21 de fev. de 2010

ENTREVISTA / Simone de Beauvoir


por Pedro Luso de Carvalho

A escritora francesa Simone de Beauvoir, romancista, memorialista e filósofa, tornou-se famosa tanto pela boa qualidade dos livros que publicou como pelo fato de ter sido a companheira de Jean-Paul Sartre. O seu livro filosófico O Segundo Sexo (Deuxième sexe), publicado em 1949, causou escândalo entre os leitores franceses dessa época pela crítica contra a cultura patriarcal do ocidente. Essa obra também foi importante para firmar a reputação de Simone de Beauvoir como importante intelectual. Essa reputação de intelectual é mantida até os dias atuais. A obra O Segundo Sexo bem como outros livros seus são freqüentemente reeditados em muitos países da Europa das Américas do Sul e do Norte.


Simone de Beauvoir conheceu Sartre na Sorbonne, quando se preparava para bacharelar-se em filosofia. Também aí começaria a relação íntima entre os dois, que duraria até a morte do filósofo, em 1980, sem que jamais tivessem casado - Sartre e Simone não aceitava o casamento, a monogamia e filhos. A partir da publicação do primeiro romance, A Convidada (L'Invitée), em 1943, a escritora desligou-se do liceus de Marselha e de Paris, onde ensinava filosofia, para dedicar-se em tempo integral à literatura. Não tardou para publicar o seu segundo romance, O Sangue dos Outros (Le Sang des Autres), sobre a Segunda Guerra Mundial, mais propriamente sobre a ocupação da França pela Alemanha, e a luta da Resistência francesa contra os nazistas.
O terceiro romance veio cinco anos depois. Além das obras de ficção, a escritora publicou uma peça para o teatro e inúmeros ensaios filosóficos, no qual se inclui O Segundo Sexo, em 1949. Três anos antes, fundou com Sartre a revista mensal Les Temps Modernes, que se tornaria importante veículo para divulgar o existencialismo francês.


As obras de Simone de Beauvoir já traduzidas, e publicadas no Brasil pela Difusão Européia do Livro são: A Convidada, Todos os Homens são Mortais, Memórias de uma Moça bem Comportada, O Segundo Sexo: I. Os Fatos e os Mitos , II. A Experiência Vivida, Na Força da Idade, 2 vols., Os Mandarins, 2 vols., As Belas Imagens, O Sangue dos Outros e Mulher Desiludida. A Editora Nova Fronteira publicou três obras muito importantes da escritora: Uma Morte Muito Suave (narra a morte de sua mãe pelo câncer, depois de ter sido internada numa clínica de Paris para tratar de uma fratura do fêmur), Os Mandarins (um de seus mais importantes romances), A cerimônia do Adeus, 604, págs. (seguido de entrevistas com Sartre), A Velhice, 711 págs. (talvez o ensaio contemporâneo mais importante sobre a vida dos idosos).

Passemos agora a anunciada entrevista (trechos) concedida por Simone de Beauvoir à Madeleine Gobeil, da The Paris Review (In Escritoras e a arte da escrita, edição de George Plimpton, Ed. Gryphus, Rio de Janeiro, 2001). Antes, porém, da entrevista, alguns dados (não a biografia, obviamente) para quem não conhece a escritora: Simone de Beauvoir nasceu em Paris, no dia 9 de janeiro de 1908. Nasceu no bairro Montparnasse, que sempre foi o endereço de importantes escritores e pintores franceses e estrangeiros,como ocorreucom Picasso, entre outros. (Sobre a famosa The Paris Review, contamos parte de sua históriaaqui no Blog Panorama, cujo link está inserido no final deste texto.)


Como o nosso propósito não é escrever a biografia de Simone de Beauvoir, passemos à entrevista, feita em seu apartamento na 'rue' Schoëlcher, em Montparnasse, que ficava bem próximo ao apartamento de Sartre. A entrevistadora Madeleine Gobeil faz referência ao livro de memórias de Simone de Beauvoir, que na época desse encontro esteve preparando a sete anos, e pergunta se a sua vocação e a sua profissão, deveu-se à perda da fé religiosa; a escritora responde:


“É muito difícil para uma pessoa relembrar o seu passado sem trapacear um pouco. Meu desejo de escrever começou muito antes disso. Eu já escrevia histórias aos oito anos, mas muitas crianças fazem a mesma coisa, o que não quer dizer que tenham vocação para escrever. No meu caso, pode ser que a vocação tenha se acentuado porque perdi a fé religiosa; também é verdade que li livros que me comoveram profundamente, como The Mill on the Floss (O moinho à beira do rio), de George Elliot. Quis muito ser como ela, alguém cujos livros seriam lidos e comoveriam os leitores”.


De Beauvoir, como é tratada a escritora pela The Paris Review, é perguntada se foi influenciada pela literatura inglesa, e esta foi sua resposta: “Estudar inglês foi uma das minhas paixões desde a infância. Há um repertório de literatura infantil em inglês muito mais encantador do que em francês. Eu adorava ler Alice in Wonderland (Alice no País das Maravilhas), Peter Pan, George Eliot e até Rosamond Lehmann”.


Ainda nessa linha de literatura infantil, a entrevistadora pergunta sobre Dusty Answer (Poeira); a escritora então fala da paixão que tinha pelo livro, embora fosse quase medíocre; diz também que o livro era muito apreciado pelas meninas de sua geração. Diz mais: “Quanto a mim, eu invejava a vida universitária na Inglaterra, porque vivia em casa e nem sequer tinha um quarto só meu. Na verdade, não possuía nada. E embora aquela vida não fosse livre, dava espaço para a privacidade, por isso me parecia magnífica. A autora (Dusty Answer) conhecia todos os mitos das meninas na adolescência – belos rapazes com ar misterioso, etc. Mais tarde, naturalmente, li as irmãs Brontë e de Virginia Woolf: Orlando, Mrs. Dalloway. Não gosto de The Waves (As Vagas), mas aprecio muito, muito mesmo, seu livro sobre Elizabeth Barrett Browning”.


Madeleine Gobeil (The Paris Review) pergunta a Simone Beauvoir sobre o diário de Virginia Woolf; esta a sua resposta: “Interessa-me menos. É muito literário. É fascinante, mas distante de mim. Ela se preocupa demais imaginando se será publicada e com o que as pessoas dirão a seu respeito. Gostei bastante de A Room of One's Own, no qual ela fala sobre a situação das mulheres. É um ensaio curto, mas acerta em cheio. Explica muito bem porque as mulheres não conseguem escrever. Virginia Woolf é uma das escritoras que mais me interessam. Você já viu uma foto dela? Um rosto extremamente solitário... de certa forma, ela me interessa mais do que Colette. Afinal de contas, Colette se envolve muito com seus pequenos casos amorosos, com assuntos domésticos, com a roupa lavada, os animais de estimação. Viginia Woolf tem uma maior dimensão”.


Nesta altura da entrevista passemos por cima de suas respostas sobre a importância da educação universitária para o escritor, para deter-nos sobre o que De Beauvoir responde a respeito de ter ficado escrevendo dez anos até ter seu livro publicado, aos 36 anos. A entrevistadora pergunta se por isso ela nunca se sentiu desencorajada, e esta foi sua resposta:


“Não, porque no meu tempo era raro publicar quando se era jovem. Naturalmente, há uma ou duas exceções, como Radiguet, que foi um prodígio. O próprio Sartre só publicou com já estava com 35 anos, quando A Nausea e O Muro foram comprados. Quando meu primeiro livro foi rejeitado por uma editora, senti-me um pouco desencorajada, foi muito desagradável. Pensei então que deveria me dar um tempo. Conhecia muitos escritores que demoraram a dar a partida. As pessoas sempre mencionam o caso de Stendhal, que só começou a escrever depois dos 40 anos.”


Respondendo a pergunta se foi influenciada por algum escritor norte-americano, ao escrever os seus primeiros romances, responde: “Quando escrevi A Convidada fui influenciada por Hemingway, pois foi ele quem nos ensinou como usar um certo despojamento no diálogo e a importância das pequenas coisas da vida.”


Para encerar, mais um trecho da entrevista; vejamos o que Simone de Beauvoir responde a Madeleine Gobeil, da The Paris Review, quando esta pergunta-lhe se Beckett sentiu agudamente o logro da condição humana, e se Acha que ele é mais interessante do que os outros “novos romancistas? De Beauvoir responde:


“Certamente. Toda a especulação com o tempo empregado com o “novo romance” pode ser encontrada em Faulkner. Foi ele que nos ensinou como fazê-lo, e na minha opinião ele é quem o faz melhor. Quanto a Beckett, seu modo de enfatizar o lado escuro da vida é muito belo. Contudo, ele está convencido de que a vida é escura, só isso. Eu também estou convencida de que a vida é escura, mas ao mesmo tempo, amo a vida. Essa convicção parece ter estragado tudo para ele. Quando isto é tudo o que você pode dizer, não há 50 maneiras de dizê-lo; e por isso muitas das suas obras são meras repetições do que ele já disse. Endgame repete Waiting for Godot, de um modo mais fraco.”


Além dos escritores mencionados nessa entrevista, Simone de Beauvoir conta no seu livro Na força da Idade (La force de l'âge), publicada no Brasil em 1961 pela Difusão Européia, quais são outros escritores importantes para ela; e ela então os enumera: Whitman, Blake, Yeats, Synge, Sean O'Casey, todos os livro de Virginia Woolf, Henry James (toneladas, diz ela), George Moore, Swinburne, Swinnerton, Rebecca West, Sinclair Lewis, Dreiser, Sherwood Anderson, Doroty Richardson (que em dez volumes não contou absolutamente nada, diz Simone), Alexandre Dumas, as obras de Népomucène Lemercier, as de Baour-Lormian, os romances de Gobineau, todo Restif de La Bretonne, as cartas de Diderot e Sophie Volland e também Hoffmann, Sudermann, Kelermann, Pio Baroja, Panaït Istrati.


Simone de Beauvoir foi contemplada com o famoso Prêmio Goncourt, em 1954. Foi uma importante escritora feminista. Com Sartre, visitou o Brasil no final de 1960. Na visita que Simone e Sartre fizeram a Cuba foram recepcionados por Fidel Castro e por Che Guevara. Simone de Beauvoir morreu em Paris, em 14 de abril de 1986, aos 78 anos.

9 de fev. de 2010

TOM JOBIM / João Gilberto e Miles Davis



por Pedro Luso de Carvalho


Nelson Motta conta, no seu livro Noites Tropicais (Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2000, fls. 402/403), passagens sobre o famoso Festival de Montreux, Canadá (desde 1978, o Festival Internacional de Jazz de Montreux conta com a presença da música brasileira), onde Antonio Carlos Jobim e João Gilberto se apresentariam, entre outros músicos de renome internacional, dentre eles, Miles Davis. Vejamos o que Nelson Motta escreveu sobre esse encontro de feras da música nesse festival de Montreux (trecho):


“Quando chego a Montreux, o diretor do festival, Claude Nobis, está eufórico: João Gilberto já chegou. Antonio Carlos Jobim é esperado a qualquer momento: vai dividir com João a Noite brasileira. Miles Davis também já chegou e Ella Fitzgerald, Kid Creole and the Coconuts, Astor Piazzolla e King Sunny Adé chegam nos próximos dias junto com estrelas que fazem as 20 noites do festival.


"João e Tom - prossegue Motta - não se apresentam juntos há 23 anos, desde o histórico show do Au Bom Gourmet junto com Vinícius e Os Cariocas. E Claude está excitado com a possibilidade de que eles façam duas ou três músicas juntos: o festival é gravado inteiro para disco (e lançado pela Warner) e um dueto de tom e João é uma preciosidade. João não diz que sim nem que não e Tom está na Espanha fazendo Shows com sua Banda Nova e seu quinteto vocal feminino”.


Prossegue Nelson Motta com sua narrativa: “No bar do cassino encontro os amigos Nesuhi Ertegun, big bos da Warner e grande fã de João, e Tommy LiPuma, que produziu Amoroso, um dos grandes discos de João. LiPuma também é o produtor de Miles Davis e diz que um dos seus grandes sonhos é juntar os dois, e que Miles adora a idéia. Diz que a música de João e de Tom mudaram o jeito de Miles tocar no início dos anos 60, quando gravou, com arranjos de Gil Evans, o seu histórico Lp Quiet Nigths”.


Sobre Miles Davis devo dizer alguma coisa. Miles Davis foi, dentre os trobetistas, a estrela maior do estilo cool. Não se pode esquecer, no entanto, que teve como mestre nada menos que Charlie Parker e Lester Young, este um expoente do estilo cool. Em razão de sua constante evolução, Miles deixaria esse estilo para emigrar para o jazz rock, nos anos 70; Miles foi um dos inventores desse estilo.


No estilo jazz rock pode-se pensar que Miles deixara de lado a livre sonoridade, uma das principais qualidades do jazz negro; mas não. Em Miles essa livre sonoridade aparecia como neutra; foi descrita como a de um homem que pisa em ovos: fina, leve, curiosamente velada. “Miles Davis deu novo sentido ao vibrato – diz André Francis -, dotando-o de uma estrutura rítmica extremamente nova em notas escolhidas (ponto em que deve algo a Charlie Parcker e Leste Young) engendrando assim um swing intenso”. (Jazz, Martins Fontes, São Paulo, 1987).


Hoje, apenas podemos ficar imaginando nos palcos do Brasil, em Montreaux ou em qualquer parte do mundo, esses três gênios do jazz/bossa nova: Miles Davis, Tom Jobim e João Gilberto. Infelizmente, Miles e Tom já nos deixaram, há algum tempo. Felizmente, ainda podemos ouvir João Gilberto cantar, acompanhando-se ao violão, em cujas audições haveremos sempre de homenageá-lo com o nosso silêncio, em atenção a essa exigência do mestre, que, convenhamos, merece.
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1 de fev. de 2010

MONTEIRO LOBATO & Lima Barreto



                      
                 por Pedro Luso de Carvalho
             
       Nesta semana, estive mexendo nos meus livros à procura de Contos Pesados, de Monteiro Lobato, escrito em 1940. Para minha surpresa, ao lado de Contos Pesados deparei-me com Críticas e Outras Notas, vol. 18, das Obras Completas de Monteiro Lobato, com publicação da Editora Brasiliense, São Paulo, 1965. Passando os olhos pelo índice, ali estava o comentário sobre Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá; lembrei-me que depois que li a crítica de Lobato, sobre esse livro (em Críticas e Outras Notas), lá pela sugunda metade dos anos 60, quando ainda freqüentava os bancos universitários, foi que passei a interessar-me pela obra de Lima Barreto.

        Então, falemos um pouco do que encontrei em Críticas e Outras Notas: no ano de 1919, Monteiro Lobato edita, em sua editora, a obra de Lima barreto: Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Tal edição resulta em fracasso. Lobato coloca a culpa pelo mau êxito editorial no título do romance, como ele próprio diz a Barreto, em carta que lhe escreve: “Teu livro sai pouco, sabe por que? O título! O título não é psicologicamente comercial. O bom título é metade do negócio. Ao ler o título de teu romance toda gente supõe que é a biografia de... ilustre desconhecido”. (Carta de 23/111919 – Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, em Os cadernos de Cultura, organizado por Edgar Cavalheiro.)

        Sobre esse romance de Lima Barreto, Monteiro Lobato escreve um artigo com o título Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, publicado em São Paulo pela Revista do Brasil', nº 39, em março de 1919, pág. 352, como segue:

        “De Lima Barreto não é exagero dizer que lançou entre nós uma fórmula nova de romance. O romance de crítica social sem doutrinarismo dogmático. Surgiu com as Memórias do Escrivão Isaías Caminha de que pouco falou a imprensa na pessoa de eminentes jornalistas postos em cena com inaudita irreverência. Publicou depois o Triste Fim de Policarpo Quaresma, e está na memória de todos a impressão profunda, algo desnorteadora, desse magnífico estudo de caracteres e costumes, onde se escalpam cruamente umas tantas idéias correntes, transformadas em tabu pela ausência de crítica sincera.”

        “Em seguida – escreve Monteiro Lobato -, tomado ao rodapé da Noite, tivemos Numa e Ninfa, mais fracos que os anteriores, e visivelmente prejudicado pelo apressado da composição. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá vem agora completar uma série suficiente para colocar o autor em plano de alto destaque na plêiade de nosos romancistas. Revela-se neste a mesma qualidade primacial obaservada nos anteriores: forte poder de empolgar o leitor, da primeira à última linha. Ninguém interrompe por fastio, a leitura dos seus livros – esse mortal fastio que nos leva a 'admirar' tantos autores inibindo-nos de os ler. Vida e Morte é um romance pouco romanceado. Nenhuma tragédia dentro; apenas o entaperar-se progressivo dum espírito superior enleado pelo cipó mortífero da burocracia. Gonzaga de Sa vê-se um dia entalado nas engrenagens desse Moloque transformador de homens em bonecos de engoço”.

        “Reage, mentalmente - prossegue Lobato - apenas: é muito fraco para sacudir os músculos e desempegar-se da massa viscosa; a iniciativa lhe morre, a resignação sobrevem. Gonzaga, vencido, deixa-se boiar como um ex-homem à tona da lagoa de águas verdes, sofrendo em silêncio o contato doloroso dos gelatinosos colegas. Vinga-se confabulando com o interlocutor que o acom,panha através do livro inteiro. Sua vingança, vingança calma de velho filósofo, resume em dissertar sobre homens e coisas com ática superioridade. É um Mr. Bergeret carioca, irônico e cético, paradoxal e compeensivo, por cujo civo de análise se coam todos os aspectos da velha cidade. O Rio está inteiro nesse livro, nas paisagens naturais, na paisagem urbana, na população caleidoscópica – salada de raças em que o mestiço esbarra com loiras mulheres gaulesas e inconciente missão civilizatória. Sucedem-se os flagrantes, os instantâneos cinematográficos onde a alma das gentes e das coisas é apanhada ao vivo e escorchada às vezes o mais íntimo dos recessos."
       

        “Nos livros cariocas – conclui Lobato – de Machado de Assis o leitor entrevê desvãos do Rio. Machado, criador de almas, raro curava da paisagem urbana. Em Lima Barreto conjugam-se equilibradamente as duas coisas: o desenho dos tipos ea a pintura do cenário; por isso dá ele, melhor que ninguém, a sensação carioca. É um revoltado em período manso de revolta. Em vez de cólera, ironia; em vez de diatribe, essa nonchalanche filosofante de quem vê a vida sentado num café e amolentado por um dia de calor...”


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