24 de set de 2009

DOSTOIÉVSKI / Vida & Obra - Parte II




por Pedro Luso de Carvalho



No final da primeira parte de Fiódor Dostoiévski, vida e obra, dissemos: o escritor retorna a São Petersburgo no mês de dezembro de 1859, juntamente com a esposa Maria Dmitrievna e com o filho, que adotara na Sibéria; dez anos antes, quando o escritor é detido juntamente com outros membros do chamado Círculo de Petrashevski, havia muita gente na enorme Praça Senovski, para se despedir dele e de seus companheiros, quando deixam a cidade com destino à prisão da Sibéria; agora, Dostoiévski é aguardado apenas por seu irmão mais velho Mikhail e por seu amigo Alexander Milukov.


Sobre esse encontro, Milukov viria dizer, mais tarde, que “Fiódor Mikhailovitch, segundo minha observação, não havia mudado fisicamente, até parecia mais saudável que antes, e não havia perdido nada de sua habitual energia. Recordo que, naquela primeira ocasião, apenas trocamos algumas idéias e impressões, recordamos os velhos tempos, bem como nossos amigos comuns”. Foi neste ponto que encerramos o texto FIÓDOR DOSTOIÉVSKI, VIDA OBRA – PRIMEIRA PARTE. Portanto, no presente texto - nesta segunda parte -, abordaremos uma outra etapa da vida desse mestre da literatura. Vejamos, pois.


Nesse seu retorno a São Petersburo, Dostoiévski edita, com a parceria de seu irmão Mikhail, o jornal literário O Tempo (Vremia) , que mais tarde seria sucedido pelo A Época (Epokha). Nessa quadra, Dostoiévski tem sucessivas convulsões em conseqüência da epilepsia que o acomete. Embora de saúde precária, consegue completar o seu primeiro romance importante, Humilhados e Ofendidos, cujos capítulos são publicados em sua revista (Vremia); o livro é recebido com entusiasmo pelo grande público, o mesmo não ocorrendo com a crítica; Humilhados e Ofendidos não tem a mesma sorte que seu livro Recordações da Casa dos Mortos, que faz grande sucesso junto a leitores e crítica.


O seu livro Recordações da Casa dos Mortos, constitui-se em importante relato do que Dostoiévski passou no presídio de Omsk, na Sibéria. Essa narrativa de suas amargas lembranças no cativeiro resulta no livro que foi publicado em 1860, depois de ter enfrentado inúmeros obstáculos criados pela censura até a sua publicação, que deu fama ao escritor. Dostoiévski cria um personagem, Alexander Petrovich Gorianchikov, para ser o narrador, visando desviar a atenção da censura. Gorianchikov, da nobreza russa, fora condenado a dez anos de trabalhos forçados pelo homicídio de sua esposa. Esse é o personagem, que, no entanto, não esconde tratar-se do próprio Dostoiévski .

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Na realidade, Recordações da Casa dos Mortos é o resultado da vivência do autor, na condição de presidiário em Omosk, no convívio com criminosos condenados pelos mais diversos crimes, além dos presos políticos. Dostoiévski é o primeiro escritor a escrever sobre os campos de trabalhos forçados da Rússia czarista. Choca a muitos pelo realismo de seus relatos: homens presos pelos pés por correntes, imundícies, promiscuidades, castigos corporais - os presos eram surrados com chicote ou vara, que só cessavam com a ordem do médico da prisão, para daí serem levados aos hospital, até retornarem para o cumprimento do castigo a que foram condenados.


O que se passava no inferno de Omosk não poderia escapar à sensibilidade do escritor: o homicida que mata premido pelas circunstâncias ou o que mata como meio de vida; do ladrão ao astuto chefe de quadrilha, tudo o que via e ouvia seria a matéria-prima para o seu livro 'Recordações da Casa dos Mortos, como para futuras obras, que viria dar conhecimento ao povo russo das atrocidades pelas quais passavam os apenados.

Dostoiévski soube aprender o que a poderosa escola, que é o presídio, tinha para ensinar-lhe; soube interpretar os sentimentos daqueles que com ele compartilham do mesmo infortúnio, das horas de sofrimentos com terríveis espancamentos, torturas desumanas, que acabam desaguando nas suas Recordações da Casa dos Mortos. Nessa obra, escreve Dostoiévski :

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“Aquele que, ao menos uma vez exerceu poder ilimitado sobre o corpo, o sangue, a alma do seu semelhante, sobre o corpo do seu irmão, segundo a lei de Cristo, aquele que desfrutou a faculdade de vilipendiar enormemente outro outro ser feito à imagem de Deus, esse torna-se incapaz de dominar as suas sensações. A tirania é um hábito dotado de extensão, pode desenvolver-se, tornar-se com o tempo uma doença. Afirmo que o melhor dos homens é suscetível de se insensibilizar até ser uma fera. (...) O homem e o cidadão eclipsam-se sempre no tirano. (...) Acrescentemos que o poder ilimitado da fruição seduz perniciosamente, e isso atua por contágio sobre a sociedade inteira. A sociedade que contempla tais atividades com indiferença está já contaminada até ao íntimo. Em suma, o direito de punir corporalmente, que um homem exerce sobre outro, é uma das pragas da sociedade: um processo seguro de sufocar em si mesma qualquer germe de civismo, de provocar a sua decomposição.”


É no final da obra que Dostoiévski acusa o sistema prisional czarista: “Quanta juventude foi desperdiçada dentro desses muros! Quantas energias pereceram, sem serem usadas, pois, a bem da verdade, estes homens eram fora do comum! Todavia, esta poderosa força foi desperdiçada irrevogavelmente! Pergunta-se: "a quem cabe a culpa?" Obviamente, a reposta não precisa ser dada, pois todos a conhecem.”


Jayme Mason escreveu: “A crítica não poupou elogios às Recordações da Casa dos Mortos. Alexander Herzen comparou a pena de Dostoiévski ao pincel de Michelangelo, e Lenin considerou o livro como inigualável na literatura russa e mundial. Não faltou quem comparasse os quadros de Dostoiévski , nesta obra, aos versos do Inferno de Dante. O nome de Dostoiévski atravessava as fronteiras da Rússia e sua obra ganhava a atenção dos países da Europa.”


Georg Lukács diz nos seus Ensaios Sobre Literatura, a respeito da transitoriedade do homem: “Um personagem secundário de Dostoiévski ilustra muito bem a atmosfera desses romances, afirmando sobre os homens em geral, transcrevendo trecho do livro de Dostoiévski: “Todos, como se nos encontrássemos numa estação ferroviária”.


“Essas poucas palavras - diz Lukács - exprime algo extraordinariamente importante. Em primeiro lugar, para essas pessoas toda situação tem caráter transitório. Estamos parados numa estação esperando a saída do trem. Naturalmente a estação não é a nossa casa, assim como o trem é apenas a passagem de um ponto para outro. Essa imagem exprime apenas a passagem de uma forma genérica o sentido da própria vida dos personagens de Dostoiévski. Memórias da Casa dos Mortos, escrita no cárcere ele observa que até mesmo os condenados a 20 anos consideram a permanência na prisão como um estado transitório.”


Em breve voltaremos com mais um texto sobre a vida e a obra do escritor. Leia também, FIÓDOR DOSTOIÉVSKI, VIDA OBRA – PRIMEIRA PARTE.




REFERÊNCIAS:
GROSSMAN, Leonid. Dostoiévski Artista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
MASON, Jayme. Mestres da Literatura Russa. Rio de Janeiro: Obejtiva, 1995.
MORAIS, Regis de. Fédor M. Dostoievski. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 19982.
LUKÁCS, Georg. Ensaios Sobre Literatura. Tradução de Leandro Konder. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
FRANK, Joseph. Dostoievski. La secuela de la liberación 1860-1865. México: Fondo de Cultura Económica”, 1993.

17 de set de 2009

DINHEIRO APLICADO EM AÇÕES



por Pedro Luso de Carvalho

Enquanto aguardava a partilha de uma pequena herança, em ação de inventário que tramitava numa das Varas de Família e Sucessões do Foro Central de Porto Alegre, meu cliente, um dos herdeiros, não saia do banco que elegeu para fazer suas futuras aplicações monetárias, buscando entender os meandros da Bolsa de Valores, para, no mínimo, duplicar o dinheiro que logo passaria aplicar.


De posse de seu formal de partilha, não titubeou: destinou tudo o que recebeu em ações, de médio e longo prazo. Resultado: transcorrido um pouco mais de três anos, o dinheiro sumiu, na sua integralidade. Hoje, esse incauto aplicador em ações vive as amarguras que são próprias de quem não tem mais perspectivas. É mais um número nesse caos.


Essa história que contam, que uma aplicação financeira em ações de empresas sólidas - principalmente para longo prazo -, traz resultados de ganho garantido, não é engodo recente, pelo contrário, vem de muitos anos. É o que encontramos na obra O Fim dos Ricos, do Professor Honorário do Colégio de França e Representante da França nos Nações Unidas, Alfred Sauvy, com tradução de Roberto Cortes de Lacerda e Helena da Rosa Cortes de Lacerda, publicado pela Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1977. O demógrafo, antropólogo e historiador da economia francesa, Alfred Sauvy (1898-1990), foi quem cunhou a expressão "Terceiro Mundo", que a usou para classificar, no âmbito da economia política, os países pobres; países esses que, ainda hoje, são chamados pelos políticos e por alguns economistas, de “países em desenvolvimento”, num eufemismo mal-intencionado.


Vejamos, pois, o que Sauvy escreveu, em 1975, quando a Editora Calmann-Lévy, de Paris, França, editou Le fin des riches: “O difícil, como se sabe, não é tanto ganhar dinheiro, mas conservá-lo. Tradicionalmente, aquele que economiza, isto é, adia um consumo, tem intenção de efetuá-lo mais tarde, com, até mesmo, um pequeno suplemento. Se a soma anual é suficiente, o proprietário pode viver sem fazer nada”.


“Entretanto, o capitalista - prossegue Sauvy -, na acepção de alguém que vive de rendas, desapareceu. Desde os anos 20, quando a esperança insensata do “retorno a como era antes” se dissipou, aqueles que poupam se voltaram para os valores “reais”, que são as ações. Mas visto que, com o passar do tempo, o cálculo se apresentava cada vez mais decepcionante, foi preciso procurar outra coisa. Se bem que uma sociedade por ações possua, sem dúvida, “valores reais”, fábrica etc, uma ação nunca é mais do que um papel. Antes da nacionalização das estradas de ferro, as companhias tinham um ativo enorme, mas o valor das estações, vias, oficinas, material rolante etc, não tinha qualquer sentido mercantil, até mesmo... a estação de Perpignan, tão grata a Salvador Dali”.


Conclui, Sauvy: “O incansável poupador que, por função, segrega incansavelmente o seu suco, procurou verdadeiros “valores reais”, para conservar o fruto do seu suor ou da sua massa cinzenta. Muitas soluções se apresentaram a essa formiga”. O autor termina esse capítulo, falando sobre o ouro, Picasso, pedra e terra. Possivelmente, voltaremos a esse assunto mais tarde.

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8 de set de 2009

ERICH FROMM - A ADAPTABILIDADE DO HOMEM





por Pedro Luso de Carvalho



Escolhemos para esta publicação um texto de Erich Fromm, um dos mais destacados psicanalistas e ensaístas contemporâneos. Fromm estudou Sociologia e Psicanálise nas Universidades de Heidelberg, Frankfurt e Munique. Por ser descendente de judeus, e antevendo, com a ascensão do nazismo, o que mais tarde viria acontecer na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), emigrou para os Estados Unidos em 1932, tornando-se cidadão norte-americano. Seus livros ainda são traduzidos em muitos países. Deu interpretação própria às finalidades da terapêutica, aprofundando-se no estudo sobre a necessidade de ajustar o indivíduo ao meio social e cultural. Erich Fromm nasceu em Frankfurt am Main, em 23 de março de 1900, e faleceu em Muralto, Suíça, em 18 de março de 1980.


Segue, pois, um trecho do livro Análise do Homem (Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1960), trecho este que tem por título Natureza e Caráter do Homem, no qual Erich Fromm inicia-o com ênfase na situação humana, dizendo:


“Um indivíduo representa a raça humana: ele é um exemplo específico da espécie humana. Ele é “ele” e é “todos”; ele é um indivíduo com suas peculiaridades e, nesse sentido, sem igual, mas ao mesmo tempo é representativo de todas as características da raça humana. Sua personalidade individual é determinada pelas peculiaridades da existência humana, comum a todos os homens. Por isso, o exame da situação humana deve preceder o da personalidade”.


E, no título A Debilidade Biológica do Homem, diz Fromm: “O primeiro elemento que diferencia o homem da existência animal é negativo: a ausência relativa, no homem, de uma regulação instintiva do processo de adaptação ao mundo que o rodeia. O modo de adaptação do animal a seu mundo é sempre o mesmo; se o seu equipamento instintivo não mais estiver apto a fazer face a um meio em transformação, a espécie perecerá. O animal pode adaptar-se a condições mutáveis modificando-se a si próprio – aloplasticamente.

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Desta maneira, ele vive harmoniosamente - escreve Fromm -, não na acepção de ausência de luta, mas na de que seu equipamento herdado torna-o uma parte fixa e imutável de seu mundo: ou ele se adapta ou morre. “Quanto menos completo e rígido for o equipamento instintivo dos animais, tanto mais desenvolvido será seu cérebro e, por conseguinte, sua capacidade de aprendizagem”.


A seguir, Fromm diz que o homem está em parte em desvantagem em relação aos animais e traça uma comparação com o homem, desprovido que é desse instinto para adaptar-se, com a mesma intensidade que os animais: “O aparecimento do homem pode ser definido como tendo ocorrido no ponto do processo da evolução em que a adaptação instintiva atingiu seu mínimo. Ele aparece, porém, com novas qualidades que o diferenciam do animal: sua consciência de si mesmo como entidade independente, sua capacidade de lembrar o passado, de visualizar o futuro, e de indicar objetos e atos por meio de símbolos; sua razão para conceber e compreender o mundo; e sua imaginação, graças à qual ele alcança bem além do limite de seus sentidos. O homem é o mais inerme dos animais, mas esta mesma debilidade biológica é a base de sua força, a causa primordial do desenvolvimento de suas qualidades especificamente humanas”.


E no que diz respeito à condição gregária do homem, contrária, pois, a uma vida alienada, longe de seus semelhantes, diz Erich Fromm: “O homem é sozinho e, ao mesmo tempo, relacionado com outros. Ele é sozinho por ser uma entidade original, não idêntica a outrem, e cônscio do próprio ‘eu’ como uma entidade independente. Ele tem de ficar sozinho quando precisa julgar ou tomar decisões exclusivamente baseado no poder de seu raciocínio. E, no entanto, ele não suporta ficar sozinho, desligado de seus semelhantes. Sua felicidade depende da solidariedade que sente com os outros homens, com as gerações passadas e futuras”.

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1 de set de 2009

T. S. ELIOT - Os Homens Ocos




PEDRO LUSO DE CARVALHO


T. S. Eliot, é o nome literariamente adotado por Thomas Stearns Eliot. O escritor norte-americano nasceu em St. Louis, Missouri. Estudou na Universidade de Harvard, onde concluiu o curso de medicina, em 1910. E depois, também em Harvard, doutorou-se em Filosofia. Mais tarde, tornar-se-ia um dos poetas modernos mais discutidos na Europa e nos Estados Unidos. Eliot também foi responsável por importantes ensaios, e, como dramaturgo, por peças de teatro, dentre elas, Assassinato na Catedral (1935).
Em 1914, Thomas Eliot passou a residir na Inglaterra. Após a deflagração da Primeira Guerra Mundial, lecionou filosofia na conceituada universidade de Oxford. Com 25 anos, Eliot resolveu que não mais voltaria a morar nos Estados Unidos. Quando contava com 39 anos de idade, no ano de 1927, tornou-se cidadão britânico. Em 1948 , recebeu o Premio Nobel de Literatura. A sua morte, em 4 de janeiro de 1965, na Inglaterra, deixaria uma importante lacuna na literatura.
No trabalho que publicamos em 25.08.2009, que se encontra postado abaixo deste, intitulado T. S. ELIOT - POESIA E TEATRO, não foi publicado, na oportunidade, nenhum de seus poemas, mas o faremos hoje com “Os homens ocos”, poema de 1925, traduzido por Ivan Junqueira.


OS HOMENS OCOS
T. S. ELIOT


                                                 "    A penny for the Old Guy"
                                                    (Um pêni para o Velho Guy)




Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada
Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.
               II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular
               III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.
                IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio
Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.
               V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada
Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.





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20 de ago de 2009

JAMES ROBINSON - O Pensamento Crítico






por Pedro Luso de Carvalho

Escolhemos para esta publicação trechos do livro The Mind in the Making, de James Harvey Robinson, traduzido para o português por Monteiro Lobato com o título de A Formação da Mentalidade. Trata-se da terceira edição da obra, esta publicada pela Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1957.


O professor de História norte-americano, da Universidade de Pennsylvania e da Universidade de Columbia, James Harvey Robinson, nasceu em Bloomington, Illinois, em 29 de junho de 1863 - faleceu em 16 de fevereiro de 1936. Foi um dos fundadores e o primeiro diretor da Nova Escola para Pesquisa Social, em 1929. Em suas obras e palestras sempre deu ênfase na “Nova História”, na qual incluía não apenas acontecimentos políticos, mas também o social, o científico, o intelectual e o progresso da humanidade. Por isso, exerceu grande influência no ensino da História em seu país.

Passemos, pois, a A Origem do Pensamento Crítico, do livro The Mind in the Making, ("A Formação da Mentalidade"), de James Harvey Robinson, com trechos do início desse capítulo:

"Ao que sabemos, foram os egípcios o primeiro povo que inventou um método de escrever, há cinco ou seis mil anos atrás, e concebeu novas artes desconhecidas de seus bárbaros predecessores. Desenvolveram a pintura e a arquitetura, e ainda várias e engenhosas indústrias; trabalharam o vidro e criaram o esmalte; começaram a usar o cobre, desse modo introduzindo o metal na vida humana. Mas a despeito do extraordinário adiantamento prático dos egípcios, permaneceram eles muito primários em suas crenças.

O mesmo pode ser dito dos povos da Mesopotâmia e dos do ocidente asiático. E o mesmo foi observado entre nós, pois que entre nós as artes práticas se desenvolveram muito antes de começada a revisão das idéias relativas ao homem e aos deuses. As opiniões peculiares dos egípcios não penetraram diretamente em nossa herança intelectual; mas algumas das idéias religiosas fundamentais desenvolvidas no ocidente asiático, influenciaram-nos por intermédio da adaptação judaica.
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Para os gregos, entretanto, a nossa dívida é pesadíssima. A literatura grega, nos fragmentos escapos à destruição, estava destinada, conjuntamente com as Escrituras Hebraicas, a exercer uma incalculável influência na formação da mentalidade moderna. Essas duas heranças literárias originaram-se aproximadamente ao mesmo tempo, na perspectiva da história da espécie. Antes da civilização grega, os livros não haviam representado papel de vulto no desenvolvimento, disseminação e transmissão da cultura de uma geração para outra. Mas a partir da Grécia tornar-se-iam a principal força no estimular ou retardar a expansão do espírito humano.
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Foram necessários mil anos para que os pastores gregos das pradarias do Danúbio assimilassem a cultura das civilizadas regiões em que eles apareceram como bárbaros destruidores. Aceitaram as artes industriais do Mediterrâneo, adotaram o alfabeto fenício e competiram com os mercadores mais alertas da época. Pelo sétimo século antes de Cristo já possuíamos cidades, colônias e comércio, com muita movimentação de um ponto para outro. Os primeiros traços da nova intelectualidade nós os recolhemos nas cidades jônias, sobretudo Mileto, e nas colônias gregas da Itália. Só mais tarde se tornou Atenas o grande centro daquela maravilhosa maré da inteligência humana”.


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16 de ago de 2009

ARNOLD J. TOYNBEE – O SENTIDO DA VIDA





por Pedro Luso de carvalho



Arnold Joseph Toynbee (1889-1975), que se tornou conhecido por sua obra prima A Study of History, escreveu um livro excelente, nascido pelos diálogos que manteve com o professor Wakaizume, da Universidade Sangyo, Kyoto, do Japão, A Sociedade do Futuro (Surviving the Future), Essa obra do mestre da historiografia moderna, composta por sete ensaios, com cada um deles explorando a pergunta inicial que lhe foi feita por Wakaizume sobre a configuração futura do mundo, foi publicada no Brasil em 1976, já na sua 3ª ed., pela Zahar Editores, com tradução de Celina Whately.


Escolhemos, dentre os sete ensaios que compõe A Sociedade do Futuro, para esta publicação, trechos do primeiro ensaio, intitulado ‘O Sentido da Vida’, págs. 13-20, que se inicia com a pergunta que o professor Wakaizume faz a Arnold Toynbee:


WAKAIZUME: "A ciência aplicada à tecnologia tem produzido diversas, complexas e revolucionárias transformações em nossa vida. A rapidez com que se processam faz com que se torne cada vez mais difícil analisá-las. A sociedade que durante milhares de anos foi agrícola, pastoril e rural está-se tornando industrial e urbana. A conseqüente confusão, pressão e tensão que sofremos hoje em dia leva-nos a reconsiderar a questão fundamental do significado e do objetivo da vida. Para que vivem os homens?"


TOYNBBE: "A confusão, a pressão, as complicações e as rápidas transformações da vida moderna refletem-se sobre toda a humanidade e principalmente sobre os jovens. A juventude deseja encontrar o seu caminho, entender o sentido de viver, compreender as circunstâncias com que se defronta. Para que vivem os homens? Essa pergunta que aflige mais aos jovens persegue, entretanto, a todos, em qualquer idade.


Eu diria – continua Toynbee –que o homem deveria viver para amar, compreender e criar. Deveria empregar toda sua habilidade e força sacrificando-se, se necessário fosse, para a consecução desses três objetivos. Qualquer coisa valiosa pode exigir sacrifícios e se você considerá-la valiosa estará preparado para o sacrifício.


Pessoalmente eu acredito – diz Toynbee – que o amor seja um valor absoluto, aquele que dá significado à vida humana e à de algumas espécies de mamíferos e pássaros que, como nós, a meu ver, vivem para o amor. Também acredito (embora saiba que isso não possa ser demonstrado) que o amor que nós conhecemos através de experiências concretas de seres humanos no nosso planeta está presente da mesma forma que um espírito maior, transcendental. O amor pode, e efetivamente às vezes o faz, gerar um amor retributivo. Sabemos, por experiência própria, que quando isso ocorre o amor se expande e se espalha. Entretanto, o amor também pode defrontar-se com a hostilidade e então exigirá um auto sacrifício, mesmo que não vejamos nenhuma possibilidade da hostilidade se transformar em amor”.

10 de ago de 2009

SIGMUND FREUD / Ernest Jones





                            por Pedro Luso de Carvalho



         Dentre os muitos escritores que se ocuparam em escrever a trajetória da vida do médico Sigmund Freud, o criador da psicanálise, o mais importante deles foi Ernest Jones, que escreveu um livro excelente com mais de setecentas páginas, intitulado The Life Work of Sigmund Freud; Lionel Trilling e Steven Marcus foram os responsáveis pela organização e pelo resumo da obra; Trilling também escreveu a sua introdução, para ser editada pela Basic Books Publishing Co., Inc., em 1961. No Brasil, o livro foi editado em 1975, 2ª ed., com o título de Vida e Obra de Sigmund Freud, pela Zahar Editores, com tradução de Marco Aurélio de Moura Mattos.

       Trilling inicia a introdução do livro, dizendo: “Sigmund Freud pronunciou-se resolutamente, em várias oportunidades, contra o fato de vir a ser objeto de um estudo biográfico, dando como uma de suas razões a afirmativa de que a única coisa importante acerca da sua pessoa eram as suas idéias – a sua vida pessoal, dizia ele, com toda a certeza não poderia ter o menor interesse para o mundo”.

        Para Lionel Trilling, a pessoa de Freud não foi secundada por sua opinião; seu nome e suas idéias foram objeto de reconhecimento universal. Motivos para essa aceitação: “a grandeza e natureza de sua obra”; inegavelmente, O Ocidente rendeu-se à Psicanálise, à teoria relativa a certas doenças mentais; ficou também fascinado pela pessoa de seu criador. “A obra é vasta e concatenada – escreve Trilling – corajosa e magnânima na sua intenção; e não podemos dizer menos da sua vida”.

        O psicanalista nascido em Gowerton, país de Gales, do Reino Unido, Ernest Jones, foi um dos dois ou três membros mais destacados do famoso ‘Comitê', grupo formado por Freud e seus mais admirados e fiéis colegas, escreve Trilling; e, mais: “Freud encontrou em Ernest Jones o seu biógrafo predestinado e plenamente adequado. No correr dos anos, não temos dúvida a respeito, outras biografias de Freud serão escritas, mas na medida em que houver virtudes específicas em quaisquer delas dependerão da obra monumental e autorizada do Dr. Jones”.
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        Diz mais, Trilling, sobre o famoso biógrafo: “Vinculado como estava à Psicanálise nos seus aspectos, digamos, mais ortodoxos, a ele foi sempre possível, pela razão mesma dessa vinculação vigorosa, assumir e manter-se ao nível de Freud acerca de certos itens da teoria”. Vejamos agora o que escreve Ernest Jones no início de sua introdução à Vida e Obra de Sigmund Freud, bem como outro trecho, mais adiante, dessa introdução:

        “Esta não tem a intenção de ser uma biografia popular de Freud - escreve Jones - muitas delas já foram escritas, registrando sérias distorções e inverdades. Seus objetivos consistem simplesmente e anotar os fatos principais da vida de Freud, enquanto ainda são acessíveis, e – numa intenção mais ambiciosa – tentar vincular sua personalidade e as experiências da sua vida ao processo de desenvolvimento de suas idéias”. Segue o segundo trecho da introdução escrita por Ernest Jones:

        “O que Freud deu ao mundo não foi uma teoria da mente perfeitamente acabada e burilada, uma filosofia que talvez pudesse ser debatida sem qualquer referência ao seu autor, mas uma visão que gradualmente se ampliava, uma visão que ocasionalmente se empanava, mas que, em seguida, se tornava luminosa. A Psicanálise, como se passa verdadeiramente com qualquer outro ramo da ciência, só pode ser proveitosamente ser estudada como uma evolução histórica, nunca como se fosse um corpo de conhecimento aperfeiçoado – e o seu desenvolvimento achava-se peculiar e intimamente ligado à personalidade de seu fundador”. 
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                                                                 *  *  *

4 de ago de 2009

LOUIS PASTEUR - A Ciência Moderna

                           
                 por Pedro Luso de Carvalho

     
       No ano de 1967 a Editora Edart publicou o livro Pasteur e a Ciência Moderna, escrito pelo francês René Dubos, no qual faz um relato minucioso das descobertas do criador da microbiologia, Louis Pasteur. René Jules Dubos (1901-1982) recebeu o grau de Doutor em Filosofia na Universidade Rutgers, em 1927. Foi microbiologista e patologista eminente, pioneiro na descoberta dos antibióticos; membro e professor do Instituto Rockefeller, de Nova York. Em 1944, lecionou na Universidade de Harvard no período de dois anos, sem ter deixado o Instituto.

        Nos quatorze capítulos dessa interessante obra sobre Louis Pasteur, físico, químico e biólogo, e um dos nomes mais importantes da ciência de todos os tempos, René Dubos traça uma biografia do cientista antes de abordar as suas pesquisas de estereoquímica, aos seguintes estudos: 1) sobre as fermentações [demonstrou que eram causadas por microorganismos e que não existia a “geração espontânea” de micróbios]; sobre o bicho-da-seda; 2) sobre os vinhos; 3) sobre a conservação da cerveja (pausterização). E, também, outras descobertas, como: o micróbio que causa o carbúnculo (e a vacina); vibrião séptico [descoberta]; o estafilococo; a vacina contra a raiva etc. 


        Louis Pasteur nasceu na pequena cidade francesa de Dôle, no dia 27 de dezembro de 1822. Sua família vivia com os sacrifícios próprios de quem não tem posses. Seu pai, um ex-sargento dos exércitos de Napoleão, que trabalhava com um pequeno curtume em sua casa, acalentava o sonho de ver seu filho formar-se para se tornar professor, profissão que na época representava grande distinção, e, para isso, não poupou esforços para mantê-lo estudando. Uma vez concluída a Escola Normal Superior, ingressou no magistério, mas aí ficaria por pouco tempo, já que voltaria sua vida para a ciência, com dedicação exclusiva.
       Pasteur dedicou-se, desde muito cedo, ao desenho e à pintura, e em certa altura de sua vida pretendeu tornar-se profissional, como caricaturista, inclusive. Mas, aos dezenove anos, deu a definitiva guinada em sua vida ao decidir-se pela ciência, em detrimento da carreira artística. Albert Edelfeldt, pintor de prestígio, que pintou o retrato de Pasteur em seu laboratório, em 1887, que se tornaria famoso, disse, por carta que “se Pasteur tivesse escolhido a arte ao invés da ciência, a França contaria hoje com mais um hábil pintor...” Perdeu a pintura para a ciência, em benefício da Humanidade.
       
        Por suas pesquisas e descobertas, Pasteur mereceu o lugar que ocupou na Academia Francesa de Letras, em 1882, já no ocaso de sua existência; o mesmo pode ser dito por ter integrado a Academia de Ciências (dela recebeu um prêmio por seus estudos sobre fermentação, em 1861). Bem antes de ter recebido essas honrarias Pasteur já havia recebido a Légion d'Honneur Francesa pela descoberta sobre o desvio no plano de polarização da luz, com apenas 26 anos de idade. Por tudo o que fez em prol da Humanidade, Pasteur constituiu-se no seu maior benfeitor.


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28 de jul de 2009

CORTÁZAR FALA SOBRE NERUDA





por Pedro Luso de Carvalho

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A Editora Civilização Brasileira lançou, em 2001, Obra crítica/3, de Julio Cortázar, um livro de excelente qualidade, o que, aliás, não surpreende, já que estamos falando de um importante romancista, contista, ensaísta e crítico. Nessa obra, em três volumes, vê-se que quem o escreve é um escritor erudito, maduro e sensível, aí distante das suas obras de ficção, já que se volta para ensaios, crítica, artigos e cartas . O responsável pela organização da obra foi Saúl Sosnowski. Os tradutores foram Paulina Wacht e Ari Roitman.


Escolhemos de Obra crítica/3, o ensaio Neruda entre nós, escrito por Cortázar, em Genebra, no ano de 1973, no qual analisa a época em que Neruda conviveu com seus amigos, na Ilha Negra e fora dela; em que fala de sua poesia, de sua luta política - sempre sonhando com a igualdade social, não apenas no Chile, seu país, ou na América do Sul, mas em todo o mundo, sem quaisquer fronteiras, nesse sentido. Vejamos, pois, o que Cortázar fala sobre Neruda, nos trechos que seguem:


“Tão próximo como está na vida e na morte, toda tentativa de ‘fixá-lo’ a partir da escrita corre o risco de qualquer fotografia, de qualquer testemunho unilateral: Neruda de perfil, Neruda poeta social, as abordagens usuais e quase sempre falíveis. A história, a arqueologia, a biografia, coincidem na mesma tarefa terrível: espetar a borboleta no cartão. E o único resgate que as justifica vem da região imaginária da inteligência, de sua capacidade para ver em pleno vôo aquelas asas que já não são cinza em cada pequeno ataúde de museu.


Quando entrei pela última vez em seu quarto na Ilha Negra, em fevereiro deste ano, Pablo Neruda estava na cama, talvez já definitivamente imobilizado, e no entanto sei que naquela noite andamos juntos, por praias e sendas, que chegamos ainda mais longe do que dois anos antes, quando ele veio me receber na entrada da casa e quis me mostrar as terras que pensava doar para que depois de sua morte erguessem ali uma residência para escritores jovens.


Assim, como se estivesse passeando ao seu lado e ouvindo as suas palavras, gostaria de dizer aqui a minha palavra de latino-americano já velho, porque muitas vezes no turbilhão da quase impensável aceleração histórica do século senti dolorosamente que para muitos a imagem universal de Pablo Neruda era uma imagem maniqueísta, uma estátua já erigida que os olhos das novas gerações olhavam com o respeito entremesclado de indiferença que parece ser o destino de todo bronze em toda praça.


Gostaria de poder contar a estes jovens de qualquer país do mundo, com a simplicidade de quem encontra os amigos num bar, as razões de um amor que transcende a poesia por si mesma, um amor que tem outro sentido, diferente do meu amor pela poesia de John Keats ou de César Vallejo ou de Paul Eluard; falar do que ocorreu nas minhas terras latino-americanas nesta primeira metade de um século que já se confunde para eles na continuidade de um passado que tudo devora e confunde".


Neste ponto deste ensaio de Cortázar, damos um salto para a página em que fala de seu relacionamento com Neruda. “Conheci muito pouco o homem Pablo Neruda, porque entre os meus defeitos está o de não me aproximar dos escritores, preferir egoisticamente a obra à pessoa. Tive dois testemunhos do seu afeto por mim: um par de livros com dedicatória que me remeteu a Paris, sem jamais ter recebido nada meu, e uma página que enviou para a revista cujo nome não me lembro, na qual generosamente tentava aplacar uma falsa, absurda polêmica entre José Maria Argüedas e mim a propósito de escritores residentes e escritores exilados”.


Damos mais um salto desta página para o final do ensaio de Cortázar: “Na minha primeira visita, dois anos antes, tinha me abraçado dizendo um ‘até logo’ que se cumpriria na França; dessa vez nos fitou por um instante, suas mãos nas nossas, e disse: “Melhor a gente não se despedir, não é mesmo?”, os fatigados olhos já distantes.


Era assim mesmo, não tínhamos que nos despedir; isto que escrevi é a minha presença junto a ele e junto ao Chile. Sei que um dia voltaremos à Ilha Negra, que o seu povo entrará por aquela porta e encontrará em cada pedra, em cada folha de árvore, em cada grito de pássaro marinho, a poesia sempre viva deste homem que tanto o amou”.


PABLO NERUDA, como era conhecido Neftalí Ricardo Reyes, nasceu em Parral, em 1904, e morreu em Santiago, Chile, em 1973. Em 1971, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.


JULIO CORTÁZAR, filho de pais argentinos, nasceu em Bruxelas, em 1914; foi educado na Argentina, onde estudou Letras e trabalhou como professor em áreas rurais do país; era naturalizado argentino. Em 1951, mudou-se para Paris, onde morreu no ano de 1984.