28 de mai de 2009

DEONÍSIO DA SILVA E A LITERATURA





por Pedro Luso de Carvalho



No artigo anterior, que publiquei no meu outro blog (Quandrantes), o tema abordado, leitura e motivação para tornar-se leitor, foi encerrado com um dos pensamentos de Hermann Hesse: “Ler sem pensar, ler distraidamente, é como passar por entre belas paisagens com os olhos vendados”. E, para que não se perca a oportunidade de incentivo à leitura, este é o momento para se falar da entrevista feita com Deonísio da Silva, pela revista Língua Portuguesa, nº 34, em agosto de 2008.

Para conhecer um pouco o entrevistado: Deonísio da Silva é escritor (sete romances, dez livros de contos, quatro infanto-juvenis e dez ensaios literários), professor (Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro) e jornalista (na revista Caras, escreve sobre etimologia popular, e mantém uma coluna semanal no site Observatório da Imprensa).

Mais algumas linhas sobre o catarinense, natural de Siderópolis, Deonísio da Silva: doutorou-se em Letras pela USP, e na Universidade Estácio de Sá, onde leciona desde 2003, foi vice-reitor de Cultura e coordenador do curso de Letras. Em 1992, recebeu o Prêmio Internacional Casa de las Américas, cujo júri foi presidido por José Saramago, com o livro Avante Soldados: Para Trás, com dez edições vendidas, publicadas no exterior.

Segue alguns trechos da entrevista, o primeiro, a resposta que deu à pergunta da revista Língua Portuguesa, qual seja: “Um escritor precisa mesmo ter preocupação com o uso que faz do idioma ou pensar nisso é o de menos?” Deonísio da Silva responde:

“Acho uma irresponsabilidade o escritor desconhecer sua ferramenta de trabalho. Desde a alfabetização, o que sempre me fascinou não foi a botânica, mas a jardinagem das palavras. Estudo por gosto, por prazer, pela alegria do convívio intelectual com meus pares, infelizmente cada vez mais raros. Em todos os níveis escolares, tive bons professores, mas sempre aprendi melhor sozinho, na relação bunda-cadeira-hora. Nas estantes estão aqueles amigos que jamais te traem, não te vendem por 30 dinheiros”.

À pergunta, “Há má vontade da mídia com a literatura brasileira?”, Deonísio da Silva responde: “Acredito que há incompetência. As evidências mostram que no Brasil há muitos incompetentes em postos importantes, vítimas e cúmplices do que lhes acontece. Na mídia, eles se acotovelam e enterram jornais e revistas, patinando nas mesmas tiragens, enquanto nós fazemos a nossa parte, isto é, produzindo novos livros e leitores. Somos o maior mercado editorial da América do Sul. Foram os livros que nos tornaram leitores e depois assinantes de revistas, não o contrário. Quando o jornal e a revista são bons, os leitores podem até migrar para a internet, para a edição eletrônica, mas sempre vão procurar o que precisam. E a imprensa precisa dar o que o leitor precisa; ou não precisa, mas quer”.