23 de jun. de 2009

MILES DAVIS / Umas linhas Sobre o Mestre



               por Pedro Luso de Carvalho


        O trompetista Miles Davis foi o principal intérprete do estilo cool, estilo este que teve como origem a execução de Lester Young. Miles permaneceu por determinado tempo executando sua música no gênero cool, de onde passaria para o 'jazz rock', no início dos anos 70. Na época em que executou o cool, fez com que muitos saxofonistas brancos seguissem os seus passos.

        André Francis diz que "Miles Davis é uma sonoridade nova onde encontramos, finalmente recomposto, o desempenho do grande trombetista branco dos anos 28-32, Bix Beiderbeche; é uma sonoridade tão diversa da de Amstrong, e, em seguida, de inovadores como Roy Elddridge e Dizzy Gillespie, que no seu estilo tornou-se objeto de renhidas controvérsias. Acreditou-se que fora perdida uma das qualidades do jazz negro, a livre manipulação da sonoridade"

        "Ora - prossegue Francis -, sob a aparência neutra da sonoridade de Miles aprendemos a discernir uma vibrante humanidade, um feeling delicioso de tocante sensibilidade e gosto dos mais originais. Essa sonoridade foi descrita como a de 'um homem que pisa em ovos': fina, leve, curiosamente velada. Para sermos absolutamente justos, assinalemos que, no trato da inspiração, ele por vezes se deixou levar à produção de sons com excesso de metal".

        Miles Davis estudou na conceituada escola Juilliard, de Nova York, graças à iniciativa e apoio de seu pai. Depois, passou a tocar com Benny Carter, Coleman Hawkins e Charlie Parker; este, se tornaria seu verdadeiro mestre. Em 1948, no famoso bar Royal Roost, dirigiu uma orquestra com Allan Eager, Kai Winding e Charlie Parker.
       
        Nesse mesmo local (bar Royal Roost), dirigiu outra orquestra, que marcaria os anos 40 e 50 como um dos períodos mais importantes do jazz, composta de nove músicos, entre eles, Al Haig ou John Lewis, Jay Jay Johnson, Guerry Mulligan, Lee Konitz, Max Roach ou Kenny Clarke. Com esta orquestra, saíram as gravações da dupla Gillespie-Parker, gravada pela Capitol, gravação que consistiu no maior valor para a música, já que o grupo atuou apenas por quinze dias.

        As gravações de Miles Davis foram numerosas, como a série Dial, com Charlie Parker, depois a série Capitol, onde o trompetista contou com excelentes arranjadores, quais sejam: Johnny Carisi, Gerry Mulligan, Gil Evans e John Lewis. A partir daí, diz André Francis (Jazz, ed. Martins Fontes, São Paulo, 1987): “Miles Davis orienta o jazz para uma concepção orquestral nova. Essa formação de importância mediana, ao mesmo tempo que servia de moldura perfeita aos solistas principais, operou uma feliz ligação com a música de câmara erudita: Goldchild, Israël, Boplicity, Moon dreams. Onze peças a serem colocadas na primeira linha das obras-primas do jazz moderno”.

        Miles Dewey Davis Jr nasceu em 26 de maio de 1926, em Alton, Illinois (EUA) e morreu no dia 28 de Setembro de 1991, em Santa Monica, Califórnia.



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3 comentários:

  1. Anônimo16:29

    guilherme rosler disse...

    Miles Davis é mesmo incomparável.

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  2. Pedro, nessa postagem eu não poderia estar ausente pois sei de teu gosto e paixão pelo jazz.

    Escreves, sempre, tendo ao fundo esse som inconfundível e rico. E eu cá, da minha sala participo, também. Muitas vezes nossos sons se fundem, mas opto por desligar o meu: primeiro o jazz, tua grande paixão!

    Beijinho, Pedro.
    Tais luso

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  3. Luís Coelho deixou um novo comentário sobre a sua postagem "MILES DAVIS / Mestre do Estilo Cool":

    Olá Pedro
    Tinha saudades de encontrá-lo e ler os seus trabalhos sempre de uma perfeição genuína.

    Sei que muitos vão saindo dos blogues e deixamos de os encontrar.

    Espero que esteja tudo bem por aí.
    O meu tempo é limitado mas confesso que sou um aficcionado pelo som do trompete.
    Desde menino quando os saltimbancos passavam por aqui e aquele som entrava aqui em casa. Maravilhoso.

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Obrigado a todos os amigos leitores.
Pedro