12 de abr de 2014

MANOEL BANDEIRA – Pneumotórax



– PEDRO LUSO DE CARVALHO

Em 1903, Manoel Bandeira muda-se para São Paulo e matricula-se na Escola Politécnica. O pai, engenheiro, influenciara o filho a tornar-se arquiteto. Emprega-se na Estrada de Ferro Sorocabana. À noite, frequenta o Liceu de Artes e Ofícios, onde estuda desenho de ornato.
No ano seguinte, adoece  do pulmão e abandona os estudos. Volta ao Rio e depois vai para Teresópolis, Maranguape, Uruquê e Quixeramobim, cujos climas frios foram indicados para o tratamento da doença.
Bandeira escreve, sob a influência de Guilhaume Apollinaire, os primeiros versos livres, em 1912. Um ano depois, embarca para a Europa, e, por indicação do escritor brasileiro João Luso, interna-se no sanatório de Clavadel, perto de Davos Platz, para tratar de sua saúde.
No sanatório, conhece Paul Éluard, que também sofria de tuberculose. Na Europa, o poeta retoma o estudo do idioma alemão, que havia iniciado no ginásio.   A volta do poeta ao Brasil dá-se em 1914, quando eclode a Primeira Guerra Mundial.
No Rio de Janeiro, Bandeira dedica-se à leitura de Goethe, Lenau e Heine. Passa a residir na rua N. S.ª de Copacabana (mais tarde avenida) e depois na rua Goulart, no Leme.
Em 1916, falece a mãe do poeta. No ano seguinte, publica A cinza das horas, o seu primeiro livro, cujos duzentos exemplares foram impressos nas oficinas do Jornal do Comércio.
Segue o poema de Manoel Bandeira, intitulado Pneumotórax, (In Libertinagem & Estrela da manhã / Manuel Bandeira –  1. ed. especial –  Rio de Janeiro:  Nova Fronteira, 2005 (40 Anos, 40 Livros), pág. 15:

PNEUMOTÓRAX
– MANOEL BANDEIRA


Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que poderia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
– Respire.

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– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


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* Você pode ler a terceira parte, com um clique em: Cotovia


REFERÊNCIA:
BANDEIRA, Manoel. Seleta de prosa e verso; organização, estudos e notas de Manoel de Moraes. 2ª ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975.



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