25 de mai de 2012

EDGAR ALLAN POE – Um Sonho Num Sonho


     
                por  Pedro Luso de Carvalho


        EDGAR ALLAN POE nasceu a 19 de janeiro de1809, em Boston, Estados Unidos da América, e faleceu a 7 de outubro de 1849,  em Baltimore, EUA, aos 40 anos de idade. Foi poeta, contista e ensaísta. Mistério e elementos macabros que impregnam suas histórias deram ao 'estilo gótico americano' um outro norte. William Carlos Williams dizia que Poe foi o primeiro autor verdadeiramente americano. 

        Entretanto, o reconhecimento como grande contista, poeta e ensaísta deu-se primeiramente na França, que teve como divulgador de sua obra e o primeiro a traduzí-la para o francês, o conceiturado poeta Charles Baudelaire (1821-1867). Mallarmé, um dos expoentes do Simbolismo francês, continuou a fazer a divulgação das histórias e poesias de Poe, que se viu consagrado nos dois anos que antecederam sua morte. 

        Essa consagração deveu-se não apenas ao conto (entre outros A queda da Casa de Usher e O poço e o pêndolo), mas também à excelência de sua poesia (O corvo e Annabel Lee, além de outros), cujos temas ficavam circunscritos à solidão, a inutilidade do esforço, ao remorso por sua vida miserável. Seus versos falam apenas de mundos interiores, sem qualquer menção ao mundo exterior. O poema O Corvo – seu poema imortal – só ficou acabado depois de ter sido modificado ao longo de dez anos. Poe não transigia quanto à qualidade literária de sua obra – que era a moldura de sua extraordinária imaginação. 

        E, foi justamente Charles Baudelaire o primeiro tradutor de contos e ensaios de Poe, levando-os a ser conhecidos pela elite de literatos de Paris, que passaram a admirar a sua obra. Mallarmé, um dos expoentes do Simbolismo, continuou a fazer a divulgação das histórias e poesias de Poe, que se viu consagrado nos dois anos que antecederam sua morte. Essa consagração deveu-se não apenas ao conto, mas também à excelência de sua poesia, cujos temas ficavam circunscritos à solidão, a inutilidade do esforço, ao remorso por sua vida miserável. Seus versos falam apenas de mundos interiores, sem qualquer menção ao mundo exterior. O poema O Corvo – seu poema imortal – só ficou acabado depois de ter sido modificado ao longo de dez anos. Poe não transigia quanto à qualidade literária de sua obra – que era a moldura de sua extraordinária imaginação.

        A importância que a crítica literária dá a Poe pode ser sentida em alguns trechos do ensaio de André Maurois, intitulado Jorge Luís Borges – Labirintos, no qual o ensaísta coloca no mesmo nível Kafka, Poe, Wells, Valéry, quando diz que Borges “Cria , fora do espaço e do tempo, mundos imaginários e simbólicos. É tempo um sinal da sua importância  (Maurois ainda fala de Borges ) que só se possa evocar a seu propósito obras estranhas e belas. Aparenta-se com Kafka, Poe, às vezes Wells, sempre Valéry (...)”. Maurois escreve sobre a admiração de Borges por Poe:  “Como a Wells admira Poe e Chesterton. Poe escreveu contos perfeitos de horror fantástico e inventou a narração policial  (...)”.

        E, no que diz respeito à poesia, escreve Poe em seus trabalhos críticos – O Princípio Poético, A Filosofia da Composição O Racional do Verso – sobre a importância que tinha para ele a liberdade poética, com se vê na síntese que segue (in Antologia de Contos. Tradução e Prefácio de Brenno Silveira . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1959, p. X): 

        Para mim, um poema é o oposto de um trabalho científico, por ter como objetivo imediato o prazer – um prazer indefinido, ao invés de definido, sendo um poema apenas se alcançar esta finalidade; o romance, apresentando imagens perceptíveis com sensações definidas; a poesia, com sensações indefinidas, a cujo  fim a música é um elemento essencial, pois que a compreensão do som harmonioso é nossa concepção mais indefinida. A música, quando alidada a uma ideia agradável, é poesia; a música sem ideia é simplesmente música; a ideia sem música é prosa pela própria exatidão.

        Segue o poema de Edgar Allan Poe, Um sonho num sonho, que integra o livro POE, Edgar Allan. Poemas e Ensaios. Tradução de Osmar Mendes e Milton Amado. Revisão e notas de Carmen vera Cirne Lima. 3ª ed. revista. São Paulo: Globo, 1999, p. 47:


                              UM SONHO NO SONHO
                                              (Edgar Allan Poe)




                    Este beijo em tua fronte deponho!
                    Vou partir. E bem pode, quem parte,
                    francamente aqui vir confessar-te
                    que bastante razão tinhas, quando
                    comparaste meus dias a um sonho.
                    Se a esperança se vai, esvoaçando,
                    que me importa se é noite ou se é dia...
                    ente real ou visão fugidia?
                    De maneira qualquer fugiria.
                    O que vejo, o que sou ou suponho
                    não é mais do que um sonho.


                    Fico em meio ao clamor, que se alteia
                    de uma praia, que a vaga tortura.
                    Minha mão grãos de areia segura
                    com bem força, que é de ouro essa areia.
                    São tão poucos! Mas fogem-me, pelos
                    dedos, para a profunda água escura.
                    Os meus olhos se inundam de pranto.
                    Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
                    se os aperto na mão, tanto e tanto?
                    Ah! meu Deus! E não posso salvar
                    um ao menos da fúria do mar?
                    O que vejo, o que sou ou suponho
                    será apenas um sonho num sonho?


  
                                                                     *  *  *



REFERÊNCIA
MAUROIS, André. De Aragon a Montherlant.  Tradução de Paulo Hecker Filho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1967, pg. 99-100. 


                                                                   *  *  *  *  *