10/11/2008

HOLLYWOOD FILMA OBRA DE JANE AUSTEN

.


.
.
por Pedro Luso de Carvalho



.
Em 1996, o romance da britânica Jane Austen, Pride And Prejudice (Orgulho e Preconceito) foi adaptado para a televisão pela BBC, cujo resultado foi a audiência de 18 milhões de telespectadores, que esperavam ansiosos pelos seus capítulos. Com esse sucesso, a série foi vendida para 18 países. Em 1995, o romance foi adaptado para o cinema, com o título de Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade), numa co-produção EUA/ING. A direção do filme coube a Ang Lee, que teve como intérpretes: Emma Thompson, Kate Winlet Hugh Grant, Alan Rick, Gemma Jones, Greg Wise. Embora tenha recebido o Globo de Ouro, não recebeu o Oscar, em 1996. Sobrou-lhe o Oscar de melhor roteiro, que foi escrito por Emma Thompson.


A partir daí, a Internet uniu os admiradores de Jane Austen de todo o mundo, em contraste com a vida que a escritora levou, solteira, no sul da Inglaterra, sem ter saído de seu país, e com apenas quatro de seus romances publicados. Suas obras passaram a vender tanto que rivalizaram, após a produção da BBC e do filme de Lee, com best-sellers, como os de Catherine Cookson e John Le Carré, vendendo, no Reino Unido, 35 mil exemplares por semana, no final de 1995. Nessa época, a revista ‘Vanity Fair’ chamou Jane Austen de a última mina do cinema (Reader’s Digest, Seleções, jan. 1997).


Por que a história contada por Austen, em Pride And Prejudice (Orgulho e Preconceito), obteve tal sucesso? Por ser uma história surpreendente, singular? Ou por se tratar de uma história comum, que é por todos entendida e sentida? Acho que o sucesso se deve a esta última hipótese. Jane Austen conta, em seus livros, histórias que se restringem à vida simples das pessoas e suas famílias. A escritora disse, certo dia: Três ou quatro famílias vivendo numa aldeia é tudo que preciso como base de trabalho.
.
Para Nigel Nicolson, autor de The World of Jane Austen (O Mundo de Jane Austen), a explicação para tão duradouro fascínio é simples: “Seus romances são histórias de amor que acabam sempre em casamento. Revelam um maravilhoso conhecimento das pequenas manobras que os jovens faziam, e ainda fazem, aproximando-se e distanciando-se. São também muito engraçados”.
.
.
Diz, Andro Linklater, rev. citada, que “Esse conhecimento baseava-se, em parte, na própria experiência de Jane Austin e em sua observação da numerosa e exuberante família em cujo seio foi criada. Nascida em 1775, era a sétima de oito filhos, e até os 25 anos teve como lar a altaneira residência de seu pai, em Stevenson, uma aldeia nas ondulantes colinas de Hampshire. O pastor George Austen, pai de Jane, não era homem de posses, e a falta de meios de transporte adequados limitava o número de visitas a casas de vizinhos e aos bailes em Basingstoke, a cidade mais próxima. Em compensação, a família recebia freqüentemente amigos e conhecidos”.


Linklater diz, ainda, que um dos passatempos preferidos de Jane Austen era a dança, como mais tarde afirmaria em Orgulho e Preconceito: “Gostar de dançar era uma medida infalível para uma pessoa se apaixonar”. E acrescenta que o seu comportamento levou uma das vizinhas dos Austen a considerá-la “a mais bonita, a mais burra e a mais presunçosa das moças casadoras”. Para P. D. James (rev. cit.), fiel admiradora da obra de Jane Austen, esse aspecto de sua personalidade representa o próprio âmago de seu estilo. “Todos os livros têm como base a mesma trama – uma mulher que procura e depois encontra o parceiro ideal” esclarece a escritora. Diz, P.D. James: “São romances quase cor-de-rosa, só que escritos por um gênio”.


O certo, no entanto, é que muitos ficaram descontentes com a popularidade de Austen. Susan McCartan, secretária honorária da Sociedade Britânica Jane Austen, é uma delas. “As recentes adaptações ao cinema realçam o aspecto romanesco, descurando o lado satírico”, afirma Susan McCartan, que admite, no entanto, que o número de sócios aumentou em várias centenas, chegando a 2000, número esse baixo, se comparado com o da Sociedade Norte-Americana Jane Austen, que, em 1997, tinha mais de 5000 fãs, e continuava crescendo.
.

Sofrendo do mal de Addison, uma doença que ataca os rins, Jane Austen faleceu em Winchester, no dia 18 de julho de 1817, com apenas 41 anos. Linklater diz que o fluxo de visitantes, de todas as partes do mundo, junto a seu túmulo, na Catedral de Winchester, confirma a crença de Jane Austen na força do amor que, despertando um sorriso, consegue vencer a triste realidade da vida. Entre esses visitantes, encontrava-se entre eles, em 1997, Emma Thompson, que foi lá “para prestar-lhe homenagem... e para lhes falar dos lucros”, como explicou, gracejando, nas cerimônia dos Oscars, em Los Angeles.

.
.

4 comentários:

gustavopamplona disse...

Prezado colega Pedro Carvalho,

Parabéns pelo site.

Convido-lhe para visitar o meu blog. Faço breves notas entre direito e arte, notadamente, cinema.

Aguardo vossos comentários.

Famme - Fatale disse...

Eu conheci a Obra de Jane Austin, atravez da ultima adaptação feita de "Orgulho e Preconceito" para o cinema, o filme dirigido por Joe Wright em 2005. Li também o livro e desde então me tornei uma fã, pois suas obras são simples e com detalhes singulares.

Fernando Campanella disse...

Assisti à série da BBC baseada em 'Orgulho e Preconceito' pelo canal 'People & Arts. Maravilha. E vi também o filme 'Razão e Sensiblidade' baseado em outra novela de Jane Austen. E ainda vi o filme 'Emma', também baseado em outra novela de Jane Austen.
Li 'Orgulho e Preconceito' e gostei muito. Incrível como uma obra de gênio ultrapassa tempos e modas, e é sempre jovem e válida.
Grande abraço,meu amigo.

Anônimo disse...

P.D. James é uma mulher.