12 de ago. de 2014

ÁLVARES DE AZEVEDO – Se Eu Morresse Amanhã!



– PEDRO LUSO DE CARVALHO
  
ÁLVARES DE AZEVEDO, cujo nome completo era Manoel Antônio Álvares de Azevedo, nasceu em São Paulo a 12 de setembro de 1831. Seus pais, Inácio Manoel Álvares de Azevedo e D. Luísa Silveira da Nota Azevedo, mudaram-se para o Rio de Janeiro, em 1833.
Nos anos de 1848-1851, Álvares de Azevedo cursa a Faculdade de Direito de São Paulo. Convive com Bernardo Guimarães, Aureliano Lessa, José de Alencar. Em 1849, funda a Associação do Ensaio Filosófico. Estuda, lê muito e escreve toda sua obra.
Em fins de 1851 e início de 1852, passa em Itaboraí, onde espera recuperar a saúde. O poeta, no entanto, é assaltado pelo pressentimento da morte. Então, pensa em mudar-se para Recife e terminar a faculdade, pois sente que morrerá em São Paulo.
No dia 10 de março de 1852, sofre uma queda ao voltar de um passeio a cavalo; sente, depois, disso que os sintomas da tuberculose agravam-se. Seus médicos diagnosticam um tumor na fossa ilíaca, e o operam. Depois da operação melhora, mas em 25 de abril, desse mesmo ano, vem a falecer, com apenas vinte e um anos de idade. Foi sepultado no cemitério Pedro II, na Praia Vermelha, depois seu corpo foi transladado para o Cemitério São João Batista.
Álvaro Lins e Aurélio Buarque de Hollanda dizem que “Álvares de Azevedo foi talvez o mais bem-dotado de todos os poetas brasileiros”. (In Roteiro Literário de Portugal e do Brasil, vol. II. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p. 106).
Segue o poema de Álvares de Azevedo intitulado Se eu morresse amanhã! (In Álvares de Azevedo, Poesia, Antologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1960, p. 91):


SE EU MORRESSE AMANHÃ!
– ÁLVARES DE AZEVEDO


Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

           
*  *  *


8 comentários:

  1. Acabo de encontrar um motivo de pesquisa pois na verdade não conhecia o poeta. Obrigada pela sugestão. O poema aqui apresentado justifica uma busca pela obra do autor.

    Lídia

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    1. Lídia:
      Vale apena conhecer a obra de Álvares de Azevedo, por sua reconhecida importância.
      Obrigado pela visita.
      Abraço.

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  2. Pedro Luso, ninguém está livre de morrer amanhã. Dado que para morrer basta apenas, estar vivo. No entanto é muito bem imagina e retrata uma época, havia bastante mortes, por tuberculose.
    De curiosidade em curiosidade, dado o meu interesse atual pela literatura Lusófona, pesquisarei a obra de Álvares de Azevedo,
    Abraços,

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    1. Isso é verdade, caro Daniel, nesse período, em que viveu Álvares de Azevedo, a tuberculose tirou muitas vidas.
      Acho que valerá a pena a pesquisa sobre esse poeta.
      Um abraço.

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  3. Belo poema, um clássico da literatura. Parabéns por esse blog, Pedro! Um panorama que merece ser visitado por quem aprecia a boa literatura e pra quem deseja aprender sobre ela.
    Uma noite abençoada!!!!

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    1. Obrigado, Sandra.
      É sempre muito bom receber sua visita.
      Volte mais vezes.
      Abraços.

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  4. É sempre bom ler uma das obras de Alvares de Azevedo, que tanto emocionou minha infancia.

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    1. Obrigado, Manuela, pela visita.
      Volte mais vezes.
      Um abraço.

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Obrigado a todos os amigos leitores.
Pedro