
por Pedro Luso de Carvalho
Não são poucos os brasileiros que sonham ingressar no serviço público. Os motivos são vários, como, por exemplo, a estabilidade no emprego e a aposentadoria com vencimento integral, ou seja, o mesmo vencimento que o funcionário recebe no exercício do cargo. Mas, quem não estiver atento para qual, dentre os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – , poderá escolher para gozar de tais privilégios, poderá tomar o trem errado e cair nos braços do Poder Executivo, para sua desgraça.
Pior é que, não fazendo a escolha certa, com a exclusão do Poder Executivo, o candidato à funcionário público aprovado virá, mais tarde, sentir as sérias conseqüências dessa opção. E quando disso se der conta, o funcionário sentirá novamente o peso das dificuldades que terá que enfrentar para preparar-se para um outro concurso - para o Judiciário ou para o Legislativo.
O canto da sereia, para que se faça o concurso errado, isto é, para cargo no Poder Executivo, é o salário oferecido para início de carreira: o pobre coitado não pode imaginar que a inflação corroerá os seus vencimentos com o passar dos anos, quer pela inflação, quer aumento natural dos produtos de consumo e habitação, sem contar outros itens. Verá, então, o funcionário, que a União, os Estados e os Municípios não têm interesse em fazer reajustes nos salários dos seus servidores. Muito menos em proporcionar-lhes aumentos, independentemente de reajustes por perdas pela desvalorização da moeda.
Querem um exemplo do que afirmo? Então, vamos lá. Vocês se lembram do dramático fim do mandato de Fernando Collor? Lembram-se de que Collor foi substituído pelo Itamar Franco, o vice-presidente da República? Lembram-se do Ministro da Fazenda do presidente Itamar? Ele mesmo, Fernando Henrique Cardoso, Ministro da Fazenda e, mais tarde, presidente do Brasil, por dois mandatos .
Com o Governo de Fernando Henrique Cardoso os salários dos funcionários da União - e, em conseqüência, dos funcionários públicos dos Estados e Municípios - não mais tiveram seus salários reajustados na exata proporção da desvalorização de nossa moeda. Com o Governo de Luís Ignário Lula da Silva, sucessor de FHC, nada mudou, tanto no primeiro como segundo mandato, este já nos seus estertores. O fato incontestável, pois, é que os funcionários do Poder Executivo ficaram mais pobres, a contar do Governo de Itamar, passando por FHC até os dias atuais, com o presidente Lula.
Por fim, esclareço, que não é minha intenção desestimular o candidato a realizar seu concurso para ingressar no serviço público, mas, isto sim, de aconselhá-lo a escolher um destes poderes, Judiciário ou Legislativo, para que possa trabalhar e viver sossegadamente, na certeza de que os seus vencimentos serão corrigidos regiamente, ou seja, na medida em que são atingidos pela inflação, o que lhe assegurará uma vida folgada para sua família e para si uma aposentadoria decente.
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Pô, Pedro!
ResponderExcluirMuito bem observado! Gostei.
Além de competente resenhista és também um perspicaz consultor de carreiras (pelo menos as públicas). Elejo-o como nosso Max Gheringer blogueiro!
abraços
Olá querido, parabéns pelo ótimo blog!!!
ResponderExcluirAgradeço sua visita ao Louvor a Deus e por tornar-se nosso seguidor.
Paz e graça com o Senhor abundantemente!!!
Beijos de luz
Olá blogueiro!
ResponderExcluirConcordo ponto a ponto. Ainda outro dia uma colega comentava sobre esse fato comigo. Quando ingressou na prefeitura ganhava 4 vezes mais. Hoje, seu salário não cobre o mínimo das despesas que possui e ela pensa em terminar a graduação e pedir demissão, mesmo que rumo a um futuro incerto.
É sempre muito instrutivo ler o seu blog.
Abraços