27 de abr. de 2008

MÁXIMO GORKI – Escritor Revolucionário

Máximo Gorki





              por Pedro Luso de Carvalho



        Máximo Gorki morreu no dia 18 de junho de 1936, aos 68 anos de idade. Os funerais tiveram honras de Estado feitas por Stalin, Molotov, entre outras personalidades da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A urna com as suas cinzas foi colocada no muro do Kremlin, do lado da Praça Vermelha. André Gide, profundo conhecedor da literatura Russa, compareceu às exéquias e discursou na Praça vermelha: “Camaradas, a morte de Máximo Gorki não toca somente à Rússia, mas o mundo todo. Ele emprestou sua voz àqueles que não podiam se fazer ouvir. Ele hoje pertence à História, ao lado dos maiores”.

       Terminava aí a vida de Alexei Maximovitch Pechkov, filho de Maxim Pechkov e Varvara Kachirin, nascido em 16 de março de 1868, em Nijni-Novgorod; aí terminavam sacrifícios e sofrimentos pelos quais passara, desde a sua infância pobre, esse escritor que passou a ser conhecido como Máximo Gorki, pseudônimo que adotara por ocasião da publicação, na revista ‘O Cáucaso’, de Makar Tchaudrá, o seu primeiro conto. Ao adotar o esse pseudônimo (Gorki, que na sua língua significa amargo), Alexei Pechkov revelava a sorte dos personagens que iria descrever.

        A vida de Máximo Gorki poderá ser estudada sob vários ângulos: o político (sua militância como revolucionário e amizade que o ligava ao líder Lenin), sociológico (a vida do povo russo antes de depois do regime socialista) e literário (um autodidata de condição pobre se fez escritor, depois de ter passado por privações na infância e adolescência, e sem ter freqüentado cursos regulares de ensino).

        Essas duas fases da vida de Gorki: infância e adolescência são contadas por ele próprio na sua trilogia autobiográfica Minha infância, Ganhando meu pão [traduzido também como Meu aprendizado] e Minhas Universidades, trilogia essa escrita na sua fase madura, quando já era escritor consagrado. Antes de ter escrito essa obra, que foi considera por muitos críticos a mais importante do escritor, Gorki já era admirado pelos seus livros escritos para o teatro, que se tornaram conhecidos não apenas na Rússia, mas também no ocidente.

        Passadas as fases da infância e da adolescência, a tragédia continuaria a fazer parte da vida de Gorki; aos dezenove anos, foi tomado de irremediável desilusão a ponto de levá-lo a tentar o suicídio com o disparo de um tiro de revólver no peito, que perfurou um de seus pulmões, deixando uma porta aberta para a tuberculose; Gorki, no entanto, não perdeu o ânimo para a luta que continuaria travando ao longo dos anos. Sua vida terminou nas mãos de médicos que o assassinaram, acredita-se, a mando de Stalin, embora pela versão oficial a causa da morte tenha sido a pneumonia.

        Mas, voltando no tempo, em razão da tuberculose Gorki conseguiria mudar-se para Criméia, e antes de sua partida obteve autorização para a encenação de sua primeira peça teatral, Os pequenos burgueses, um libelo contra a classe proprietária. Depois dessa peça teatral, Gorki escreveu A ralé, que, ao contrário de Pequenos burgueses, fez grande sucesso. Já na Criméia, Gorki procurou dois escritores que se encontravam no auge da fama: Tolstoi e Karolenko, para mostrar-lhes seus escritos e para ouvir suas opiniões.

        Na Criméia, Gorki aprofunda sua amizade com Tchekhov e com Tolstoi, com os quais passara a vizinhar. Era cordial o convívio entre os três escritores, embora Tchékhov fosse favorável a uma mudança da sociedade de forma lenta, e Tolstoi um aristocrata que ouvia os arroubos revolucionários de Gorki, este, um marxista convicto, que ansiava por uma transformação completa e radical na estrutura política e social de seu país.

        Mais tarde, com a matança de centenas de pessoas pelos cossacos, que cumpriam ordens do tzar Nicolau II, Gorki foi tomado de terrível fúria e escreveu um manifesto incentivando o povo a lutar contra a autocracia. A partir daí radicalizou essa posição, e aos poucos foi denunciando tendências burguesas nas obras de Tolstoi e de Dostoievski.

        Foi nesse meio caótico pelo qual passava a Rússia, que Gorki exploraria a sua condição de jornalista e de escritor para defender os humildes e os proletários, que viviam em extrema pobreza e em semi-escravidão, espoliada por uma minoria, no regime dos tzares. O escritor sabia que os seus livros ficariam restritos nos temas que envolviam as desigualdades sociais. Daí sua produção ter como resultado uma literatura engajada ao socialismo.

        Mas, diga-se, Gorki não ficaria restrito a temas políticos, como de fato não ficou: os temas que compõe sua obra demonstram tratar-se escritor universal, como, aliás, era reconhecido Anatole France, um dos mais importantes escritores franceses, que dizia ser ele detentor de uma obra universal, portanto muito acima de aspectos políticos.

       Gorki escreveu contos, novelas, romances e teatro. Para o teatro, escreveu, entre outras peças: Pequenos burgueses, Ralé e Inimigos. Nos anos finais de sua vida, dedicou-se à redação de sua obra épica A vida de Klim Senguini, saga de uma família socialista. Na medida de suas possibilidades, nunca deixou de interferir a favor dos perseguidos.

        O segundo conto de Gorki, Tchelkach, não demorou a ser publicado, e foi considerado excelente por Korolenko. Depois, escreveu Esboços e narrativas, e os poemas em prosa A canção do falcão e O anunciador de tempestades, que se transformaram em refrão dos revolucionários. Foi nessa época que Gorki passou a corresponder-se com Tchekhov, escritor a quem admirava.

               Os novos livros escritos por Gorki passaram a ter por tema o capitalismo, que no seu entender era um inimigo cruel dos trabalhadores. A partir daí passa a ser admirado por um público maior, e também a despertar suspeitas da polícia, levando-o a ser confinado na pequena vila de Arzemas, próxima de Nijni-Novgorod, e, mais tarde, ao exílio por sete anos em Capri, na França, quando contava com quarenta anos de idade, e, novamente, perto dos sessenta anos, na cidade Sorrento, Itália, por quatro anos.

        Diz Nina Gourfindel, em Gorki, por ele próprio: "Eis que nesse cinzento fastio cívico-democrático irrompem-se os relatos de Gorki, vivos, coloridos, de linguagem forte, de heróis insólitos. ‘É o romantismo!, exclama aflito, Korolenko, o primeiro ‘professor técnico’ de Gorki no ofício de escritor. “É o romantismo e o romantismo morreu há muito tempo... Parece que toma um caminho que não é o seu. É realista, realista, e não romântico!”.

        Nina Gourfindel acrescenta: “Gorki lançava pelo mundo um olhar novo. Vindo não da inteliguêntsia [na Rússia essa expressão significa o escol intelectual] nem sequer duma plebe mais ou menos abstrata, mas saído, como um dos seus heróis, dos ‘saguões da vida’, dum meio brutal e analfabeto, tinha em si uma sede de saber, uma veneração pela cultura que ignoravam, nesse grau, aqueles para quem o saber e a cultura tinham sido, desde a infância, o quinhão banal. Para o rapaz, neto de um sirgador do Volga, que à força de pulso se guindava à vida do espírito, as palavras beleza, ideal, alegria, luz tinham um significado vital. Chegava às letras como combatente, animado de aspirações que eram estranhas aos escritores do seu tempo”.

        No seu ensaio O Leitor (1898), Gorki dá explicações acerca deste estado de espírito, faz crítica da literatura contemporânea e convida o público segui-lo por seus novos caminhos, mais coloridos. ‘Sempre o quotidiano! – exclama. – Homens, pensamentos, acontecimentos quotidianos!...Onde está o apelo à vida criadora, onde estão as lições de coragem, as fortes palavras que dão asas à alma? E, voltando-se para o seu público, para aquele que o deseja: Parece-me que, de novo, temos apetite de sonho e de belas ficções, de ilusão e de coisas extraordinárias – conclui Gorki’.

        A partir daí Gorki passou a dedicar-se a angariar fundos para a revolução e explicar o seu significado para os revolucionários russos. Esteve na Alemanha e na França com esse objetivo, na companhia Maria Fioderovna Andreieva, atriz que deixou a profissão e o marido para viver com ele, depois que o escritor se separou de Catarina Pavlovna Volin, sua primeira mulher, com quem teve um casal de filhos.

        Na França, Gorki foi recebido por literatos tendo à frente destes o conceituado escritor Anatole France. Daí partiu para os Estados Unidos, com o mesmo objetivo de reunir fundos para os revolucionários, onde foi recebido por Mark Twain, talvez o mais importante escritor estadunidense. A Embaixada Russa visando prejudicar sua tarefa revelou que Gorki não era casado com Maria Fioderovna Andreieva, fato esse que levou o país anfitrião a tratá-lo com frieza, colocando por terra o seu objetivo.
       
        Foi nos Estados Unidos que Gorki teve a idéia de escrever o seu romance proletário A mãe e a peça teatral Inimigos. Desse país, retornou à Europa para ficar alguns dias na Itália, onde permaneceu, em Capri, por sete anos. Nesse período teve vários encontros com Lenin, que serviram para fortificar a amizade entre ambos, amizade essa que perduraria até a morte do líder russo.
       
        Em 1913, o governo tzarista concedeu uma ampla anistia política e Gorki resolveu voltar à Rússia, onde passou a ser constantemente vigiado pela polícia. Em 1914, alinhou-se aos que desejavam ver a Rússia fora da guerra, acompanhou o declínio da monarquia e o papel de Rasputin na corte tzarista. Em 1917, Lenin retornou à Rússia, e seguiu-se a tomada do poder pelos bolchevistas e a retirada da guerra pelo tratado Brest-Litivski.

        A escritora Nina Gourfindel afirma: “Com os bolchevistas no poder, começaram seus atos violentos, e Gorki, através de seu jornal, tomou diversas vezes atitudes discordantes em relação aos métodos revolucionários. No início, nada lhe aconteceu em razão de seu passado de militante e em razão de seu enorme renome literário. A certa altura, Lenin viu-se obrigado a determinar a suspensão de seu jornal. Após a morte de Lenin, continuou sendo o escritor socialista cortejado pelo governo, e aceitando constrangido as benesses propiciadas pelo partido. Não tinha por Stalin a admiração afetuosa que nutria por Lenin”.

        Prossegue Nina Gourfindel: “Gorki surge na última década do século XIX, na época em que ruem os cânones sociais ao mesmo tempo que os literários. Embora os seus primeiros escritos só tragam inovações superficiais nesses dois domínios, a sede de renovo é tal que, em pouco tempo, conseguem impor-se a atenção do público russo, e, em breve, mundial.

        Ao dobrar do século, a literatura russa estava atravancada pelos epígonos de um realismo que Tolstoi, Dostoievski, Turgueniev, Goutcharov tinha levado à perfeição. As suas obras, porém, ainda tão próximas no tempo, já não satisfaziam os leitores. A sua sociedade, a da nobreza em declínio, era uma sociedade ultrapassada. Os seus problemas já não comoviam. É para o futuro que o público tende, para um futuro revolucionário.

        Nascido no coração da Rússia tendo desempenhado as mais diversas profissões como descarregador de porto, jardineiro, padeiro e outros trabalhos, normalmente em condições que exigiam algum grau de sacrifício, Gorki conhecia também todas as maneiras de falar populares, todas as gírias, até a linguagem compósita, mesclada de palavras sapientes, estropiadas das baixas camadas urbanas. 

        O conhecimento dos recursos da linguagem era em Gorki praticamente ilimitado: ditados, sentenças, bons ditos, aranzéis, pragas, rimas e alterações de que o adagiário russo é rico, um vocabulário maleável, sempre alerta de onde brotam sem cessar novas formações. Este manancial lingüístico (do qual Gorki abusará mais tarde) acentuar-lhe-á a originalidade das obras. Junto ao seu fogoso romantismo, ao seu tipo de herói pré-revolucionário, isso foi uma atraente novidade.

        Em janeiro de 1922, morreu Lenin; e Gorki cheio de desconfiança perante os seus sucessores, não se decidia a voltar à Rússia. Gostaria de voltar a Capri, mas o governo fascista hesitava em deixá-lo entrar na Itália. Finalmente, na Primavera, autorizou-o a residir, não em Capri, onde, declaravam as autoridades mussulianas, a sua presença poderia despertar certas paixões políticas, mas... em Sorrento, na sua aparência politicamente mais seguro!

       Gorki manter-se-ia ali quatro anos, levando a mesma existência simples e laboriosa, que foi sempre a sua. O velho drama, porém, renascia; o escritor era atazanado pela nostalgia. O exílio de Capri fora duro para o homem de quarenta anos, o de Sorrento tornava-se-lhe insuportável ao aproximarem-se os sessenta. Esse exílio era, aliás, insensato. Resta-nos dessa época um retrato seu, expressivo, do olhar triste” .

        Carlos Heitor Cony, no prefácio de O degenerados, diz: “Acredito, porém, que o Gorki mais autêntico, o mais universal, situe-se exatamente em sua primeira fase. A fase de Kononalov, de Malva, de Os Pequenos Burgueses, de Os Ex-Homens, dos vagabundos e dos degenerados. Nesta coletânea podem ser consideradas obras-primas da literatura russa, situadas que estão no mesmo plano das obras de Tchekhov ou turgueniev”.

        Diz Cony, no prefácio, mais adiante: “Gorki, mais tarde, encontraria esse truque para a humanidade: o comunismo. Mas na época de Os Ex-Homens, na certa ele teria repulsa que alguma coisa pudesse salvar os seus vagabundos e degenerados do albergue noturno. E nisso, superou a Dostoievski, onde o desespero salva do próprio desespero. Para Gorki de Os Ex-Homens, nem o desespero adianta para coisa alguma. O homem é um exilado. Ocupa a sua noite no albergue e espera. O que acontecer não tem importância. Nem mesmo a morte”.




REFERÊNCIAS:
MASON, Jayme. Mestres da Literatura Russa: Aspectos de sua vida e obras. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
GOURFINKEL, Nina. ‘Gorki, por ele próprio. Tradução de Jayme Brasil. Lisboa: Portugália Editora, 1964.
GORKI, Máximo. Os degenerados. Trad. de Jayme Jobinski. Prefácio de Carlos Heitor Cony. Rio de Janeiro: Edições Ouro, 1973.





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12 de abr. de 2008

SERGIO FARACO & Sua Obra





         por Pedro Luso de Carvalho

             


         O escritor Sergio Faraco ainda não integra a Academia Brasileira de Letras, mas pela importância de sua obra como contista, cronista, historiador, ensaísta e tradutor poderá ocupar uma vaga na Casa de Machado de Assis, onde duas de suas cadeiras estão sendo ocupadas por dois coestaduanos seus: Carlos Nejar e Moacyr Scliar. Ao ocupar uma cadeira na ABL a sua obra terá, sem dúvida, uma divulgação condizente com a importância de sua produção literária, e, com isso, os leitores sairão ganhando ao conhecê-la, como ganhará a cultura do nosso país.

        Não sei, por outro lado, qual poderá ser a reação do Sergio Faraco quando souber que estou iniciando este ‘movimento’ para que venha a concorrer a uma vaga, oportunamente, na Academia Brasileira de Letras. Provavelmente, não se sentirá confortável com esta iniciativa, mas mesmo assim não posso deixar de levar adiante este empreendimento.

        Por outro lado, por conhecer a obra do Sergio Faraco na sua integridade, sinto-me à vontade para dar início a esta empresa. Li cada um de seus livros, na medida em que iam sendo lançados. Mais ainda: fiz a releitura de muitos dos seus livros, e a cada nova leitura convencia-me mais ainda da maestria de Faraco, que, sem dúvida, é um dos que melhor representa o gênero conto na literatura brasileira, ombreando com os mais importantes escritores do conto sul-americano.

        Como a obra de Sergio Faraco é extensa, para divulgá-la usarei, em parte, a matéria que se encontra publicada, com o esmero que lhe é próprio, no seu site (SERGIO FARACO) , que se constitui num atalho para meu propósito. Começaremos, pois, com os traços biográficos:

        Sergio Faraco nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1940. Nos anos 1963-5 viveu na União Soviética, tendo cursado o Instituto Internacional de Ciências Sociais, em Moscou. Mais tarde, no Brasil, bacharelou-se em Direito. Em 1968 casa-se em Alegrete com Ana Cybele Ferreira da Costa Milano, filha menor do poeta rio-grandense Antônio Milano. Em 1969 nasce sua primeira filha, Bianca. Em 1971 nasce sua segunda filha, Angélica. Em 1980 nasce seu terceiro filho, Bruno.

        Passemos à cronologia de sua obra, prêmios e láureas:

        1965
        Começa a escrever para a Gazeta de Alegrete.

       1968
       Publica seus primeiros contos no Caderno de Sábado do Correio do Povo.

        1970 
       Publica Idolatria, contos. Em concurso estadual de contos, obtém, com três trabalhos, os três primeiros lugares.

        1974
        Publica seu segundo livro, Depois da primeira morte, contos.

        1975
        Seu relato "Travessia" é incluído na antologia Os melhores contos brasileiros de 1974.

        1978
        No Rio de Janeiro, publica seu terceiro livro, Hombre, contos. Publica Urartu, história antiga do Oriente Próximo.

        1980
        No Rio de Janeiro, publica uma biografia de Tiradentes.

        1982
      Traduz, do uruguaio Mario Arregui, Cavalos do amanhecer. De parceria com Blásio Hickmann, publica um dicionário de autores rio-grandenses contemporâneos.

        1984
        No Rio de Janeiro, aparece seu quarto livro de contos, Manilha de espadas.

        1985
        Traduz, de Mario Arregui, A cidade silenciosa, contos; do argentino Mempo Giardinelli, Luna caliente / Três noites de paixão, novela; do venezuelano Eugenio Montejo, O poeta sem rio, poesia.

        1986
      Traduz, de Mempo Giardinelli, O céu em minhas mãos. Publica seu quinto livro de contos, a antologia Noite de matar um homem. O Instituto Estadual do Livro edita o fascículo Sergio Faraco, que focaliza a vida e a obra do autor.

        1987
        Publica os livros Doce paraíso e A dama do Bar Nevada, ambos de contos. Traduz A revolução de bicicleta, de Mempo Giardinelli.

        1988
       Recebe o Prêmio Galeão Coutinho, da União Brasileira de Escritores, conferido ao melhor livro de contos publicado no Brasil no ano anterior (A dama do Bar Nevada). Publica seu primeiro livro no exterior, Noche de matar un hombre, no Uruguai.

        1990
        Publica O chafariz dos turcos, crônicas. No Uruguai, são reunidas em livro as cartas que trocou com o escritor Mario Arregui, falecido em 1985: Mario Arregui & Sergio Faraco: Correspondencia. Publica O processo dos inconfidentes: verdade ou versão, ensaios.

        1991
       Publica seu sétimo livro de contos, Majestic Hotel. Traduz A longa viagem de prazer, contos do uruguaio Juan José Morosoli, e A história de Naná, do também uruguaio Carlos Maggi. Organiza e traduz, de parceria com Aldyr Schlee, a antologia de contos Para sempre Uruguai.

        1992
        Em Montevidéu, publica-se a segunda edição de Noche de matar un hombre. Traduz: Contos do país dos gaúchos, de Julián Murguía, Os demônios de Pilar Ramírez, de Jesús Moraes, e Bernabé, Bernabé!, de Tomás de Mattos, autores uruguaios, e Made in Buenavista, do argentino José Gabriel Ceballos. Em Alegrete, inaugura-se na Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves a Biblioteca Sergio Faraco.

        1993
      Publica seu segundo livro de crônicas, A lua com sede. Traduz A menina que perdi no circo, da paraguaia Raquel Saguier, e O amigo que veio do sul , de Julián Murguía.

        1994
       Pelas crônicas de A lua com sede, recebe o Prêmio Henrique Bertaso, conferido pela Câmara Rio-Grandense do Livro, Clube dos Editores do Rio Grande do Sul e Associação Gaúcha de Escritores. Publica, como organizador, A cidade de perfil, crônicas de diversos autores. Traduz Caballero, do paraguaio Guido Rodríguez Alcalá, Vozes da selva, do uruguaio Horacio Quiroga, e A guerra das formigas, de Julián Murguía.

        1995
        Recebe o Prêmio Açorianos, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, pela organização de A cidade de perfil. Publica seu oitavo livro de ficção, reunindo todos os contos que escreveu: Contos completos.

        1996 
       Pelo livro Contos completos, recebe novamente o Prêmio Açorianos. Traduz Noturnos e outros poemas, da uruguaia Idea Vilariño, e publica, como organizador, o volume Contos brasileiros, de diversos autores.

        1997
       Traduz Armadilha mortal, do argentino Roberto Arlt, e organiza os volumes Livro dos sonetos, de diversos autores, Livro das cortesãs, de diversos autores, Livro dos bichos, de diversos autores, I-juca- pirama, de Gonçalves Dias, A mensageira das violetas, de Florbela Espanca, Antologia poética, de Mario Quintana, Sonetos para amar o amor, de Luís de Camões, e O dinheiro, ensaio de Olavo Bilac.

        1998
Traduz Contos italianos, de Máximo Gorki. Organiza: Todos os sonetos, de Augusto dos Anjos, Amor ao Brasil, do Visconde de Taunay, Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, Livro dos desaforos, de diversos autores, Livro do corpo, de diversos autores, e Shakespeare de A a Z, uma seleção das frases lapidares de William Shakespeare. Publica Dançar tango em Porto Alegre, coletânea de contos, e Gregos & Gringos, coletânea de crônicas, ambos em edição de bolso.

        1999
       É indicado como um dos "50 melhores contistas dos 500 anos do Brasil" em enquête do Jornal de Letras (Rio de Janeiro (6):10, fevereiro de 1999), dirigido por Arnaldo Niskier e Antonio Olinto. Traduz Uma estação de amor e Passado amor, novelas de Horacio Quiroga, São Manuel Bueno, mártir, de Miguel de Unamuno, e De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso, de Eduardo Galeano, e organiza as coletâneas As árvores e seus cantores, de diversos autores, Decálogo do perfeito contista, de Horacio Quiroga e outros e As primaveras, de Casimiro de Abreu. Recebe o Prêmio Nacional de Ficção, atribuído pela Academia Brasileira de Letras à coletânea Dançar tango em Porto Alegre como a melhor obra de ficção publicada no Brasil em 1998. Em enquête promovida pela revista Aplauso (número 11), de Porto Alegre, entre críticos literários e professores de literatura, é escolhido como o quinto dos cinco nomes da literatura rio-grandense de todos os tempos, depois de Érico Veríssimo, Simões Lopes Neto, Dyonélio Machado e Mario Quintana.

        2000
       Um de seus contos, "Idolatria", é escolhido como um d'Os cem melhores contos brasileiros do século, coletânea publicada no Rio de Janeiro pela Editora Objetiva. Publica Viva o Alegrete!, coletânea de crônicas sobre sua cidade natal, em edição fora de comércio, e Rondas de escárnio e loucura, volume de contos, que recebe o troféu Destaque Literário (Obra de Ficção) da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre (Juri Oficial), atribuído pela Rede Gaúcha SAT/RBS Rádio e Rádio CBN 1340. Em outubro, recebe da Prefeitura de Alegrete a Comenda do Mérito Oswaldo Aranha.

        2001
        Publica, agora em edição comercial, as crônicas de Viva o Alegrete. Recebe o Prêmio Açorianos de Literatura pelo livro Rondas de escárnio e loucura. Publica, de parceria com o ex-piloto de competição Hugo Almeida, o manual O automóvel: prazer em conhecê-lo, cuja edição rapidamente se esgota.

        2002
       Recebe da Editora Nova Prova o troféu Escritor Homenageado. Publica seu livro de memórias, Lágrimas na chuva: uma aventura na URSS, e traduz O teatro do bem e do mal, de Eduardo Galeano. Recebe o troféu Destaque CGTEE/Correio Povo Melhor Sessão de Autógrafos da 48ª Feira do Livro de Porto Alegre, alusivo ao lançamento de Lágrimas na chuva.

        2003 
        Lágrimas na chuva é indicado como o livro do ano pelo jornal Zero Hora, em sua retrospectiva de 2002, e eleito pelos internautas, no site ClicRBS, como o melhor livro gaúcho publicado no mesmo ano. Tem seus contos gravados em CD, com narração de Vergara Marques, em edição da Coleção Palavra, coordenada por Waldemar Torres. Traduz A galinha degolada e outros contos & Heroísmos: biografias exemplares, de Horacio Quiroga, e organiza O livro de Cesário Verde, do poeta português Cesário Verde. Recebe o Prêmio Erico Veríssimo, conferido pela Câmara Municipal de Porto Alegre, e o Prêmio Livro do Ano (Não-Ficção) da Associação Gaúcha de Escritores, por Lágrimas na chuva. Reedita-se sua tradução dos contos do uruguaio Mario Arregui, Cavalos do amanhecer. A partir de fevereiro, passa a publicar crônicas quinzenais no Segundo Caderno do jornal Zero Hora, de Porto Alegre.

        2004
        Seu conto "Idolatria", incluído na antologia Os cem melhores contos brasileiros do século, organizada por Ítalo Moriconi, é interpretado pela atriz Marília Pêra no programa Contos da Meia-Noite, da TV Cultura de São Paulo. Publica a segunda edição ampliada de Contos completos, sendo agraciado com o Prêmio Livro do Ano no evento O Sul e os Livros, instituído pelo jornal O Sul, TV Pampa e Supermercados Nacional, e participa, com Armindo Trevisan e José Clemente Pozenato, da coletânea bilíngüe Dall’altra Sponda/Da outra margem, que recebe o Prêmio Destaque do Ano no mesmo evento.

        2005
        Publica Histórias dentro da História, de crônicas e ensaios.

        2006
        Publica O crepúsculo da arrogância, obra que reconstitui minuto a minuto o naufrágio do RMS Titanic.

        2007
       Assina contrato com a Rede Globo para a realização de uma microssérie baseada no conto Dançar tango em Porto Alegre, com direção de Luiz Fernando Carvalho. Publica, como organizador, a coletânea Antologia de contistas bissextos, com 19 autores. Recebe o prêmio Livro do Ano - Categoria Não-Ficção, da Associação Gaúcha de Escritores, pelo livro O crepúsculo da arrogância, e o Prêmio Fato Literário 2007 - Categoria Personalidade, atribuído pelo Grupo RBS de Comunicações.

        2008
        Recebe a Medalha Cidade de Porto Alegre, outorgada pela Prefeitura Municipal - Administração José Fogaça. Mantém a coluna quinzenal em Zero Hora, iniciada em 2003.


       Esperamos, pois, o apoio de todos os escritores e leitores a esta campanha em favor da eleição de Sergio Faraco para a Academia Brasileira de Letras.



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6 de abr. de 2008

PEDRO LUSO / O Salutar Hábito da Leitura



por Pedro Luso de Carvalho


O hábito da leitura deve começar bem cedo, já na infância. Mas se nessa fase da vida a criança não se sentir suficientemente estimulada a conviver com os livros, em que pese à insistência de seus pais e professores, ainda se tem a fase da adolescência para que esse hábito seja criado. O que não se pode admitir é que os seus mentores sintam-se derrotados nesse mister.


E se passadas essas duas primeiras fases os livros ainda estiverem distantes do dia-a-dia das pessoas, não se quer dizer com isso que os adultos não poderão adquirir o hábito da leitura; a pessoa adulta consciente deve saber que o conhecimento facilita a sua vida, que a cultura faz com que as portas se abram para ela, que vive num mundo cada vez mais exigente a esse respeito.


O fato é que muitos são os motivos que desviam crianças e adolescentes da leitura em nosso país, que ainda não saiu da sua condição de pobreza. Para o pai ou a mãe que ganham um salário-mínimo ou um pouco mais que isso por mês, para sustento de sua família, é evidente que nada sobra para os livros, que, diga-se, estão muito caros, mesmos os livros usados, que são encontrados nas livrarias conhecidas como ‘sebo’.


Nessas livrarias, que vendem livros usados, este ou aquele livro pode ser adquirido por preço quase insignificante, mas isso, no entanto, não se constitui em regra. Pelo contrário, tenho verificado que aí esses livros usados estão também com preços muito elevados, sem que para isso se encontre justificativa, já que os livreiros os compram por preços quase que simbólicos, para depois revendê-los.


Por esses motivos, poucas são as casas de brasileiros que têm uma pequena prateleira com livros, sem falar em biblioteca, que, nesse caso, para o nosso país seria uma desmedida pretensão. E aqui não estamos nos referindo a casas de pessoas pobres, obviamente. Falamos de casas de pessoas da classe média e das pessoas abastadas, que, por certo, não sentiriam o peso dos preços dos livros, caso viessem a comprá-los.


Por este ou por aquele motivo, não se adquire o hábito da leitura. A regra, infelizmente, é a ausência de livros nas casas dos brasileiros, salvo raríssimas exceções. E, com essa ausência, não se pode pretender que crianças e adolescentes se sintam estimulados à leitura. Não se pode desconhecer os mistérios que os livros provocam nessas criaturas, que, quando podem, abrem-nos para matar a sua curiosidade - e é justamente aí que começa o hábito da leitura.


Outro óbice para que crianças e adolescentes passem a se interessar e gostar de livros está na ausência de bibliotecas públicas nas pequenas cidades e nas cidades de porte médio. Até nas importantes capitais do país se depara com poucas bibliotecas. Com isso se nota que o poder público não está interessado em aplicar verbas em bibliotecas, que, certamente, não lhes dão votos. Esses mesmos políticos temem que eleitores esclarecidos não os escolham para representá-los, quando pleiteiam um determinado cargo.


Resta-nos a esperança que livros mais baratos sejam editados, o que será possível, sem dúvida, se os editores tiverem por alvo as pessoas pobres, que não têm a exigência de capas sofisticadas e de papel da melhor qualidade. Não quero dizer com isso que o livro sofisticado, na sua apresentação, deva desaparecer; acho que, ao lado deles (dos livros caros), devem ser editados livros de baixo custo, mesmo que sejam subsidiados pelo Governo, que fiquem ao alcance das pessoas de poucas posses.


Ao barateamento do livro deve somar-se a abertura de bibliotecas públicas em todas as cidades do país, em número que seja proporcional a de seus habitantes. Assim, existindo bibliotecas com um bom acervo de livros de bons escritores, crianças e adolescentes passarão a lê-los, não tenho a menor dúvida.


Nesse caso, os professores se encarregarão de mostrar o caminho da biblioteca aos seus alunos. Resta-nos ainda essa esperança (livro de baixo custo e bibliotecas públicas), para que, no futuro, o brasileiro passe a contar com os benefícios da leitura.