
por Pedro Luso de Carvalho
Nelson Motta conta, no seu livro Noites Tropicais (Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2000, fls. 402/403), passagens sobre o famoso Festival de Montreux, Canadá (desde 1978, o Festival Internacional de Jazz de Montreux conta com a presença da música brasileira), onde Antonio Carlos Jobim e João Gilberto se apresentariam, entre outros músicos de renome internacional, dentre eles, Miles Davis. Vejamos o que Nelson Motta escreveu sobre esse encontro de feras da música nesse festival de Montreux (trecho):
“Quando chego a Montreux, o diretor do festival, Claude Nobis, está eufórico: João Gilberto já chegou. Antonio Carlos Jobim é esperado a qualquer momento: vai dividir com João a Noite brasileira. Miles Davis também já chegou e Ella Fitzgerald, Kid Creole and the Coconuts, Astor Piazzolla e King Sunny Adé chegam nos próximos dias junto com estrelas que fazem as 20 noites do festival.
"João e Tom - prossegue Motta - não se apresentam juntos há 23 anos, desde o histórico show do Au Bom Gourmet junto com Vinícius e Os Cariocas. E Claude está excitado com a possibilidade de que eles façam duas ou três músicas juntos: o festival é gravado inteiro para disco (e lançado pela Warner) e um dueto de tom e João é uma preciosidade. João não diz que sim nem que não e Tom está na Espanha fazendo Shows com sua Banda Nova e seu quinteto vocal feminino”.

Prossegue Nelson Motta com sua narrativa: “No bar do cassino encontro os amigos Nesuhi Ertegun, big bos da Warner e grande fã de João, e Tommy LiPuma, que produziu Amoroso, um dos grandes discos de João. LiPuma também é o produtor de Miles Davis e diz que um dos seus grandes sonhos é juntar os dois, e que Miles adora a idéia. Diz que a música de João e de Tom mudaram o jeito de Miles tocar no início dos anos 60, quando gravou, com arranjos de Gil Evans, o seu histórico Lp Quiet Nigths”.
Sobre Miles Davis devo dizer alguma coisa. Miles Davis foi, dentre os trobetistas, a estrela maior do estilo cool. Não se pode esquecer, no entanto, que teve como mestre nada menos que Charlie Parker e Lester Young, este um expoente do estilo cool. Em razão de sua constante evolução, Miles deixaria esse estilo para emigrar para o jazz rock, nos anos 70; Miles foi um dos inventores desse estilo.

No estilo jazz rock pode-se pensar que Miles deixara de lado a livre sonoridade, uma das principais qualidades do jazz negro; mas não. Em Miles essa livre sonoridade aparecia como neutra; foi descrita como a de um homem que pisa em ovos: fina, leve, curiosamente velada. “Miles Davis deu novo sentido ao vibrato – diz André Francis -, dotando-o de uma estrutura rítmica extremamente nova em notas escolhidas (ponto em que deve algo a Charlie Parcker e Leste Young) engendrando assim um swing intenso”. (Jazz, Martins Fontes, São Paulo, 1987).
Hoje, apenas podemos ficar imaginando nos palcos do Brasil, em Montreaux ou em qualquer parte do mundo, esses três gênios do jazz/bossa nova: Miles Davis, Tom Jobim e João Gilberto. Infelizmente, Miles e Tom já nos deixaram, há algum tempo. Felizmente, ainda podemos ouvir João Gilberto cantar, acompanhando-se ao violão, em cujas audições haveremos sempre de homenageá-lo com o nosso silêncio, em atenção a essa exigência do mestre, que, convenhamos, merece.
Nelson Motta conta, no seu livro Noites Tropicais (Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2000, fls. 402/403), passagens sobre o famoso Festival de Montreux, Canadá (desde 1978, o Festival Internacional de Jazz de Montreux conta com a presença da música brasileira), onde Antonio Carlos Jobim e João Gilberto se apresentariam, entre outros músicos de renome internacional, dentre eles, Miles Davis. Vejamos o que Nelson Motta escreveu sobre esse encontro de feras da música nesse festival de Montreux (trecho):
“Quando chego a Montreux, o diretor do festival, Claude Nobis, está eufórico: João Gilberto já chegou. Antonio Carlos Jobim é esperado a qualquer momento: vai dividir com João a Noite brasileira. Miles Davis também já chegou e Ella Fitzgerald, Kid Creole and the Coconuts, Astor Piazzolla e King Sunny Adé chegam nos próximos dias junto com estrelas que fazem as 20 noites do festival.
"João e Tom - prossegue Motta - não se apresentam juntos há 23 anos, desde o histórico show do Au Bom Gourmet junto com Vinícius e Os Cariocas. E Claude está excitado com a possibilidade de que eles façam duas ou três músicas juntos: o festival é gravado inteiro para disco (e lançado pela Warner) e um dueto de tom e João é uma preciosidade. João não diz que sim nem que não e Tom está na Espanha fazendo Shows com sua Banda Nova e seu quinteto vocal feminino”.

Prossegue Nelson Motta com sua narrativa: “No bar do cassino encontro os amigos Nesuhi Ertegun, big bos da Warner e grande fã de João, e Tommy LiPuma, que produziu Amoroso, um dos grandes discos de João. LiPuma também é o produtor de Miles Davis e diz que um dos seus grandes sonhos é juntar os dois, e que Miles adora a idéia. Diz que a música de João e de Tom mudaram o jeito de Miles tocar no início dos anos 60, quando gravou, com arranjos de Gil Evans, o seu histórico Lp Quiet Nigths”.
Sobre Miles Davis devo dizer alguma coisa. Miles Davis foi, dentre os trobetistas, a estrela maior do estilo cool. Não se pode esquecer, no entanto, que teve como mestre nada menos que Charlie Parker e Lester Young, este um expoente do estilo cool. Em razão de sua constante evolução, Miles deixaria esse estilo para emigrar para o jazz rock, nos anos 70; Miles foi um dos inventores desse estilo.

No estilo jazz rock pode-se pensar que Miles deixara de lado a livre sonoridade, uma das principais qualidades do jazz negro; mas não. Em Miles essa livre sonoridade aparecia como neutra; foi descrita como a de um homem que pisa em ovos: fina, leve, curiosamente velada. “Miles Davis deu novo sentido ao vibrato – diz André Francis -, dotando-o de uma estrutura rítmica extremamente nova em notas escolhidas (ponto em que deve algo a Charlie Parcker e Leste Young) engendrando assim um swing intenso”. (Jazz, Martins Fontes, São Paulo, 1987).
Hoje, apenas podemos ficar imaginando nos palcos do Brasil, em Montreaux ou em qualquer parte do mundo, esses três gênios do jazz/bossa nova: Miles Davis, Tom Jobim e João Gilberto. Infelizmente, Miles e Tom já nos deixaram, há algum tempo. Felizmente, ainda podemos ouvir João Gilberto cantar, acompanhando-se ao violão, em cujas audições haveremos sempre de homenageá-lo com o nosso silêncio, em atenção a essa exigência do mestre, que, convenhamos, merece.
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10 comentários:
Estilo Qualidade!!!
Bjs!
boa noite!!
fiquei encantada com o blog
fã total.
lindissimo post.
perfeita qualidade.
um abraço com carinho da rita.
bjos.
Saudações caro Pedro!
Teremos que morrer para presenciar esse encontro de Titãs em algum concerto do além... que pena!
Sabe, tam tanta riqueza nesse universo artistico, no entanto, quando saio por ai, ou ligo a televisao, quase tudo que encontro são pessoas mesquinhas que ofendem grandes mestres, como o trio desse post, com harmonias mediocres e melodias tediosas. Tento, não ficar puto com isso, tenta respeitar as diferenças, mas quer saber, as vezes acho que nesse caso eu nao deveria!
Abraço Camarada!
AH! Meu amigo, este teu post me fez viajar.
Sou da época das grandes bandas nos salões e das boas, mas muito boas canções... do tempo que existia qualidade musical e o funk, nem as "cachorras", dominava a sociedade.
Grandes histórias e grandes nomes...
Obrigada por partilhar
Oi Pedro,
Que demora a minha em responder, não?!
Mil desculpas... não tenho entrado no blog.
Ativei a moderação de comentários depois que percebi que me deixaram uma mensagem em um texto mais antigo e eu não vi. Essa a razão de seu comentário não aparecer.
Chesterton. Obrigada pela dica. Também gosto de narrativas policiais. Vou adorar uma mistura dos gêneros, com certeza.
haha... Obrigada também pelo comentário. Linguagem estranha?! É porque você não viu minhas conversas de msn...
Infelizmente não acompanhei Miles Davis, Tom Jobim e João Gilberto. Não tenho recordações da Bossa Nova. Descubro o Jazz depois de velha e fico imaginando como seria os tempos da boa música.
Mas não posso reclamar! Temos pérolas como 'piriguete' e 'cross fox amarelo'!
Aparecem músicas, assim como todas produções culturais, boas e ruins em qualquer tempo. Pena que as boas estejam escassas...
Abraaço
Deva
Os Grandes nunca poderão ser esquecidos...sem eles, a história da música é uma página em branco.
Vi na televisao portuguesa um programa com o João Giberto e adorei, não podia ser de outra forma!
Beijão
Graça
Passando também por aqui, Pedro, e com muito prazer, pela qualidade dos textos, pelos assuntos literários e culturais abordados. Já dei uma olhada no índice dos mesmos e vi muitos autores interessantes analisados e comentados por você.
Obrigado pelo interesse e carinho com a literatura, e pela presença gentil em minhas páginas.
Grande abraço.
Olá, Pedro!
Venho agradecer sua visita e comentário no Fundo de Mim II e me deparo com um blogue de qualidade ímpar. Passei momentos muito agradáveis por aqui entre escritores, poetas, músicos, que muito aprecio.
Li também dois excelentes poemas de sua lavra, o que, sem dúvida, me deixou feliz. Para mim, é sempre um grande prazer encontrar bons poetas na rede.
Quanto ao post enfocando trechos do "Noites Tropicais", do Nelsinho, livro que à época em que foi lançado eu devorei, fez-me muito bem. Outra vez, voltei no tempo...
E para não alongar-me tanto: em razão das palavras dedicadas ao João, tomo a liberdade de deixar aqui um fragmento de um meu poema sobre a bossa-nova.
Ai que bom, que delícia,
essa voz que não faz marola.
Essa música em tom de conversa.
Essa letra avessa à mesmice.
Bjs, Pedro, novamente obrigada. E inté!
Vim visitar seu blog, passo tardes lendo sobre pessoas tão especiais.
Tenha uma ótima semana pessoa especial!
Hana
O primeiro CD do Miles Davis, comprei quase por acidente. Tinha acabado de comprar meu primeiro CD Player (Na zona Franca de Manaus) Estava no 4 andar do meu Hotem e um vendedor lá na rua mostrou uma mão cheia de CDs. Desci, e comprei alguns apenas para "testar" meu novo briquedo. Eu que não conhecia ainda o artista. fiquei num dilema não sabia se curtia o aparelho novo ou a propria musica... Detalhe ele morreria algum tempo depois disso...
Vejam a capa do CD:
http://4.bp.blogspot.com/_QE0uf5EGnYs/SNfutPEi7LI/AAAAAAAAAJ0/yygvWOTqecc/s400/MilesDavis-Doo-Bop199211285_f.jpg
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