam ao seu poema uma beleza rara.
ResponderExcluirRealmente, tem sido um grande prazer visitar seu espaço. Aproveito-o para agradecer-lhe pela réplica ao meu comentário em um de seus contos, palavras que vindas de alguém com o seu conhecimento, muito me lisonjeram. Obrigada, Pedro. Terei imenso prazer também em receber seus comentários e/ou críticas aos meus modestos textos. Certamente, eles acrescentaram ao meu aprendizado.
Um abraço,
Celêdian
*Permita-me uma correção em meu comentário. Leia-se no último parágrafo:"...muito me lisonjearam..." "...eles acrescentarão...".
ResponderExcluirObrigada!
Celêdian
Calêdian,
ResponderExcluirEste seu comentário sobre o meu poema "Hemoptise" - comentário que é puro estímulo -, só poderia ter sido feito por uma poeta não apenas sensível e talentosa, que você é, mas, acima de tudo, por quem está preocupada em incentivar quem tenta dizer alguma coisa por meio da poesia.
Futuramente, espero fazer mais visitas ao seu blog, e também procurar divulgar os seus poemas.
Abraços,
Pedro.