5 de nov de 2011

GUIMARÃES ROSA – Parte I

João Guimarães Rosa

              
                  por Pedro Luso de Carvalho

       
       JOÃO GIMARÃES ROSA era filho de Florduardo Pinto Rosa, comerciante, e de D. Francisca (Chiquinha) Guimarães Rosa. Nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, a 27 de junho de 1908, e morreu no Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1967. No ano de seu nascimento, 1908, morreu Machado de Assis, o nome mais importante da literatura brasileira. O menino João viveu em Candisburgo até a idade de 10 anos, de onde se mudou para Belo Horizonte, para morar com seu avô Luís Guimarães, no Bairro Santo Antonio. Na capital, concluiu o curso primário no Grupo Escolar Afonso Pena, e o secundário no Colégio Santo Antonio, em São João del Rei. 

        Sobre sua infância, confessou Guimarães Rosa certa vez, numa entrevista: "Não gosto de falar da infância. É um tempo de coisas boas, mas sempre com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres. Recordando o tempo de criança, vejo por lá um excesso de adultos, todos eles, mesmo os mais queridos, ao modo de soldados e policiais do invasor, em pátria ocupada. Fui rancoroso e revolucionário permanente, então. Já era míope e nem mesmo eu, ninguém sabia disso. Gostava de estudar sozinho e de brincar de geografia. Mas, tempo bom de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar histórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas".

Menino João
        A infância do escritor é transportada para sua ficção, como bem observa Renard Perez: “'Sagarana e Corpo de Baile estão cheios dessas recordações. "O Burrinho Pedrês", por exemplo, é personagem de infância. "Campo Geral", a esplêndida novela de abertura de Corpo de Baile, também nos traz muito do ambiente de meninice do escritor. O episódio final, da miopia revelada, e o esplendor de um mundo surgido de repente através dos óculos, se entrosa, perfeitamente, com as confissões do escritor na entrevista em questão”.

        Guimarães Rosa passou dessa etapa de sua vida escolar para a Universidade, ingressando na Faculdade de Medicina de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Formado, trabalhou na Santa Casa de Belo Horizonte, onde conheceu e se tornou amigo de Juscelino Kubitschek, também médico e futuro presidente do Brasil, que, nessa condição, fundaria a cidade de Brasília para tornar-se o Distrito Federal.  

        No ano de 1929 iniciou a sua carreira de escritor. Escreveu alguns contos para serem publicados pela revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro. Cada um de seus contos rendia-lhe 100 mil-réis. Como ocorre com a maioria dos escritores, seus primeiros trabalhos não chegaram a chamar a atenção dos críticos. Mais tarde, na década de 30, participou de alguns concursos.  

        Guimarães Rosa casou-se em 1930, aos 22 anos, com a jovem Lígia Cabral Penna (Lili), que na época contava com apenas 16 anos. Doze anos foi o tempo que durou o casamento, desfeito em 1942, antes de sua formatura, na qual representou os formandos como orador. O casal teve duas filhas: Vilma e Agnes. 
Guimarães Rosa 

        O jovem médico começou a trabalhar em Itaguara, cidade pequena e carente do interior de Minas Gerais. Com as frequentes andanças pelo sertão, a desigualdade social com a qual se deparou levou-o a inclinar-se pela literatura. Pessoas que conheceu nesse tempo, como o curandeiro Manoel Rodrigues de Carvalho, inspiraram-lhe a criar os seus célebres personagens; dentre eles, compadre Meu Quelemém, de Grande sertão: veredas. Descontente com o seu trabalho, trocou a medicina pela carreira diplomática.

        O escritor que então surgia iria notabilizar-se pela forma de sua escrita, ou, como diz Antonio Houaiss, seria “Notável pelo ineditismo vocabular e fraseologia eminentemente lúdica. A um só tempo neológica e arcaizante, regional e cultista, mas sempre impregnada de forte carga estética. Sua novelística tem sido objeto de numerosos estudos críticos no Brasil e no exterior.”

        Na próxima postagem seguiremos com este trabalho sobre a vida e a obra de João Guimarães Rosa.


NOTA: Para ter acesso a parte seguinte deste trabalho, clicar em Guimarães Rosa - Parte II



REFERÊNCIAS:
VESSONI BITTENCOURT, Patricia. Paulo Cesar Lopes. João Guimarães Rosa. São Paulo: Expressão Popular, 2008, p.
HOUAISS, Antonio. Koogan Larouse. Pequeno Dicionário Enciclopédico. Rio de Janeiro: Larousse do Brasil, 1979, p. 1234.
PEREZ, Renard. Esccritores brasileiros contemporâneos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1960, p. 179-184.


                         
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