19 de dez de 2014

[Conto] FRANZ KAFKA – Prometeu



– PEDRO LUSO DE CARVALHO
      
FRANZ KAFKA nasceu em Praga no dia 3 de julho de 1883; vítima de tuberculose, morreu em 3 de junho de 1924, aos 41 anos de idade, no Sanatório de Keerling, perto de Viena; foi enterrado em Praga, no Cemitério de Straschinitz. Nessa época, Kafka era conhecido apenas por um círculo de amigos; sua obra somente seria conhecida 20 anos após a sua morte.
Segue depoimentos de alguns escritores importntes, sobre o escritor e a obra de Franz Kafka:
W.H. AUDEN (poeta inglês) Se eu tivesse que escolher o autor que tem para com nossa época aproximadamente a mesma relação que Dante e Shakespeare para com a sua, Kafka é o primeiro nome em que eu pensaria.
GEORGE STEINER (ensaísta) Nenhuma outra voz testemunhou de maneira mais fiel à natureza de nossa época.
PAUL CLAUDEL (escritor francês) Ao lado de Racine, que para mim é o melhor de todos os escritores, há um: Franz Kafka.
JORGE LUIS BORGES (escritor argentino) Duas ideias, ou melhor, duas obsessões regem a obra de Franz Kafka: a subordinação é a primeira, e o infinito a segunda. A mais indiscutível virtude de Kafka é a invenção de situações intoleráveis.
Outros nomes da literatura, igualmente de grande expressão, manifestaram-se sobre a genialidade de Franz: Aldous Huxley, André Gide, Hermann Hesse, Thomas Mann, Virginia Wolf, Albert Camus, entre outros. 
Segue o conto de Franz Kafka intitulado Prometeu (In Franz Kafka. Contos. Seleção e prólogo de Jorge Luis Borges. Tradução de Isabel Castro Silva. Lisboa: Relógio D’Água Editores, 2005, p. 41):

   PROMETEU
     – FRANZ KAFKA

A lenda tenta explicar o que não se pode explicar; porque vem de um fundamento de verdade, tem de terminar no que não se pode explicar.
De Prometeu conhecemos quatro lendas. Diz a primeira que ele foi agrilhoado no Cáucaso por ter traído os deuses aos homens e que os deuses enviaram águias que lhe devoravam o fígado que se renovava sem fim.
Diz a segunda que, com a dor das bicadas que o atormentavam, Prometeu se apertou cada vez mais contra o rochedo até se tornarem um.
Diz a terceira que passados milhares e milhares  de anos a sua traição foi esquecida, os deuses esqueceram, as águias, ele próprio.
Diz a quarta que todos se cansaram do que já não tinha fundamento. Os deuses cansaram-se, as águias. A ferida fechou-se cansada.
Restou o rochedo inexplicável.

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