HEMOPTISE
– PEDRO LUSO DE CARVALHO
Vi o homem sonolento
no quarto sombrio.
Olhos vítreos,
pálido rosto
marcado
por rugas precoces –
prenúncio da morte
esperada,
lenitivo da dor.
Tosse prestes a romper
a azulada veia,
desenhada
por mão
de espectral ser
no marmóreo
rosto do homem.
Corpo esquálido,
denúncia da luta inútil
pela inútil vida
do homem.
De súbito, a hemoptise,
cone de ventre ávido
e impiedoso –
sangue manchando
os sonhos
e afogando a vida.
* * *
