1 de mar de 2016

[Poesia] W. B. YEATS – Os Eruditos



– PEDRO LUSO DE CARVALHO

William Butler Yeates nasceu num subúrbio de Dublim, Sandymount, em 13 de junho de 1865. Presume-se que seus antepassados chegaram à Irlanda junto com o exército de Cromwell. Eram quase todos eles comerciantes em Dublin. Seu avô e bisavô foram sacerdotes  da Igreja da Irlanda.
O pai de Yeats, John Butler Yeats (1839-1922) teve uma formação jurídica. Deixou a advocacia para dedicar-se à pintura, que lhe granjeou grande consideração. A mãe do poeta, Susan Pollexfen, descendia de uma família próspera; seu pai explorava os ramos de moinho e de navio.
Nos seus primeiros, Yeats viveu em Sandymount. O seu pai, que trocou a advocacia pela pintura, mudou-se com a família – a esposa e os filhos William e Susan Mary – para Londres, em 1867, onde passou a frequentar a Art School. Em Londres nasceram mais três irmãos do poeta: Elizabeth Corbet (Lolly), Robert, que faleceu na infância, e John Butler (Jack), que mais tarde se tornaria pintor famoso.
Mais tarde, quando viermos a transcrever outros poemas do poeta W. B. Yeats, seguiremos contando um pouco mais de sua vida e de sua obra poética.
O poema, que escolhemos para esta edição, de W. B. Yeats, intitula-se: Os Eruditos (in Poemas de W. B. Yeats. Tradução [e introdução] de Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo: Art Editora, 1987, p. 87):

OS ERUDITOS
 W. B. YEATS

Cabeças calvas esquecidas dos pecados.
Calvas cabeças velhas, doutas, de respeito,
Editoram, com versos anotados,
Poemas que os jovens, contorcendo-se no leito,
Rimaram, a sofrer do amor a crueza,
Para incensar o ouvido ignaro da beleza.

Todos tossem em tinta; andam devagarinho;
Todos puem o tapete com o sapato;
Todos pensam igual aos outros sobre um fato;
Se alguém conhece alguém, conhece-o o seu vizinho.
Que diriam, Senhor, eles se enfim
Catulo, íntimo seu, vivesse assim?

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