25 de mar de 2015

ALEXANDER PUSHKIN – Poesia e Ficção

                 
                 

                               – PEDRO LUSO DE CARVALHO
  

         ALEXANDER PUSHKIN consagrou-se por ser o maior poeta da língua russa. Além de poeta, foi dramaturgo, romancista e contista. Sua vocação para o verso foi despertado na infância, vocação essa que iria colocar o seu nome no topo da galeria dos grandes poetas, depois que escreveu o romance em versos Evguieni Oneguin – “o início de todos os inícios”, disse Gorki – “mais singular manifestação do espírito russo”, disse Gogol. 
Jayme Mason diz, em seu livro Mestres da Literatura Russa: “A musicalidade de sua poesia, tão à feição da língua russa, fez com que quase todos os grandes compositores de sua terra musicassem suas obras, desde Tchaikovsky, Glinka, Rimiski-Korsakov e outros”.
Alexander Serguievitch Pushkin nasceu em Moscou a 6 de junho de 1799. Seus pais chamavam-se Serguiei  Lvovitch e Nadejda Ossipovna. Pela linha materna, Pushkin tinha descendência africana.
Seus pais, que tinham posses, deram condições ao menino Alesander de ter sido criado por Arina Radionoyna, jovem escrava liberta, que permaneceu com a família; Arina era doce, extrovertida e conhecedora de  contos e de canções populares.
A família Pushkin usava o idioma francês tão bem quanto o idioma russo. O menino prestava atenção nas conversas entre tutores e governantas estrangeiras, e entre adultos, nos salões e nas festas. Além das facilidades para as duas línguas, tirou proveitos para sua formação no convívio familiar e social.
Em 1811, o menino Alesander Pushkin foi admitido no Liceu de Tsarskkoie-Selô, instituição modelar de ensino, onde cada aluno tinha seu próprio aposento. O Imperador Alexandre I era o patrocinador do Liceu, que estava situado entre jardins, canteiros floridos e fontes. Entre os professores, muitos eram da Universidade de São Petersburgo.
Na época em que Pushkin estudava no Liceu de Tsarskkoie-Selô ocorriam fatos históricos importantes, dentre eles a invasão da Rússia por Napoleão, o incêndio de Moscou, a entrada do exército russo na Europa, a tomada de Paris, o exílio de Napoleão. (Mais tarde, também abordaria temas com motivos da História russa.)
Suas criações poéticas começaram no Liceu Tsarskkoie-Selô, com a história fantástica Russlan e Ludmila, odes e epigramas diversos, poemas românticos, como O Prisioneiro do Cáucaso, Os Irmãos Bandidos, seu grandioso Cavaleiro de Bronze e muitas outras. Seria influenciado por Voltaire e Shakespeare.
O romance (em versos) Evguieni Oneguin é sua obra-prima. Na tragédia, Boris Godunov, sua obra-prima, marcou profundamente o gênero. Pushkin é o fundador da moderna literatura russa. Sua poesia bem demonstra o gênio universal que é, e que tem o seu lugar ao lado de Dante Shakespeare e Goethe.
Seus pensamentos, expressos de maneira sintética, simples e clara, sua rima sonora e melódica, usavam de maneira extraordinária as potencialidades da língua nativa. Ninguém jamais o superaria. A sua influência se estendeu para outras artes, pela pintura e pela música, atingindo tal influência aos grandes compositores da Rússia. Quanto ao seu primeiro modelo, seria Byron, o poeta de Childe Harold’s Pilgrimage, de Don Juan, mestre do lirismo europeu.
Engaja-se na luta pelos ideais da liberdade, torna-se o porta-voz dos ideais estéticos da juventude e da pobreza de vanguarda. Sua Ode à liberdade fere o despotismo e a autocracia. Atrai sobre si a perseguição do tzar, que não mais lhe daria paz.
Pushkin, que se tornaria o maior poeta dentre todos os russos, e que serviria de modelo para Dostoievski e e Gogol, passou a sofrer as humilhações de perenes confinamentos, tendo de apresentar-se periodicamente a generais, tutores e não podendo deslocar-se sem licença prévia.
Seria uma tarefa impossível tentar sintetizar a filosofia e a cosmovisão de Pushkin. Seus ideais poéticos eram totalmente ligados a seus objetivos artísticos, e seria inviável enquadrá-los num esquema ideológico ou filosófico.
As figuras masculinas e femininas de Evguieni Oneguin, Oneguin e Tatiana, são fortemente russas. Ele – a personagem – era modelo do aristocrata desocupado, ela era conjunção de altos valores de ternura, amor puro, inocência e fidelidade.
Suas obras chamadas “menores” têm seus lances e contornos épicos transcendentes. Que melhor estereótipo, de independência de espírito, de revolta surda contra o establishment do estado, que esmaga o indivíduo enorme, do que o Cavaleiro de Bronze? Obra grandiosa que ganhou a universalidade.
Pode-se afirmar com segurança que a tragédia Boris Gudonov, de Pushkin, cabe num lugar ao lado das maiores criações dos imortais mestres Dante e Shakespeare.
Principais obras: (poesia) O prisioneiro do Cáucaso, seu primeiro grande poema (1821) Ruslan e Ludmilla, 1820; Ode à liberdade, 1820; As ciganas, 1824; Eugene Oneguin, 1825-1832; O cavaleiro de bronze, 1833; (peça) Mozart e Sallieri, 1830; Boris Godunov, 1831;(conto) Damas de espadas, 19xx; Contos de Belkin, 1830; A filha do capitão, 1836 (romance) O negro de Pedro, O Grande (inacabado), 1827.
Alexander Pushkin morreu no dia 27 de janeiro de 1837, depois de ter sido ferido por um tiro, em duelo que teve com o amante de sua esposa Natália Nicolaievna Gontchanova.
Com a sua morte, aos 37 anos de idade, a Rússia pranteava o seu poeta maior. Todos os grandes poetas, romancistas e contistas russos pósteros, sofreram a influência de Pushkin.


REFERÊNCIA:
MASON, Jayme. Mestres da Literatura Russa. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.


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