5 de nov de 2012

WERNECK SODRÉ – A Música Brasileira - Parte III



por Pedro Luso de Carvalho


Seguimos com A Música Brasileira,  agora na sua terceira parte, com a análise que é feita por Nelson Werneck Sodré, no capítulo Música, do seu livro Síntese de História e Cultura Brasileira (Civilização Brasileira, 9ª ed., Rio de Janeiro, 1981). Na segunda parte desse texto, minha última postagem, Nelson Werneck Sodré fala dos versos de Chão de estrelas, de Orestes Barbosa, bem como da poesia de Noel Rosa. O escritor afirma que esses letristas da música popular salvaram a poesia brasileira. E diz ainda, que quem estudar a fundo as letras da música popular dos anos 30 verá que “lá estão muitos achados que botam no chinelo quase toda a versalhada de 1945 para cá”.

 Nelson Werneck Sodré continua falando, em Música, de sua Síntese de História e Cultura Brasileira, sobre o mercado musical discográfico, sobre a forma usada pelo rádio e pela televisão para criar mitos, visando sempre o lucro para esses meios de comunicação e para os cantores e cantoras, em detrimento da boa qualidade da música, que era entregue ao público. Mas, fico por aqui, sem entrar nos detalhes áridos desse mercado. Na próxima parte de A Música Brasileira, será feita a abordagem da Bossa Nova, que surgiu para defender a nossa música popular, gênero musical de nível internacional.



CULTURA NACIONAL - MÚSICA (3ª parte)
                                (Nelson Werneck Sodré)



O disco, antes do advento do rádio, teve a função pioneira de trabalhar o mercado para a produção musical; o rádio deu dimensões gigantescas a esse mercado, nas condições limitativas peculiares ao Brasil. De qualquer maneira, o disco é muitíssimo mais popular do que o livro, e o rádio colocou à disposição dos que não dispunham de aparelho para rodar o disco, a música que o público desejava; os programas radiofônicos de maior audiência são os de pedidos musicais. A pouco e pouco, nessa base, da relação entre milhões de ouvintes, de um lado, e as emissoras e editoras de discos, de outro, formou-se e cresceu no mercado musical.

 A televisão apenas ampliou as dimensões desse mercado e acrescentou, com as consequências necessárias, os elementos cênicos ligados à imagem; de qualquer modo, multiplicou extraordinariamente a eficácia da difusão musical. Essas relações mudaram também de qualidade, ao ultrapassar certo nível quantitativo; cedo ficou constatado que música, além de arte, era também mercadoria, precisava receber determinado tratamento, adequado à sua colocação no mercado; não é de surpreender que o teor artístico tenha cedido lugar ao teor mercantil. Claro que, como em todas as outras manifestações culturais, a culpa foi lançada aos consumidores, ao público.


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