1 de mar de 2013

ALBERT EINSTEIN – Carta para Sigmund Freud



                               [PEDRO LUSO DE CARVALHO]


          As cartas, de pessoas ligadas aos mais variados ramos do conhecimento, constituem-se em documentos importantes para a História da Ciência e das Artes, como para a História da Civilização, uma vez que o missivista relata fatos de uma determinada época sobre a existência de acontecimentos, como ocorre com os documentos oficiais (institucionais), que, igualmente, se prestam, como ensina Jolivet, para o estudo dos fatos do passado que influíram na evolução das sociedades humanas.

          Sendo assim, não se faz necessário fazer qualquer comentário sobre a carta que Albert Einstein escreveu a Sigmund Freud, que passou a integrar o livro Vida e Obra de Sigmund Freud, escrito por Ernest Jones, o biógrafo mais importante do criador da Psicanálise:

             Princeton. 21.4.1936
            Verehrter Herr Freud:
        Sinto-me contente de que esta geração tenha a boa sorte de poder valer-se da oportunidade para expressar-lhe o seu o seu respeito e a sua gratidão, na qualidade de um dos seus maiores educadores. Indubitavelmente, o seu trabalho não criou facilidades para as pessoas leigas, marcadas pelo ceticismo, viessem a formular um julgamento independente a respeito. Até a bem pouco tempo podia eu aprender tão-somente o poder especulativo de suas concepções, juntamente com a sua enorme influência sobre a Weltanschauung da era presente, sem achar-me em condições de formar uma opinião conclusiva acerca do grau de verdade que nelas se continha.
      Não há muito tempo, no entanto, tive a oportunidade de ouvir umas poucas coisas, em si mesmas não muito importantes, que, segundo o meu juízo, excluem qualquer outra interpretação que não seja a oferecida pela teoria da repressão. Senti-me satisfeito em ter dado com essas coisas, já que é sempre encantador quando uma grande e bela concepção prova a sua harmonia com as coisas da realidade.
                                                                                                    Seu       
                                                                                                   A. Einstein
P.S.: Por favor, não responda a esta carta. Meu prazer em valer-me da ocasião para escrever-lha já me é suficiente.
        

REFERÊNCIAS:
JOLIVET, Régis. Vocabulário de Filosofia. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1975, p. 110.
JONES, Ernest. Vida e Obra de Sigmund Freud. Tradução de Marco Aurélio de Moura Mattos. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975, p. 743-744.



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