11 de mar de 2012

PEDRO LUSO – O Passado é Logo Ali




                                                   O PASSADO É LOGO ALI

                                                                                                 por  Pedro Luso de Carvalho



       De que valeu a luta travada no decorrer do tempo? Refletia o homem soturno. Era só isso que tinha a vida sonhada? Pensava nos muitos sacrifícios que tivera, renúncias impensadas, para esse viver oprimido. Viu apenas que percorreu o caminho errado; seus olhos ficaram opacos na altura em que se bifurcavam as estradas, encruzilhada de enganos.

        Chegou até aqui, mas deixou almas marcadas pela dor; deixou saudade oprimindo peitos plenos de amor.

        Como unir esta solidão aos risos que ficaram no leito da estrada palmilhada? Como seria bom o retorno à inocência, infância perdida.

        Seus olhos então refletiriam o brilho que não soube ver. Poderia voltar a sentir o perfume das macieiras no verde pomar amadurecendo; ouvir a suave melodia das águas do riacho escondendo-se entre os arbustos; ver a lua brilhar na noite por entre as árvores; árvores que durante o dia acolhiam o menino protegendo-o do sol e da chuva; cama para o descanso nas tardes quentes que lhe aquecia o coração; mãe-árvore enfeitando com a sombra de seus ramos o frágil corpo do menino envolto em sonhos; som do vento e das cigarras transportando-o para mundos inimagináveis.

        É salvo pelo passado, que é logo ali.



                                                        * * * * * *