18 de mar. de 2025

MOZART - Parte IV



- Pedro Luso de Carvalho

No texto sobre a vida e a obra de Mozart dissemos, no final da na terceira postagem, que na rápida estada de Wolfgang e de seu pai, Leopold, em Milão, o jovem músico submeteu-se a um teste para o sinfonismo classicista, que na época florescia na Alemanha e na Áustria.
Dissemos, também, que a junta era composta por importantes músicos milaneses, entre os quais Giovanni Battista Sammartini, que foi um dos construtores da sinfonia e o principal responsável pela transposição das formas instrumentais barrocas, herdadas da tradição italiana, representada por Corelli, Torelli e Vivaldi.
Em 1770, nos três meses que passou em Bolonha, Wolfgang aprendeu com o Padre Giambattista Martini os segredos do contraponto. Foi admitido no círculo de músicos famosos e tornou-se membro da Academia Filarmônica Bolonhesa, rompendo, como esse seu ato, o regulamento da Academia, que para isso exigia a idade mínima de 21 anos.
A prova que fez ante a junta, para conquistar esse título, deveu-se à sua criação de uma fuga a quatro vozes em apenas meia hora, além de contrapontear em quatro partes uma sinfonia de três linhas. A junta examinadora ficou atônita com a proeza do jovem músico de apenas catorze anos. Então, uma aura de mito começou a envolver Wolfgang em virtudes de suas façanhas na Itália.
Em Roma, depois de ter ouvido uma única vez o “Miserere” de Gregorio Allegri, Wolfgang de volta a estalagem em que estava hospedado transcreveu essa peça, que a guardava na memória. Depois dessa transcrição, foi novamente à Capela Sistina para conferir sua partitura com a execução original; aí, fez as correções necessárias e deixou o recinto com as folhas escondidas no chapéu.
Daí em diante o “Miserere”, que até então era monopólio do Papa, foi divulgado e caiu no domínio público. Além de ter destruído o tabu que cercava o “Miserere” de Gregorio Allegri, o Papa não só perdoou a audácia de Wolfgang Mozart, como concedeu-lhe a “Cruz do Esporim de Ouro”, pelo surpeendente feito. Em Salzburgo, o Arcebispo Scharattenbach também homenageou Wolfgang promovendo-o a Mestre de Capela.
Já homem feito e assinando suas composições com o nome de Wolfgang Amadeus Mozart, sua obra avolumava-se com concertos, sinfonias, sonatas, óperas, missas e peças sacras mais curtas, minuetos e divertimentos ('divertimenti').
Mozart havia amadurecido em Salzburgo, com decepções e amarguras. O novo Arcebispo Hyeronimus, Conde de Colloredo, humilhava-o a ponto de obrigá-lo a fazer suas refeições com a criadagem, ao lado de cozinheiros e copeiros.
A Imperatriz Maria Teresa, que dizia que “os músicos que se põem a rodar pelo mundo à maneira de pedintes não contribuem para a boa fama da profissão”, impedia seu filho Ferdinando, Duque da Lombardia, de tomar Mozart a seu serviço.
Nessa época, a intenção de Wolfgang era continuar com suas viagens pela Europa, acompanhado de seu pai e de sua irmã; mas, ante a ameaça de demissão, caso insistissem em viajar, Leopold, com 58 anos, temendo perder o seu cargo optou por permanecer em Salzburgo, o mesmo ocorrendo com sua filha Nannerl.
Wolfgang então decidiu viajar com sua mãe. Juntos visitaram Munique, Augsburgo, Paris, Estrasburgo e Mannhein. Além de suas apresentação, tinha a esperança de encontrar um emprego fixo. Os aristocratas, no entanto, não lhe deram o apoio esperado, por considerá-lo um “criado foragido”. Restava ao gênio eventuais apresentações em recitais e algumas aulas que ministrava.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart.
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REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
KEIEGER e DINO. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.




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6 comentários:

  1. Caro Pedro,
    a vida e obra de Mozart são inesgotáveis. Eu li biografias, vi um filme e agora seux textos mostram mais detalhes, facetas inéditas! Pois é, vale a pena vir aqui e ler os seus seletos textos.
    Um grande abraço

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  2. Nesta fase, Mozart começa a ter alguma sorte e o seu valor é já reconhecido. A inveja (sempre ela) faz dele um "criado foragido" que, de certo modo, lhe conferiu a coragem e a vontade que precisava para vencer. Estou encantada, Pedro.
    Beijo
    Graça

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  3. Momentos que realmente as biografias e o filme não retratam.
    Abraço

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    1. Olá, amigo Pedro, muito bom receber sua visita e comentário
      aí de Macau.
      Votos de um excelente final de semana para a família.
      Grande abraço.

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  4. Que bonito e interesante relato sobre esta parte de la vida del genio de la música Mozart, que al parece tuvo unos comienzos que no correspondían con tan buen músico.
    Un placer la lectura Pedro.
    Un abrazo.

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    1. Olá, amiga e poeta Elda, agradeço muito sua visita aqui no Blog Panorama.
      Espero que tudo esteja bem aí na sua bela Espanha.
      Um bom final de semana com saúde e paz.
      Um abraço.

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Obrigado a todos os amigos leitores.
Pedro